
Enquanto uma nova leva de fabricantes chinesas amplia investimentos e presença no Brasil, a JAC Motors segue na direção oposta. A marca retirou de linha dois dos três automóveis de passeio que comercializava no país e reduziu sua rede física de concessionárias. A mudança foi apurada pela Autoesporte, que procurou os pontos de venda da fabricante e confirmou o fim do E-JS4 e do E-J7.
Os dois elétricos não estão mais disponíveis nos estoques das lojas e, segundo a apuração, não há previsão de chegada de novos lotes. Com isso, o compacto elétrico E-JS1 permanece como o único carro de passeio da marca oferecido no mercado brasileiro. A própria JAC ainda mantém E-JS4 e E-J7 relacionados em seu site, embora a rede comercial informe que ambos foram descontinuados.
A redução, no entanto, não se limita ao portfólio: das cinco concessionárias que apareciam anteriormente na rede da empresa, a unidade de Brasília encerrou as atividades e um dos dois endereços de São Paulo está sendo incorporado à outra operação da capital paulista.
JAC fica com três pontos tradicionais de venda
Com as mudanças, a JAC passa a contar com três pontos tradicionais de comercialização: a matriz localizada no bairro do Limão, em São Paulo, além de lojas em Curitiba e Porto Alegre. A estrutura de assistência técnica é maior, com 142 oficinas credenciadas espalhadas pelo país.
Questionada pela Autoesporte sobre a redução da rede, a JAC afirmou que vem desenvolvendo e aprimorando há aproximadamente dois anos seu modelo de vendas online e a distância.
É uma mudança significativa para uma empresa que chegou ao Brasil apostando justamente em ampla presença física. Quando iniciou sua ofensiva no mercado nacional, a JAC chegou a inaugurar 50 concessionárias em um único dia, em uma estratégia de expansão acelerada para apresentar uma marca chinesa ainda desconhecida de boa parte dos brasileiros.
E-JS4 e E-J7 deixam o mercado
O E-JS4 ocupava o segmento de SUVs elétricos e utilizava motor de 200 cv e 340 Nm. O modelo havia sido uma das apostas da JAC para acompanhar a transformação de sua linha brasileira, que abandonou gradualmente os motores a combustão nos carros de passeio para se concentrar nos elétricos. A própria página do modelo ainda aparece no site da fabricante.

O sedã E-J7 também deixa de ser comercializado. A saída dos dois reduz substancialmente a presença da JAC entre os automóveis de passeio em um momento no qual concorrentes chineses aumentam rapidamente sua participação no país.
O E-JS1 permanece no portfólio. O subcompacto tem 62 cv e 150 Nm e continua sendo divulgado pela marca como sua opção elétrica voltada principalmente ao uso urbano.
Hunter passa a ser a principal aposta
O reposicionamento coloca as picapes no centro da estratégia brasileira. A JAC confirmou que pretende concentrar esforços nesse segmento, com opções a diesel e elétricas. Atualmente, seu site destaca as versões Hunter 4Work, Hunter Heavy Duty e EV Hunter 4x4, além do iEV330P.
A Hunter passa, portanto, a ocupar um papel bem diferente daquele inicialmente destinado aos carros elétricos de passeio. A empresa também continua operando no mercado de veículos comerciais, com vans e caminhões elétricos.
A mudança acontece em um cenário particularmente competitivo. Fabricantes chinesas que chegaram depois da JAC, como BYD e Geely, vêm ampliando sua presença no país, enquanto outras empresas preparam novas operações brasileiras.
JAC está no Brasil desde 2011
A JAC foi uma das primeiras marcas chinesas a investir de maneira ampla no mercado brasileiro. Sua estreia comercial ocorreu em 2011, sob representação do Grupo SHC, comandado por Sergio Habib.
O lançamento ficou marcado pelos J3 hatch e J3 Turin, preços agressivos, garantia de seis anos e uma ampla campanha publicitária. Nos anos seguintes, a linha cresceu com modelos como J2, J5, J6, T40, T50 e T80.
Mais tarde, a empresa tentou se reposicionar como uma das principais referências em veículos elétricos no país, com uma gama que chegou a reunir vários modelos movidos exclusivamente por bateria.