BYD Qin Plus DM-i
Divulgação/BYD
BYD Qin Plus DM-i

A BYD criou uma nova submarca, batizada de Linghui, para reunir veículos já conhecidos que passarão a operar fora do portfólio principal, focados em frotas e transporte por aplicativo, segundo imprensa chinesa.

O reposicionamento, revelado em registros oficiais na China, sinaliza uma separação deliberada entre volume e prestígio no maior mercado automotivo do mundo.

Segundo apuração do Business Times, os documentos divulgados pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China mostram que modelos populares da BYD ganharão novos nomes sob a marca Linghui, sem mudanças estruturais relevantes. Esse é um claro indício de estratégia comercial, não de produto.

Quais carros vão para a Linghui

A nova marca estreia com três frentes claras, todas ligadas a uso intensivo:

  • Linghui e5: versão rebatizada do Qin Plus, sedã elétrico amplamente usado por motoristas de aplicativo.
  • Linghui M9: derivação da van híbrida Xia DM-i, voltada a transporte corporativo e frotas.
  • Linghui e9: adaptação do Han, sedã de porte maior que, fora da vitrine principal, passa a atender contratos e operações de alto giro.

O detalhe que chama atenção é o timing. A separação ocorre num momento em que a BYD cresce em vendas, mas vê sua linha de maior margem acelerar com mais força do que os modelos de entrada e uso intensivo.

Em 2025, as vendas totais da montadora avançaram 7,7%, enquanto segmentos mais caros tiveram saltos muito superiores.

Isolar veículos associados a aplicativos, geralmente submetidos a maior desgaste e ciclos curtos de renovação, reduz o risco de erosão de imagem da marca principal justamente quando a empresa tenta consolidar uma percepção mais premium, dentro e fora da China.

Estratégia sem anúncio

Não houve evento, campanha ou comunicado formal. A Linghui apareceu primeiro em registros regulatórios, prática comum quando montadoras testam reposicionamentos antes de torná-los públicos.

Na prática, a BYD cria um “endereço próprio” para carros que geram escala, mas pouco glamour.

Publicações especializadas chinesas apontam que a Linghui deve funcionar como um repositório permanente para modelos consolidados que migram para contratos de frota e plataformas de mobilidade.

Isso mantém a marca BYD livre para disputar o topo do mercado com produtos de maior valor agregado.

O pano de fundo do setor

A decisão da BYD ocorre em meio a uma reorganização mais ampla do mercado chinês.

Montadoras locais e estrangeiras disputam espaço em segmentos familiares e premium, enquanto o transporte por aplicativo segue como um dos maiores canais de volume para veículos elétricos.

Ao separar esses mundos, a BYD deixa um recado claro ao mercado: crescer em escala não precisa significar diluir prestígio.

Se a Linghui ganhar tração, a manobra pode virar referência, e pressão competitiva, para rivais que ainda misturam carros de vitrine com carros de trabalho sob o mesmo emblema.

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