BMW M1
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BMW M1 recordista não se encontra mais em seus dias de glória. Entretanto, sua nova família dará o cuidado que merece

Este BMW M1 é a prova de que até os mais gloriosos podem ter um destino não tão digno. O lado bom é que, agora, o seu retorno pode carregar novas esperanças. Arrematado no leilão britânico Coys na Alemanha por € 160.000 (ou quase R$ 700.000 em conversão direta) o supercarro — que, em 1981, bateu o recorde de velocidade (301,4 km/h) entre os carros movidos a gás liquefeito de petróleo (GLP) — foi leiloado como estava: sujo, com marcas do tempo e com o motor parcialmente desmontado.

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Este exemplar pertenceu ao ex piloto de Fórmula 1 Harald Ertl , que se destacou na categoria durante os anos 70, e nas provas de velocidade na década de 80. E isso é uma deixa para explicar a origem do BMW M1. Harald comprou o carro praticamente zero-quilômetro de seu primeiro dono em 1979, e em 1981, iniciou a sua busca por patrocinadores para ajudá-lo a modificar o carro.

Um dos primeiros foi a British Petroleum, mais conhecida como BP, que na época estava procurando formas de divulgar seu novo produto, o Autogas — nome comercial para o GLP (gás liquefeito de petróleo) pensado para o automobilismo — além de sua vertente para uso doméstico em fogões, aquecedores e outros.

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A BP acabou financiando boa parte do projeto de Ertl, que levou o BMW M1 para uma oficina alemã chamada Gustav Hoecker Sportwagen-Service GmbH. Lá, o carro recebeu dois turbocompressores KKK K26 e outras modificações — o bastante para que passasse a desenvolver cerca de 410 cv, números impressionantes para a época, uma vez que os Fórmula 1 de sua época produziam ao redor de 480 cv.

A carroceria também foi redesenhada, com uma porção traseira especial, mais comprida, além de três enormes dutos — dois nas laterais, para aumentar o fluxo de ar no cofre do motor, e outro no lugar do vigia traseiro. A ideia era aumentar a eficiência aerodinâmica, que se somava também ao bico feito sob medida, mais longo e baixo, e o spoiler traseiro integrado à tampa do motor.

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Como veio a terminar desse jeito?

BMW M1
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Motor precisa de manutenção preventiva, pois mesmo que volte a funcionar com pouca restauração, poderá quebrar

Com a morte do piloto em 7 de abril de 1982, em um acidente de avião, o M1 trocou de dono diversas vezes entre 1984 e 1993, passando pela Alemanha, Holanda, Japão e Reino Unido. No seu último paradeiro, foi comprado pelo o britânico descendente de indianos Pummy Bhatia, que morando com a mulher e o filho em um apartamento, não tinha onde guardar mais um carro. Com isso, ficou estacionado na rua, mas ainda era mantido em boas condições, com vezes em que saía para dar uma volta, para manter a integridade da mecânica.

Infelizmente, faleceu em 1995, deixando o BMW à sua esposa e ao seu filho, que tinha apenas três anos de idade na época. Com quase nenhum cuidado adequado, ficou do jeito que estava desde aquela época até o leilão. Dizem que foram feitos outros dois M1 com especificações semelhantes ao exemplar de 1979, sendo que um deles foi destruído há mais de três décadas, e o paradeiro do outro é desconhecido.

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