Falta de peças é hoje o principal fator que pode levar à paralização da produção de carros no Brasil
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Falta de peças é hoje o principal fator que pode levar à paralização da produção de carros no Brasil


As medidas de restrição por parte dos governos municipais e estaduais por conta do aumento no número de casos e vítimas fatais por Covid-19 no Brasil preocupam menos a indústria automobilística atualmente do que o gargalo logístico e de produção desencadeado pela pandemia do novo coronavírus. É o que aponta a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que divulgou nesta sexta-feira (5) os números do setor no mês de fevereiro.


Segundo a Anfavea , a indústria automobilística fechou fevereiro com 197 mil automóveis de passeio produzidos. Queda de 1,3% na comparação com janeiro, quando foram fabricados 199,7 mil carros no Brasil. Pior resultado desde julho de 2020 e pior fevereiro desde 2016.

Apesar dessa variação negativa na produção, o nível de estoque de carros novos se manteve no equivalente a 18 dias de vendas. Desse total. 15 dias de estoques estão nos pátios dos fabricantes e 3 dias nas concessionárias.

Apesar dessa aparente estabilidade, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, destaca que o cenário para os próximos meses ainda é de incerteza. "Hoje nos temos protocolos muito bem estabelecidos, com mudanças nos transportes, refeitórios, medição de temperatura e produção em dois ou mais turnos. Posso afirmar que há menos riscos dentro das fábricas do que em outros lugares. O risco maior é de parada por falta de peças".

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Além dos semicondutores necessários para a produção dos sistemas computadorizados, hoje existe o risco de desabastecimento de matérias-primas básicas como aços e resinas para a produção de peças plásticas. Com uma menor oferta de insumos, aumentaram também os custos de aquisição, que se somaram à elevação nos fretes marítimo e aéreo nos últimos meses.

Um levantamento realizado pela Anfavea aponta que só o aço plano laminado a quente ficou 61% mais caro em relação ao preço praticado em janeiro de 2020, enquanto as resinas e elastômeros fecharam dezembro de 2020 com uma majoração de 68% nos preços em relação ao mesmo mês de 2019.

Já o frete marítimo teve uma alta de 339% na comparação com os meses anteriores à pandemia, enquanto o frete aéreo encareceu 105% no mesmo período.

"A pandemia trouxe uma desorganização nos preços, embora a logística das montadoras tenha feito um trabalho brilhante tentando mitigar esses efeitos. Mas juntando os problemas conjunturais, isso dificulta ainda mais a recuperação", completou Moraes.

O presidente da Anfavea reforçou ainda a necessidade de mudanças no sistema tributário que ajudem a tornar mais saudável o ambiente para a indústria automobilística no País.

"A indústria automobilística traz inovação para o país. Eu vejo espaço. Mas o Custo Brasil está lá. E quanto mais cedo retirarmos as carcaças [se referindo aos problemas estruturais do Brasil], mais projetos temos chance de trazer. Defendemos a viabilidade junto às matrizes, mas precisamos ter credibilidade", finaliza.

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