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Clássico ficou escondido em celeiro por 40 anos e nunca foi restaurado. Veja como foi encontrada a raridade após tantas décadas desaparecida

Ford Mustang Bullitt 1968 arrow-options
Reprodução/Consumption
O Ford Mustang Bullitt 1968 sobreviveu durante todo esse tempo sem qualquer restauração

O Ford Mustang que foi dirigido por Steve McQueen, no filme Bullitt, de 1968, será leiloado na Flórida, nos Estados Unidos. Trata-se de uma das duas unidades feitas exclusivamente para a filmagens, e a única que continua inteira. O outro carro foi danificado durante a emblemática cena de perseguição e enviado diretamente para o ferro velho.

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De acordo com os organizadores do leilão, o carro foi vendido pouco depois que as filmagens de Bullitt terminaram. Por 40 anos, o modelo ficou desaparecido e muitos acreditavam que havia sido destruído. Em uma grande ação da Ford no Salão de Detroit 2018 para celebrar o aniversário de 50 anos do filme de McQueen, o Mustang Bullitt voltou a aparecer ao público em suas condições originais.

Seu último proprietário, Sean Kiernan, herdou o Mustang Bullitt do pai e deverá ganhar alguns milhões de dólares com o leilão. O valor inicial ainda não foi revelado, mas estima-se que o esportivo deverá ser um dos modelos Ford mais caros da história.

Uma estimativa da casa de leilões Hagerty em 2018 indicava que o modelo custaria algo na faixa dos US$ 4 milhões (R$ 16 milhões), mas especialistas afirmam que o modelo poderá ser arrematado por mais. Antes do início do leilão em janeiro, o Mustang Bullitt será exibido em diversos eventos automotivos nos Estados Unidos.

Nasce a lenda

O filme "Bullitt" estreou no inverno de 1968, protagonizado por McQueen e dirigido por Peter Yates. A iniciativa de prolongar o tempo das cenas de perseguição partiu do próprio protagonista, para intensificar o ritmo do thriller policia. A tomada que entrou para a história mostra McQueen a bordo do Ford Mustang Bullitt enquanto foge do assassino num Dodge Charger R/T. Bullitt foi um sucesso de bilheteria, e ainda conseguiu levar o Oscar de Melhor Edição de 1969, graças à cena da perseguição.

O modelo que sobreviveu às filmagens continuou aos cuidados da Warner Bros após a estreia de Bullitt. Pouco tempo depois do lançamento do filme, o Mustang desapareceu. Seu último registro ocorreu quando foi comprado por algum funcionário envolvido na produção, em meados de 1974, e logo em seguida, ninguém ouviu falar mais dele. O Mustang Bullitt virou uma lenda, e alguns especialistas chegaram a duvidar que o modelo ainda existia.

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Passaram-se décadas até que este tesouro fosse reencontrado e a sua história viesse à tona. O entusiasta Robert Kiernan Jr. comprou o carro após se surpreender com um anúncio na revista Road & Track na metade da década de 1970. O Bullitt saiu de cena, e ficou escondido com a família Kiernan durante 40 anos.

Certo dia, alguém arrombou os portões do celeiro em que o carro ficava guardado, roubou o filtro de ar e tirou fotos. “Tivemos que escondê-lo! Não queríamos que nada acontecesse com este carro. Apenas amigos e parentes muito próximos sabiam da existência dele”, diz Sean Kiernan. “Fizemos pelo bem do Bullitt do meu velho. Mas por muito tempo, fomos julgados como egoístas e arrogantes.”

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O esportivo não passou por qualquer restauração ao longo de todos esses anos escondido em um celeiro. “Este carro é mais que um clássico. É um patrimônio cultural”, disse Mark Gessler, presidente da Associação de Carros Históricos dos Estados Unidos.

Por onde anda o outro Bullit?

Como mencionamos, o outro Mustang Bullitt utilizado nas filmagens não sobreviveu ao uso extremo. Ele foi avariado durante as famosas cenas dos saltos em São Francisco e acabou perdendo seu valor. Em 2017, foi encontrado em um ferro velho no México. Apesar de não ser tão valioso quanto o modelo que será leiloado em janeiro, seu preço de mercado continua na faixa de US$ 1 milhão (R$ 4,2 milhões).