Com legalização dos carros autônomos, prevista para 2022, na Europa, eles dependem de tecnologia 5G, boas condições das vias, entre outros itens

Já viu algum casal tirando selfie ao volante e isso não ser perigoso? Dê boas vindas aos carros autônomos, mas vão demorar
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Já viu algum casal tirando selfie ao volante e isso não ser perigoso? Dê boas vindas aos carros autônomos, mas vão demorar

A Qualcomm, empresa que desenvolve chips e processadores para dispositivos móveis, fala sobre a tecnologia de dados 5G no Brasil, que terá início das atividades no segundo semestre de 2018. Com mais velocidade, resposta e conectividade, o avanço em relação ao 4G será evidente ao permitir que as empresas consigam produzir cada vez mais, independentemente de onde estiverem, bem como as pessoas poderão usufruir de uma banda larga mais ampla. Entretanto, como nós aqui falamos de carros, a matéria será focada nos carros autônomos, que funcionam com essa tecnologia.

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Mas, calma. Antes de achar que vários carros autônomos estarão em circulação no ano que vem, lembremos que a vida não é sempre um mar de rosas, muito menos no Brasil e na América Latina quanto a conectividade, mobilidade e infraestrutura. Sem uma reestruturação na rede por parte dos setores de telefonia (operadoras, ANATEL e outros), a promessa de tornar os “Gs” anteriores ultrapassados será apenas uma mera ilusão.

Ford Fusion autônomo da Uber em testes em Pittsburg, na Califórnia (EUA), mas ainda não pode ser vendido ao público
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Ford Fusion autônomo da Uber em testes em Pittsburg, na Califórnia (EUA), mas ainda não pode ser vendido ao público

Uma tecnologia dessas só vai funcionar se mais frequências de sinais forem liberadas, o que só seria possível com a extinção de redes não regulamentadas (como as piratas), bem como o 2G, que apesar de ultrapassado, ainda domina uma enorme fatia dessas frequências no Brasil. Isso se deve aos preços mais acessíveis tanto dos pacotes de planos telefônicos, quanto dos celulares à venda que só aceitam chips 2G. Por incrível que pareça, ainda há cerca de 45 milhões de planos 2G contratados no Brasil em 2017, segundo afirma Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm, que ainda observa que os Estados Unidos estão quase tirando o 3G de circulação. Além disso, as operadoras deverão oferecer coberturas 5G suficientes para o limite do pacote de dados não acabar em pouquíssimo tempo.

Os carros autônomos

Enfim: os carros autônomos. O sistema operacional usado nesses verdadeiros robôs automotivos depende de conexões com a menor latência possível, ou seja, um menor tempo possível de resposta (delay) entre o recebimento e o envio dos sinais. Isso porque, sem uma interatividade em tempo real entre os sinais de dados e a sua comunicação instantânea com os sistemas autônomos, máquinas que são pensadas para reduzir os números de acidentes, oferecer mais comodidade e conforto, seriam vistas subindo em tudo, se colidindo e promovendo caos na cidade. Além disso, vão consumir uma enorme quantidade de dados, daí a razão da necessidade de bons pacotes de 5G.

A tecnologia semi-autônoma é o máximo permitido .Este BMW, no caso, apita após 5 segundos sem dirigir
Nicolas Tavares/iG Carros
A tecnologia semi-autônoma é o máximo permitido .Este BMW, no caso, apita após 5 segundos sem dirigir

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Saindo um pouco do campo da telefonia, as condições em que as vias brasileiras se encontram são precárias, o que facilmente e rapidamente deterioraria os carros autônomos que estiverem em circulação. Apesar do altíssimo nível de precisão, mobilidade e avanço tecnológico, eles não superariam a capacidade humana de tomar cuidados com buracos, valetas e enchentes. Carros com pneus furados, rodas empenadas e conjuntos de suspensão danificados fariam a alegria dos mecânicos. Além disso, ao contrário dos semáforos inteligentes, que funcionam via internet em países de primeiro mundo, os daqui não são integrados uns com os outros, o que dificultaria o reconhecimento deles pelos carros, sem falar das vezes que nem funcionando estão. Não devemos esquecer, também, das faixas nas vias, essenciais para informar os sensores do robô sobre os limites de circulação, em caso de não estarem apagadas, algo nada incomum nas vias brasileiras.

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Deixando o mais crucial para o final, já que une tudo o que foi dito até agora, a questão que mais impede a comercialização de carros totalmente autônomos é a legislação, que se preocupa com a segurança no trânsito e, assim, obriga o condutor a passar por todos os processos regulamentados pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito). É por tudo isso que não é preciso nenhuma intuição mágica para afirmar que essa tecnologia de última geração só colocará seus pneus por aqui em testes longe das vias públicas, ou quando a novidade do momento for a dos carros que saem das ruas e voam. Estes, muito provavelmente, também teriam impedimentos na regulamentação e na comercialização, pois há muitos fios elétricos e etc, etc, etc.

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