
Os carros estão cada vez mais equipados, conectados e cheios de tecnologia. Mas, junto com avanços importantes em segurança e eficiência, também surgiram itens de série que pouco agregam ao uso rea l e acabam existindo mais para preencher a ficha técnica do que para facilitar a vida do motorista.
Alguns desses recursos são redundantes, outros mal resolvidos, e há ainda aqueles que simplesmente não fazem sentido para a proposta do carro ou para a realidade do mercado brasileiro.
Rack de teto apenas estético
Muito comum em SUVs compactos, o rack de teto virou acessório visual. Em vários modelos, ele não suporta carga relevante ou exige acessórios caros para qualquer uso prático. O resultado é um item que transmite uma falsa sensação de versatilidade, mas quase nunca é usado de verdade.

SUVs e picapes 4x4 sem pneus adequados
Um contrassenso cada vez mais frequente. Há veículos com tração 4x4, modos off-road e eletrônica sofisticada que saem de fábrica calçados apenas com pneus de uso urbano. O carro até tem recursos para sair do asfalto, mas falta o básico para isso.
Sensor de estacionamento em carros cheios de câmeras
Sensores continuam úteis em carros simples. Em modelos com câmera de ré, visão 360 ou até sistemas mais avançados, tornam-se redundantes. O excesso de alertas sonoros costuma mais atrapalhar do que ajudar em manobras comuns.
Controles por gestos
Apresentados como inovação, os controles por gestos raramente viram hábito. São pouco intuitivos, falham no reconhecimento e exigem aprendizado. No uso real, um botão físico ou um comando direto na tela costuma ser mais rápido e confiável.
Comandos por voz que não funcionam como prometido
Apesar dos avanços, os comandos por voz ainda frustram muitos motoristas. Falhas de entendimento, respostas imprecisas e limitações de linguagem fazem com que o recurso seja abandonado rapidamente no dia a dia.
Aviso de distração em carros que concentram tudo na tela
Há uma ironia evidente em carros que eliminam botões físicos, concentram quase todas as funções na multimídia e depois alertam o motorista por distração. A interface exige atenção constante e acaba acusando o efeito do próprio projeto.
Botão para desligar controle de tração em carros comuns
Em esportivos e off-roaders, faz sentido. Em carros urbanos sem proposta esportiva, o comando raramente é utilizado. Para a maioria dos motoristas, o controle de tração fica ligado do primeiro ao último dia de uso.
Chaves pouco práticas
Chaves em formato de cartão que precisam ser colocadas em um local específico para o carro ligar, ou sistemas presenciais que exigem tocar a maçaneta para destravar, não são necessariamente mais práticos. São diferentes, mas não melhores.
Serviços pagos por assinatura
Funções já presentes no carro passarem a depender de mensalidade é um dos pontos que mais geram rejeição. A sensação de pagar duas vezes pelo mesmo produto pesa negativamente na experiência do consumidor.
Botões touch no volante
Botões sensíveis ao toque no volante parecem modernos, mas falham em ergonomia. Toques acidentais, falta de precisão e a necessidade de olhar para acertar o comando tornam a experiência pior do que com botões físicos.
Por que essa reclamação não é isolada
A percepção de que há tecnologia demais e utilidade de menos não é exclusividade de um mercado. A pesquisa J.D. Power Tech Experience Index Study 2024, a mais recente sobre o tema, ouviu mais de 80 mil proprietários de carros novos ao redor do mundo e mostrou que recursos pouco intuitivos, de baixo uso real e com curva de aprendizado desnecessária reduzem a satisfação geral com o veículo.
Entre os itens mais criticados pelos consumidores aparecem justamente interfaces sem botões físicos, controles por gestos, serviços por assinatura e sistemas redundantes, reforçando que o incômodo com esses recursos é uma percepção global.