Ser dono de um híbrido está longe de ser um bicho de sete cabeças. Veja como o Prius (R$ 126.600) se sai no dia a dia

Toyota Prius e seu design arrojado e com aerodinâmica caprichada, com baixo coeficiente de arrasto (Cx) de apenas 0.24
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Toyota Prius e seu design arrojado e com aerodinâmica caprichada, com baixo coeficiente de arrasto (Cx) de apenas 0.24

Dê mais uma olhada no carro acima. Ele, com certeza, já apareceu em suas conversas de bar, ou despertou a curiosidade ao ponto de dar uma olhadinha rápida no catálogo do site da Toyota. Quem sabe, o preço tenha até surpreendido. Trata-se do Prius, o carro híbrido mais vendido do mundo. Você pode até ter vontade de conhecê-lo, apostar na tecnologia do futuro e rodar no carro mais econômico e ecológico que o dinheiro pode comprar no Brasil. Todavia, nunca sentiu segurança de levar a ideia dos híbridos pra frente. Mas saiba que ser dono de um Toyota Prius 2018 não é algo de outro mundo como aparenta ser, e tem praticamente o mesmo custo de um Corolla.

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É difícil não chamar atenção com o design futurista adotado pela Toyota. O Prius realmente parece ter saído de alguma série de tokusatsu - os famosos heróis mascarados japoneses - que passava na Rede Manchete nos anos 90. Seu design dianteiro é completamente desconexo, onde os faróis simulam algum tipo de pintura expressionista. O símbolo da Toyota aparece envolvido por acabamento azul, que reforça as características ecológicas do Prius. A silhueta, com a traseira bem mais alta que a frente, dá ao híbrido o estranho caráter robusto de um monovolume com crise de identidade. A grande diferença do modelo em relação a qualquer outro carro está na traseira. À primeira vista, não é difícil confundir o Toyota Prius com um sedã de cintura alta.

As linhas fluem da dianteira na traseira alta, desenhada para deixar o ar passar pelo carro com facilidade
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As linhas fluem da dianteira na traseira alta, desenhada para deixar o ar passar pelo carro com facilidade

Desbravar o Prius é uma das coisas mais legais da experiência ao volante. O habitáculo mantém o mesmo design de megazord , causando uma curiosidade bem proposital. O câmbio automático se transforma em um joystick azul acoplado ao meio do painel. No lugar do porta-trecos do console, um carregador de celular sem fio. Velocímetro e informações de bordo aparecem no painel de instrumentos central, o que lembra um filme de ficção científica. Nele, o Prius sugere a maneira mais econômica para se dirigir, e mostra tudo que está acontecendo com o veículo instantaneamente. Atuação dos motores elétrico e a combustão, recomposição de carga da bateria e econômetro completam o pacote tecnológico. Há também um projetor de velocidade e contagiros que surge no parabrisa como um holograma. Aliado ao som agudo do motor elétrico durante as acelerações, a impressão é de que o Prius pode revelar asas, propulsores e turbinas, e sair voando para se acoplar na cabeça de um robô gigante.

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Detalhe da traseira arrojada do Prius, com a inscrição
Caue Lira/iG
Detalhe da traseira arrojada do Prius, com a inscrição "Hybrid" e longas lanternas

Em contraste, a Toyota instalou exatamente o mesmo sistema de entretenimento do Corolla. A central multimídia é lenta, e dispensa comandos giratórios. No lugar deles, botões de mais e menos para controlar o volume. Trocar de estação no sistema de entretenimento pouco intuitivo da Toyota é complicado. O jeito é salvar suas rádios favoritas para evitar as trocas manuais cansativas. O GPS também não é dos mais intuitivos, mas cumpre bem sua função, e sugere rotas inteligentes.

Por dentro, acabamento caprichado e bom espaço interno para os cinco ocupantes. Central multimídia precisa melhorar
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Por dentro, acabamento caprichado e bom espaço interno para os cinco ocupantes. Central multimídia precisa melhorar

Apesar da pouca variedade nos materiais, o Prius tem ótimo acabamento. A posição de dirigir é um pouco mais alta que o normal, e olhar pelo retrovisor pode causar certa estranheza nas primeiras vezes por conta da traseira heterogênea. Quem se beneficia do design parrudo e encorpado é o interior. Há espaço suficiente para quatro heróis coloridos defenderem a cidade de monstros gigantes com conforto. O quinto passageiro que vai sentado no meio do banco traseiro, entretanto, vai sofrer com a altura do assento. O porta-malas é largo, porém raso, por causa das baterias colocadas abaixo dele. São 412 litros de capacidade.

As armas secretas desta invenção japonesa maluca estão escondidas abaixo do capô e do banco traseiro. O motor 1.8 a combustão trabalha em conjunto com uma unidade elétrica. Ambos funcionam com câmbio automático CVT. Juntos,  rendem 98 cv de potência e 14,2 kgfm de torque. Para garantir o baixo consumo de combustível, a taxa de compressão é alta (13:1). A grande sacada da Toyota para melhorar o consumo é o reaproveitamento de energia que o motor elétrico é capaz de fazer através das frenagens e da cinética que seria perdida. Com isso, ele dispensa tomadas para recarga. Se a bateria, por acaso, chegar a um estado crítico, o motor a combustão será acionado para recarregá-la e garantir mais alguns bons quilômetros de autonomia.

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Aprender a dirigir o Prius da forma mais eficiente possível pode levar alguns minutos, mas o resultado final vale a pena. De acordo com a Toyota, o híbrido faz 18 km/l na cidade e 17 km/l na estrada, mas é possível elevar os números com um melhor entendimento do motor. Circulando na cidade, você poderá rodar, teoricamente, por 774 km sem abastecer

A aceleração deve ser progressiva, evitando pisadas que não vão favorecer o consumo. Em descidas, o melhor caminho é apenas administrar a velocidade na frenagem, pois a energia cinética será reaproveitada para carregar a bateria que abastece o motor elétrico. Não há necessidade de afundar o pé no acelerador como se estivesse em um esportivo. Afinal, os 12,1 segundos que ele leva para chegar aos 100 km/h não enganam ninguém.

Após o último parágrafo, você deve estar pensando que o Prius não tem boa dinâmica de condução. Mas podemos afirmar que o bom trabalho feito pela Toyota no sedã Corolla se repete por aqui. Ele é macio e não passa irregularidades do solo para a cabine. Andar nas esburacadas ruas brasileiras também não será uma tortura por conta da suspensão McPherson na dianteira, e braços duplos na traseira. É como se o Prius fosse um carro menor, e não um hatchback japonês de linhas robustas.

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Visto de lado, os vincos e recordes na carroceria não são à toa, mas em função da parte aerodinâmica
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Visto de lado, os vincos e recordes na carroceria não são à toa, mas em função da parte aerodinâmica

Ok, tudo soa bem até aqui: um híbrido futurista bom de guiar, cheio de tecnologia e que faz 18 km/l na cidade. Mas como é ser proprietário de um Toyota Prius no mundo real? O modelo custa R$ 126.600, sendo R$ 10 mil mais cara que a versão topo de linha do Corolla. O custo das revisões, entretanto, está no mesmo patamar do sedã. A primeira revisão, dos 10 mil km, custa R$ 237,79. Com seis anos de uso, ou 60 mil km rodados, você terá pago R$ 4 mil cravados. Já o sistema híbrido conta com a garantia estendida de oito anos. Compreendem este sistema a bateria híbrida, sua unidade de controle, a unidade de controle de gerenciamento de energia e o motor elétrico. Convidativo, não? E se você morar em São Paulo, ainda ficará isento do rodízio municipal.

O seguro está nos padrões do irmão Corolla. Em nossa simulação, o melhor valor é o da Seguradora Mitsui, com R$ 3.747 por doze meses contra colisão, incêndio e roubo. Consideramos um homem na casa dos trinta anos que guarda o carro na garagem, tanto em casa quanto no trabalho.

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Coloque todos os valores na ponta do lápis, incluindo a economia de combustível e o preço para manter o carro, e o Toyota Prius aparecerá como uma boa opção acima do Corolla Altis. E o melhor de tudo: com o compacto híbrido, você vai pegar confiança com a nova tecnologia para  dar uma olhada no SUV híbrido CH-R, que chega no ano que vem para brigar com Honda HR-V, Jeep Renegade e companhia. O preço não deve ficar muito distante do Prius.

Toyota C-HR chega ao Brasil no ano que vem, vindo da Turquia, apenas na versão híbrida
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Toyota C-HR chega ao Brasil no ano que vem, vindo da Turquia, apenas na versão híbrida

O modelo chegará ao Brasil importado da Turquia, apostando no programa que vai suceder o Inovar-Auto. A chamada Rota 2030 terá foco em eficiência energética, redução de impostos e simplificação de cobranças. Com isso, elétricos e híbridos serão favorecidos no mercado brasileiro. Portanto, vá se acostumando com a ideia de ver um carro híbrido ou elétrico na sua garagem nos próximos anos. Além do seu bolso, o meio-ambiente também irá agradecer.

Toyota Prius 2018

Preço:  R$ 126.600
Motor: 1.8 híbrido
Potência: 98 cv a 5.200 rpm
Torque: 14,2 kgfm a 3.600
Transmissão: CVT
Suspensão: McPherson na dianteira, e Double Wishbone na traseira
Freios: Discos ventilados na dianteira, sólidos na traseira
Pneus:195/65 R15
Dimensões: 4.5 metros (comprimento), 1,7 m (largura), 1,5 m (altura)
Tanque: 43 litros
Consumo: 18 km/l (cidade), 17 km/l (estrada)
0 a 100 km/h: 12,1

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