
O Mitsubishi ASX encerrou a trajetória no Brasil no fim de 2021, após 11 anos de mercado e mais de 73 mil emplacamentos no período.
O utilitário esportivo, que começou importado do Japão em 2010, passou a ser fabricado em Catalão, em Goiás, em 2013 e teve três reestilizações antes de deixar a linha para abrir espaço ao Outlander Sport.
A saída do ASX foi confirmada pela HPE Automotores, representante da Mitsubishi no Brasil, que passou a posicionar o Outlander Sport como sucessor direto na gama local.
Com isso, o ASX terminou a vida comercial com oferta mais enxuta e foco em custo, enquanto o “substituto” assumiu o papel de entrada entre os SUVs fabricados em Catalão.
Nesta reportagem, o Portal iG Carros revisita a trajetória da ASX na série “Geração sobre rodas”, da estreia que inaugurou a planta paulista às atualizações de segurança e ao fim do ciclo industrial.
Estreia importada e primeiras versões (2010–2013)

O ASX desembarcou no Brasil em 2010 ainda importado do Japão, com motor 2.0 a gasolina e duas propostas bem definidas: uma opção com tração dianteira e câmbio manual e outra com tração integral e transmissão automática CVT.
Na época, os preços partiam de R$ 81.990, e a configuração 4x4 custava R$ 86.990, segundo levantamentos da imprensa especializada.
Na prática, a estratégia mirava consumidores que queriam um SUV médio-compacto acima do padrão de utilitários urbanos, mas sem chegar ao patamar (e ao custo) de modelos maiores da marca.
Nessa fase inicial, o ASX se apoiou no conjunto mecânico simples e na proposta de robustez para ganhar espaço em um segmento que ainda se consolidava no país.
Os emplacamentos dispararam logo no início da década: 2011 e 2012 registraram volumes acima de 10 mil unidades por ano e consolidou o ASX como um dos pilares da Mitsubishi por aqui.
Nacionalização em Goiás e “tropicalização”(2013–2017)

A virada do projeto no Brasil ocorreu em 2013, quando o ASX passou a ser produzido em Catalão, em Goiás, já como linha 2014.
A mudança veio acompanhada de ajustes de engenharia para o uso local, especialmente em suspensão, e de um retoque visual com para-choque redesenhado e novas rodas.
Na época da nacionalização, a Mitsubishi passou a anunciar preços a partir de R$ 83.490 na versão de entrada com câmbio manual, mantendo o motor 2.0 de 160 cv.
O pacote de equipamentos também chamava atenção para o período, com oferta de itens de segurança e conveniência em versões mais completas.
Em 2016, a linha 2017 trouxe a segunda reestilização, marcada pela adoção de elementos que desenhavam um “X” na dianteira.
O facelift mudou a leitura do carro na rua, mas manteve a base do projeto, uma característica recorrente do ASX no Brasil: atualizações concentradas em desenho e conteúdo, sem troca estrutural de plataforma.
Motor flex, última reestilização e fim da linha (2018–2021)

O salto técnico mais relevante veio com a linha 2018, quando o ASX adotou o motor 2.0 flex, com potência de até 170 cv no etanol e manteve o câmbio CVT.
A mudança respondeu ao padrão brasileiro de motorização e permitiu reposicionar o SUV em um mercado já dominado por opções flex em diferentes faixas de preço.
A última atualização estética apareceu na linha 2019, apresentada no Salão do Automóvel de São Paulo de 2018: o ASX ganhou mudanças no para-choque, acabamento tipo colmeia na grade inferior e luzes de rodagem diurna (DRL).
A traseira também recebeu novo para-choque e detalhes que buscaram modernizar um desenho já conhecido do público.
A despedida foi oficializada em novembro de 2021. A HPE afirmou, em nota, que “o Outlander Sport é considerado uma evolução natural do ASX”e informou que o novo modelo seguiria em produção na fábrica de Catalão.
No balanço de vendas, 2014 foi o pico, com 12.149 unidades, enquanto 2020 marcou o fundo do poço, com 1.160 emplacamentos, em um período marcado pela perda de espaço e redução da gama.
Legado
Mesmo com uma única geração efetiva no Brasil, o ASX ficou marcado por três ciclos claros: a fase importada, a nacionalização com ajustes para as ruas brasileiras e a reta final com motor flex e atualizações visuais.
Ao sair de cena, deixou como herança um projeto que, com mudanças pontuais, serviu de base para o Outlander Sport (que saiu de linha em 2022 por não atender às novas normas de emissão Proconve L7) e ajudou a sustentar a operação industrial da marca em Goiás.