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Nem sempre a sequência é tão boa quanto o original. Conheça exemplos de substitutos que não conseguiram ser melhores que os antecessores

Nem sempre a sequência faz jús ao sucesso da obra original. Isso é muito claro no cinema, quando alguns filmes arrecadam milhões de dólares em bilheteria, mas não conseguem atingir o mesmo status na continuação. Um exemplo recente é a comédia “Se Beber, Não Case!”, que foi um grande sucesso de público e crítica em 2009, enquanto sua sequência lançada em meados de 2011 não atingiu metade do prestígio. Bem, isso também pode acontecer na indústria automotiva e os carros que saíram de linha.

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Ficamos empolgados quando um carro legal vai mudar de geração. A esperança é de que as fabricantes sempre farão um grande trabalho, e a maior parte delas realmente é bem sucedida nisso. Mas assim como em Hollywood, deslizes são normais. Partindo disso, a reportagem do iG Carros elege cinco  carros que saíram de linha , mas continuam melhores que suas gerações atuais.

1 - Fiat Punto T-Jet (2007 - 2016), Argo HGT (2017 - presente)

O Punto T-Jet continua sendo melhor que o Argo HGT entre os carros que saíram de linha
Divulgação
O Punto T-Jet continua sendo melhor que o Argo HGT entre os carros que saíram de linha

Bem, neste caso não se trata de uma troca de geração, mas sim de uma sucessão espiritual. O Argo foi lançado em 2017 com o objetivo de substituir três modelos de uma vez: Palio, Punto e até mesmo o Bravo nas versões mais caras. Muitos ficaram empolgados quando a marca confirmou uma versão esportiva, ainda mais com o resgate do nome HGT (alusão ao antigo Brava, dos anos 90).

O modelo, entretanto, não fez jús à história do antigo Punto T-Jet, um dos esportivos mais legais de sua época. Isso fica muito claro em um breve comparativo de ambos os modelos: o motor 1.4 turbo do Punto T-Jet entregava 152 cv de potência a 5.750 rpm e 21,1 kgfm a 2.250 rpm, enquanto o 1.8 do Argo HGT fica na casa dos 139  cv a 5.750 e 19,3 kgfm de torque a 3.750 rpm. Os números de 0 a 100 km/h mostram essa diferença na prática: 8,3 segundos do modelo antigo, ante 9,2 segundos do Argo HGT.

2 - Volkswagen Jetta (2011 - 2018) - (2019 - presente)

O VW Jetta mudou de geração, mas continua sendo inferior ao modelo anterior entre os carros que saíram de linha
Divulgação
O VW Jetta mudou de geração, mas continua sendo inferior ao modelo anterior entre os carros que saíram de linha

Nós criamos uma grande expectativa pelo Novo Jetta . Ele sempre foi um de nossos sedãs favoritos, principalmente pela pegada mais esportiva. Junto de Chevrolet Cruze, Honda Civic e Citroën C4, fecha o quarteto de sedãs médios turbinados disponíveis no Brasil. Mas infelizmente, a história não correu como os fãs esperavam e o Jetta acabou se tornando um carro conservador.

Ok,  o Jetta e cresceu, ficou mais encorpado e espaçoso, mas acabou deixando toda a esportividade de lado. A primeira ocasião em que você perceberá isso será quando estiver afundando o pedal do acelerador. O sedã demora para responder em retomadas, com um atraso de vários segundos na entrega de seus 150 cv de potência derivados de um motor 1.4 turbo.

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Se quiser reduzir as marchas, também não poderá contar com as aletas atrás do volante na versão ComFortline, uma vez que foram retiradas na virada de geração. Isso faz com que o Jetta anterior seja mais esperto em relação ao atual. Sem mencionar o acabamento, que também era um pouco mais caprichado no modelo 2018.

3 - Honda Fit (2008-2014) – (2015-presente)

Entre os carros que saíram de linha, o Honda FIt se destaca por um conjunto mais refinado
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Entre os carros que saíram de linha, o Honda FIt se destaca por um conjunto mais refinado

Desde o lançamento da primeira geração em 2003 (já como modelo 2004), o motor do Honda Fit e diversos componentes estruturais se mantiveram até os dias de hoje. O motivo para isso, além da economia de recursos por parte da marca, deve-se à qualidade e à confiabilidade que até hoje são referência, apesar de dever um pouco em autonomia quando comparado a modelos com mecânica mais eficiente. Contudo, entre os itens que o modelo atual abandonou do antecessor, e resgatou da primeira geração, a redução do espaço das malas (384 litros para 363 litros, mesmo tendo crescido 20 cm de comprimento), a perda de harmonia do design e o retorno do câmbio CVT foram os maiores pecados quando se pensa em prazer ao dirigir, espirituosidade e praticidade.

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Apesar de uma sensível melhora no consumo de combustível com a chegada do Fit atual, hoje se tem opções muito mais econômicas que ele, enquanto que à época da segunda geração, não era muito divergente dos outros nesse quesito. Além do mais, enquanto são poucas as queixas de donos do Fit automático de 5 marchas, observa-se que proprietários do atual — tal como os da primeira geração — têm se queixado de trepidações no câmbio, principalmente nas saídas de semáforo. Apesar disso, o hatch — que já foi minivan, entre 2008 e 2014 — trouxe mais equipamentos de conectividade, o que o consumidor brasileiro tanto procura nos carros hoje em dia.

4- Subaru WRX (2009-2014) – (2015-presente)

Entre os carros que saíram de linha, o Subaru WRX da antiga geração não utilizava câmbio automático do tipo CVT
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Entre os carros que saíram de linha, o Subaru WRX da antiga geração não utilizava câmbio automático do tipo CVT

Já falamos aqui no iG Carros que, tal como blindar um carro esportivo, o que mais mata o envolvimento ao volante e o prazer ao dirigir esportivamente é o câmbio automático. A partir disso, sem dó nenhuma no coração, os engenheiros da Subaru colocaram um sonolento CVT no novo modelo, no lugar do câmbio manual de cinco marchas da geração anterior. Tudo isso porque o Lancer Evolution já não estaria mais no mercado para tentar os fanáticos por dirigir?

Mesmo com uma melhora na economia de combustível, os impactos disso não só foram muitos atrás do volante, como também no cronômetro. Como se manteve nos 270 cv, mas ganhou 110 kg, nenhum mapeamento ou acerto no módulo do câmbio CVT seria o suficiente para suprir o desempenho perdido dos 5,7 segundos no 0 a 100 km/h da antiga geração, para os 6,3 segundos da atual. Outro ponto a se considerar, mas que ainda não pode ser totalmente comprovado, é até que ponto conseguirá preservar a confiabilidade que se garantia antes, com o câmbio manual. Os donos de WRX que torçam para que esse CVT não desgaste no track day.

5 - Renault Mégane (2007-2011) – Renault Fluence (2011-2018)

O Renault Mégane era mais equilibrado que seu sucessor, o Fluence, entre os carros que saíram de linha
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O Renault Mégane era mais equilibrado que seu sucessor, o Fluence, entre os carros que saíram de linha

Mesmo que o brasileiro não tenha adotado a cultura dos carros franceses, os mais íntimos ao volante comprovam a qualidade, o prazer, a funcionalidade e a eficiência dos modelos que melhor representam a identidade desses veículos. Um dos casos em que isso acontece, é com a decisão de trocar o Renault Mégane — um carro super equilibrado, bem acabado e com design harmônico que marcou época — para o Fluence, menos prático e com menor responsividade ao volante, que deixava a desejar em acabamento quando comparado ao antecessor e com linhas que não transpiram personalidade.

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Os mais críticos podem até dizer que melhorou — ligeiramente — em todos os quesitos de desempenho, consumo e espaço interno, mas quando falamos de um modelo que sucedeu o outro, espera-se que ele será melhor em tudo, e não parcialmente. Por que não melhorar — ou pelo menos manter — os atributos que já eram bons na geração mais antiga? Regresso é sinal de fraqueza, e os números de venda do sedã mais que comprovaram isso entre os carros que saíram de linha .

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