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Executivo conta os planos futuros da marca Chevrolet no Brasil e explica a razão do sucesso da fabricante, líder de vendas no País

Carlos Zarlenga, presidente da GM do Mercosul, se mantém confiante no Brasil, onde a marca é a mais vendida
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Carlos Zarlenga, presidente da GM do Mercosul, se mantém confiante no Brasil, onde a marca é a mais vendida

A Chevrolet trabalha para continuar sendo líder de vendas no mercado automotivo brasileiro. Em entrevista exclusiva para o portal iG, presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, falou sobre o que planeja para o futuro na região, como a empresa tem conseguido ter êxito diante do cenário turbulento em que se encontra o Brasil, entre outros detalhes.

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Entre os destaques, Carlos Zarlenga revelou que a GM Mercosul irá fazer um novo anúncio de investimentos na região, que vai estar ligado aos novos modelos que serão lançados entre 2019 e 2024 e que não estão incluídos nos R$ 13 bilhões já anunciados referentes ao período entre 2014 e 2019. 

Carlos Zarlenga tem 44 anos e assumiu o cargo de presidente da General Motors (GM) Mercosul em janeiro de 2017, uma operação que integra todas as atividades da GM no Brasil e na Argentina. Anteriormente, Zarlenga foi presidente da GM Brasil (2016) e CFO da GM América do Sul (2013-2016). 

Ele também atuou como vice-presidente e diretor financeiro da GM Coreia (2012-2013), incluindo o papel de diretor no conselho de administração da GM Uzbequistão, uma joint venture da GM com o governo de Uzbequistão.

Antes de se juntar à GM , Zarlenga serviu por mais de 15 anos na General Electric na Europa, Ásia e Estados Unidos. Também foi CFO da General Electric Consumer & Industrial, Europa, Oriente Médio e África. Zarlenga é cidadão argentino / espanhol, graduado em economia pela Universidade de Belgrano em Buenos Aires, Argentina. Ele mora em São Paulo, Brasil, com sua família. Acompanhe a seguir a conversa que tivemos com o executivo.

Pode falar um pouco dos planos de lançamentos e investimentos de automóveis da Chevrolet no Mercosul em função das incertezas e curtíssimo e, também, de longo prazo?

Bem, fizemos o anúncio do lançamento de 20 novos produtos até 2022. Estamos atualmente na fase final do plano de investimentos de R$ 13 bilhões, iniciado em 2014 e que terminará em 2019. 

Num momento mais adequado, vamos fazer um anúncio de novos investimentos referentes ao próximo período de cinco anos de 2019 a 2024, sobre produtos que serão lançados no Mercosul.  Não é o momento de trocar a visão de longo prazo, vamos deixar passar as eleições, para depois, se necessário, reavaliar.

A Ford dos EUA tomou a decisão drástica em relação ao lineup de produtos deles e eliminou muitos modelos, como Fiesta e Fusion, focando apenas em SUVs, picapes e em esportivos como o Mustang, provavelmente por uma questão de lucratividade. Isso pode ser uma oportunidade para a GM se apropriar dos segmentos abandonados pela Ford nos Estados Unidos, ou vocês também pretendem fazer um streaming de seus produtos lá fora?

Vou falar do Brasil. No nosso caso, estamos muito contentes porque temos uma participação muito forte em todos os segmentos que são mais vendidos. No caso dos carros compactos, temos o modelo mais comercializado do Brasil, o Onix , tanto nos hatches quanto nos sedãs. 

Se você considerar os carros médios, o nosso Cruze possui um resultado sensacional em relação ao ano passado. É o segundo modelo mais vendido na categoria e crescendo. Além disso, a picape S10 continua na liderança, o que é muito importante. E a minivan Spin, que tem 67% do segmento, terá novidades que estão prestes a serem apresentadas.

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O investimento que fizemos em produtos gerou um impacto enorme, mesmo em carros de alto valor, como o Equinox, que virou o mais vendido da categoria na sua faixa de preço.  Além disso, posso dizer que entre as novidades que a GM irá apresentar em breve, haverá muito mais crossovers e SUVs. Tudo isso estará bem de acordo com o que o brasileiro quer hoje em dia.

Diferente do que nosso concorrente fez no mercado americano, não vou fazer mudanças drásticas nos modelos que vendemos, até porque 60% dos brasileiros ainda querem modelos compactos que correspondem à 55% do mercado de automóveis. Teremos mais crossovers nesse segmento? Sem dúvida. Mas, será que todos os clientes querem esse tipo de carro? Não.

Chevrolet Prisma é o sedã da GM líder de vendas no segmento B, de modelos compactos
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Chevrolet Prisma é o sedã da GM líder de vendas no segmento B, de modelos compactos

Sobre a lucratividade, depende do ponto de vista de cada um. Nós a temos porque a marca é muito bem aceita e nossos produtos são bem adequados aos clientes, já que têm alto valor agregado, de acordo com o que o consumidor está disposto a pagar.

 Se você destina 70% do seu mix de vendas a modelos de entrada, para locadoras, certamente, terá um problema de lucro. Nossa maneira de trabalhar não é assim. Temos a maior participação em carros com mais conteúdo no segmento de compactos. Não temos como foco as locadoras, mas sim o cliente final. Portanto, se você tem o produto que o cliente quer, esse problema de lucratividade não existe.

Até pouco tempo, a Fiat era a marca mais vendida no Brasil e a Ford era a quarta. Esse quadro mudou. O que vocês fizeram de certo nesses últimos anos para conquistar a liderança e consolidá-la?

Para mim o importante é entender a necessidade do cliente no mercado e trabalhar o portifólio de produtos para atender às suas necessidades. Isso é o que fazemos. Só colocamos no papel um plano lógico de cadência de lançamentos e o seguimos.

O que faremos daqui para frente é a mesma coisa. Alinhar o portifólio às necessidades dos clientes, com a tecnologia que fará a diferença. O sistema Mylink do Onix  já fez a diferença; o OnStar está fazendo agora. E a conectividade, que teremos nos novos produtos que virão, será chocante. Ninguém terá nada parecido no mercado.

Chevrolet Onix da linha 2019 na versão Active, exemplo de versão crossover por causa da combinação de hatch com modelo de apelo aventureiro
Divulgação
Chevrolet Onix da linha 2019 na versão Active, exemplo de versão crossover por causa da combinação de hatch com modelo de apelo aventureiro

A segunda parte do que fizemos está ligado à rede. Quem pensar que a rede é commodity , que tanto faz, está absolutamente errado. Não são apenas lojas, mas grupos de empresários que entendem muito de vendas, que assumem riscos, que apostam e acabam sendo grandes ganhadores.

Nós trabalhamos juntos com 270 empresários que têm 600 pontos de vendas no Brasil e sabem, profundamente, como jogar o jogo. Os profissionais mais importantes do setor de varejo da GM foram conosco para a China para ver o produto que ainda não lançamos. Eles deram várias recomendações, que nós acatamos. Além disso, eles estão por trás das nossas campanhas de varejo, porque sabem como conseguiremos ter sucesso. Essa parceria é fundamental. Na crise, o relacionamento com a rede está sendo essencial e ficou ainda melhor. Saímos com laços ainda mais fortalecidos.

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E o terceiro ponto do nosso sucesso está na mudança interna da empresa. Mudamos mais nos últimos três anos dos que nos 30 anteriores. Já começa com a criação da GM Mercosul, que de acordo com uma pesquisa que fizemos, mostra 78% de satisfação com os funcionários do Brasil e Argentina, sendo 83% entre os líderes de equipe.

Além disso, todos sentem muito mais na pele que a diferença entre ganhar e perder está com cada um de nós aqui. Fazer bem, ou mais ou menos não é a mesma coisa. E hoje temos uma cultura para ganhar, de excelência, inovar, pensar diferente, com menos regras de restrição e mais incentivo para a percepção de oportunidades.

E uma última pergunta, sem simples, que faço aqui na GM nos últimos 20 anos:  Quando vocês vão trazer o Corvette ao Brasil?

Carlos Zarlenga - Olha, lançamos o Camaro porque achamos que era o carro perfeito para esse tipo de alvo que queríamos ao Brasil. O Corvette é uma decisão que estamos sempre avaliando. Um dia você vai se surpreender e ficar contente!

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