Ferramentas de inteligência artificial já influenciam decisões relevantes na compra de carros, deslocando parte do processo de escolha do consumidor para sistemas automatizados.
Quem aponta isso é um novo estudo que mostra como compradores passaram a usar IA para comparar veículos, filtrar anúncios e definir opções antes mesmo do contato presencial.
A tendência cresce junto com o aumento da oferta de modelos e preços e levanta questionamentos sobre dependência tecnológica, transparência dos critérios e impacto nas decisões finais do consumidor.
Um a cada quatro usam IA
Escolher um carro sempre envolveu pesquisa, comparação e algum grau de incerteza. O que muda agora é quem faz essa triagem inicial.
De acordo com o Relatório de Insights do Consumidor de 2025, divulgado pela CarGurus, 26% dos compradores já recorrem à IA para orientar decisões na compra de veículos.
Em vez de analisar manualmente opções, parte do público passou a confiar essa etapa a sistemas automatizados.
A IA é usada principalmente para comparar modelos, selecionar anúncios considerados relevantes e resumir avaliações de carros e concessionárias.
Na prática, algoritmos passam a definir quais opções entram, e quais ficam fora, do radar do consumidor.
O estudo mostra que 80% dos entrevistados se dizem abertos ao uso de IA, um dado que chama atenção por envolver decisões de alto valor financeiro.
O movimento ocorre em paralelo à perda de fidelidade às marcas: consumidores analisam mais opções ao mesmo tempo, visitam mais concessionárias e trocam de fabricante com maior facilidade.
Essa combinação, excesso de escolha e delegação a algoritmos, altera o equilíbrio tradicional da decisão de compra.
A tecnologia ajuda a reduzir tempo e esforço, mas também concentra poder nos critérios definidos pelas plataformas.
Apesar do avanço digital, o contato presencial ainda não desapareceu. A maioria dos compradores afirma preferir ver o carro pessoalmente antes de fechar negócio, especialmente para test drive e negociação. O que muda é que a decisão chega parcialmente tomada.
Cenário deve ser replicado em todo o mundo
O levantamento foi realizado com compradores e vendedores recentes nos Estados Unidos, mercado que costuma antecipar movimentos de consumo no setor automotivo mundial.
A leitura do estudo sugere que a influência da IA tende a crescer à medida que ferramentas semelhantes se popularizam em outros países.
Para Alison Ciummei, vice-presidente de Marketing de Produto e Insights do Cliente da CarGurus, os consumidores usam recursos digitais para se sentirem mais preparados antes da ida à concessionária.
O dado central do relatório, porém, é outro: a fronteira entre apoio à decisão e dependência tecnológica começa a se estreitar.
Com algoritmos assumindo parte do processo de escolha, o desafio passa a ser entender quem define os critérios, quais interesses estão embutidos nas recomendações e como isso afeta o consumidor final.
Por exemplo: o fundador e CEO da Tesla, Elon Musk, é um dos sócios da OpenIA, empresa responsável pelo ChatGPT, a IA mais famosa no mundo.