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Linha reduzida e à espera do Argo faz Fiat perder posição para Volkswagen. Entenda como está a briga entre as duas fabricantes no mercado brasileiro

Após vender mais carros e picapes em abril do que a Fiat, a VW espera conquistar a segunda colocação no mercado
Divulgação/Volkswagen
Após vender mais carros e picapes em abril do que a Fiat, a VW espera conquistar a segunda colocação no mercado

A situação da Fiat continua ruim como marca no Brasil. Após fechar março como a sexta fabricante que mais vende carros (excluindo as picapes), os resultados de emplacamentos de abril mostram mais uma má notícia para a marca italiana: A Volkswagen vendeu mais automóveis e comerciais leves, ocupando a segunda posição no ranking de participação. São 18.802 unidades para a Volks, contra 18.587 veículos da Fiat, uma diferença de apenas 215 unidades.

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Apesar da diferença pequena, mostra que há um problema sério na linha da Fiat. Seu modelo mais vendido é o Mobi, que foi o 9º mais emplacado em abril, com 3.642 unidades. Depois dele há o Uno, o 15º do ranking, contando 2.782 unidades. Os demais modelos estão bem abaixo, com o Siena na 23ª posição e o Palio na 28ª colocação. Em comparação, o mais vendido da Volkswagen é o Gol, o 5º mais emplacado do mês, com 5.515 veículos. Os demais modelos estão mais abaixo, só que melhores posicionados. O sedã Voyage é o 13º do ranking, seguido pela linha Fox. O compacto Up! continua apanhando pro Mobi, porém vende quase o mesmo que o Uno e aparece como 17º mais vendido.

A esperança da Fiat está no lançamento da linha X6, que começa com o hatchback Argo, previsto para o final de maio. Irá ocupar, em uma tacada só, o lugar do Bravo, Punto e das versões mais caras do Palio. No ano que vem veremos o X6S, a versão sedã do Argo, substituindo Siena e Linea. Era para lançarem uma nova picape compacta para substituir a Strada, só que o plano foi engavetado.

Por outro lado, a Volkswagen ainda tem espaço para crescer. Além do lançamento de versões reestilizadas de seus modelos atuais, como Up! e Golf, preparam a volta do hatch Polo e a chegada do inédito Virtus, sedã que irá disputar espaço com Chevrolet Cobalt e Honda City – há tempos a Volks queria um modelo assim. Ambos tentarão entrar em novos segmentos e irão aumentar o portfólio da fabricante, na contramão do movimento na Fiat, que está enxugando sua linha.

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Essa disputa irá se estender ao longo do ano. A Fiat ainda tem um pouco de gordura para perder, já que contabiliza 81.087 unidades no acumulado do ano, contra 77.624 veículos emplacados para a Volkswagen. Os italianos ainda serão atacados por outro lado, pois a Toyota novamente vendeu mais carros do que a Fiat e se aproxima nos números totais de 2017. São 45.202 automóveis para a marca japonesa, contra 47.351 unidades da rival. Seria uma grande diferença, se não fosse o fato da Toyota ter emplacado 11.978 em abril, 964 a mais do que a Fiat.

Outra marca que está em sérios problemas é a Ford, que fechou abril com 14.489 unidades, o que a deixa na 6ª colocação nas vendas de automóveis e comerciais leves. Foi ultrapassada pela Toyota, embora por uma diferença de apenas 6 unidades. Para piorar, está assistindo a Hyundai se distanciar na 4ª posição no acumulado do ano, somando 57.848 unidades, contra as 56.928 da Ford.

Novamente em queda

Após o alívio vindo do resultado das vendas de março, o mês de abril fez com que o mercado recuasse novamente, consequência dos dois feriados prolongados e a greve geral na última sexta-feira. Segundo os dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), os emplacamentos caíram 17,1% em relação ao mês anterior e 3,25% em comparação com o ano passado.

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“Além da lenta recuperação da economia, os feriados também impactaram no volume de dias úteis, o que repercutiu, diretamente, na queda registrada de emplacamentos. Se considerarmos as vendas diárias, notaremos aumento de 4,23% nos emplacamentos”, explica Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave. Foram dois feriados e a greve geral, além de interromper as vendas, também paralisou as fábricas de diversas marcas, além de ter um dia a menos e terminar em um domingo – abril teve 18 dias úteis, contra 23 em março.

Otimista, a associação acredita que os próximos meses serão positivos, ainda que com um crescimento pequeno na comparação com o ano passado. “Esse aumento no volume de vendas diárias nos faz acreditar que estamos interrompendo a curva de queda e iniciando uma recuperação, ainda que moderada. No acumulado desses segmentos [automóveis e comerciais leves], ainda temos retração de 1,67%, mas estamos confiantes que teremos melhores resultados nos próximos meses, se os índices de confiança forem retomados e a economia voltar a girar”, conclui Assumpção Júnior.

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