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Mais do que saber se perua esportiva se sai melhor que magrela ou não, o importante é levantar a questão da mobilidade urbana nas grandes cidades

Bicicleta elétrica e a Audi RS4
Cauê Lira/iG Carros
Audi RS4 Avant parada no congestionamento ao lado da bicicleta elétrica na ciclovia, com caminho livre pela frente

Estamos chegando na metade de 2019 e não é de hoje que o debate sobre mobilidade vem se tornado cada vez mais importante. Ainda mais quando o cenário de fundo é uma cidade caótica como São Paulo, com 8,4 milhões de veículos de acordo com o levantamento do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). No meio do caos, eis que aparece um Audi RS4 e uma bike elétrica.

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 Há seis anos, a prefeitura começou a expandir as ciclovias na capital paulista e, até dezembro último, a cidade já atingiu 468 km, tornando-se a maior da América Latina e superando Paris (394 km) e Amsterdã (394).  Não é à toa que muita gente mudou de hábitos e trocou o carro (não precisa ser um Audi RS4 ) pela bicicleta para se locomover no dia a dia.

Pois bem, como ironia do destino, depois ter suportado horas e horas de congestionamento no trajeto casa-trabalho e vice-versa (em média, o paulistano gasta 2h46 diariamente no trânsito), eis que toca o telefone e recebo dois convites, quase ao mesmo tempo: primeiro, uma bicicleta elétrica para testar. Minutos depois, me oferecem para avaliar a perua superesportiva Audi RS4. Foi quando pensei em uma pauta com as duas, cujo resumo você confere no vídeo abaixo.

 Não deu outra, bastou trocar algumas ideias com o repórter Caue Lira e com o estagiário Guilherme Menezes para, no dia e horário marcados, estarmos com a bike no porta-malas da RS4, de 505 litros, mas que pode chegar a 1.505 l com os encostos do banco traseiro rebatidos. Nossa missão era apenas fomentar o debate sobre mobilidade urbana usando dois veículos emblemáticos, com ajuda de fotos e vídeo.

Pedalando a bike e acelerando o RS4

Audi RS4  e a bicicleta elétrica
Cauê Lira/iG Carros
Audi RS4 Avant é para acelerar na pista e curtir o prazer de dirigir e a bike mostra ser prática no dia a dia

 Tanto de bicicleta elétrica (modelo Vela1, no caso da unidade avaliada, com preço sugerido de R$ 5.890), quanto de Audi RS4 (de 450 cv e que custa R$ 546.990) você vai sofrer com o piso mal conservado de boa parte das vias de São Paulo. Na magrela, o pula pula acaba cansando depois de um tempo. E apesar do conforto ao volante do RS4 ser bem maior, existe o sério risco de danificar os pneus de perfil ultrabaixo (275/30R 19), lembrando que não há estepe, apenas selante.

Com novo motor V6 biturbo, de 450 cv e brutais 61,2 kgfm a meros 1.900 rpm, a RS4 parece uma fera enjaulada no trânsito de São Paulo. O carro pode acelerar de 0 a 100 km/h em 4,1 segundos e atingir 280 km/h, mas na maior parte do tempo o jeito é ter que manter a compostura no anda e para dos engarafamentos.

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Na bike elétrica, o máximo de velocidade é 25 km/h, mas você não vai ficar parado. Acionar o freio é algo que fará apenas por alguns instantes, para atravessar a rua, ou algo do gênero. Em trechos íngrimes, não é preciso esforço, uma vez que o motor elétrico ajuda bastante. E no final do dia, você não gastará nenhum centavo de combustível, além de ter ganhado um pouco mais de saúde.


Claro que o habitat natural da Audi RS4 é uma pista de corrida, ou uma uma estrada livre para acelerar, como as Autobahns alemãs, com trechos sem limite de velocidade. A perua é para nenhum entusiasta de superesportivos achar defeito, com estrutura leve e rígida, tração integral controlada eletronicamente, entre outros itens que contribuem com o comportamento dinâmico exemplar. Além disso, o carro tem sofisticação extrema, com multimídia de última geração, som de alta-fidelidade e uma série de outros itens.

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Na bicicleta, dá para pedalar com caminho livre o tempo todo, sem a sensação de estar enclausurado ao volante, sentindo que o mundo lá fora não te pertece. Protegido apenas pelo capacete e pelo colete reflexivo, você interage com as pessoas e torna a viagem um pouco mais interessante. Na bike, os únicos botões são os que acionam o farol e a lanterna (opcionais), além do que controla o nível de velocidade.

Numa época em que o preço da gasolina apenas nas refinarias, em março, aumentou 8,6%, atingindo atualmente uma média de R$ 4,76 o litro, ante R$ 4,29 há um ano, é tentador andar de bicicleta elétrica em cidades com trânsito pesado como o de São Paulo.  Mas será que abrir mão do carro vai se tornar algo constante no Brasil?


 De qualquer forma, o fato de termos colocado uma reluzente Audi RS4 ao lado de uma bela bicicleta elétrica Vela 1 teve como intenção somente mostrar os principais prós e contras de cada uma e chamar atenção para o tema mobilidade urbana no século 21, algo que não apenas o público, mas as fabricantes terão debater bastante para se adaptarem à nova realidade das ruas.

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Conforme  pesquisa feita pela empresa Tom Tom  (aquela dos navegadores GPS), entre as cidades brasileiras, São Paulo caiu bastante no ranking dos maiores índices de congestionamento, ocupando apenas o 71° lugar no mundo, mas ainda há muito a avançar. No Brasil, porém, Rio de Janeiro está em 8°, atrás apenas de Chengdu (China), Istanbul (Turquia), Bucareste (Romênia), Chongquing (China), Jacarta (Indonésia), Bangkok (Tailândia) e Cidade do México. Com ou sem Audi RS4 e bike elétrica, vale os paradimas quando o assunto é trânsito terão que mudar daqui para frente.

Motor: 2.9, turbo, gasolina
Potência: 450 cv a 5.700 rpm
Torque: 61,2 kgfm a 1.900
Transmissão: automática, oito marchas
Suspensão: Double Wishbone (dianteira), multibraço (traseira)
Freios: discos ventilados (dianteira), sólidos (traseira)
Porta-malas: 505 litros
Tanque: 58 litros
Consumo: 7,1 km/l (cidade), 9,2 km/l (estrada)
0 a 100 km/h: 4,1 segundos
Vel. Máx: 280 km/h