
O setor automotivo brasileiro iniciou 2026 em compasso de espera. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que, apesar da estabilidade nas vendas internas, a indústria sentiu o impacto da queda na produção e nas exportações no primeiro mês do ano.
Em janeiro, foram 170,5 mil veículos emplacados, volume praticamente estável na comparação com o mesmo mês de 2025 (-0,4%), mesmo com um dia útil a menos no calendário. O desempenho foi sustentado principalmente por automóveis e comerciais leves, que evitaram um início de ano mais fraco para o setor.
Produção cai com base de comparação elevada
A produção total de autoveículos somou 159,6 mil unidades em janeiro, uma retração de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a Anfavea, parte dessa queda é explicada por uma base de comparação atipicamente alta em janeiro de 2025, que registrou o maior volume para o mês nos últimos seis anos.
Ainda assim, o recuo evidencia um início de ano mais cauteloso para as montadoras, especialmente diante do cenário externo menos favorável.
Exportações recuam e Argentina pesa no resultado
O mercado externo foi o principal ponto de atenção no balanço de janeiro. As exportações de veículos caíram 18,3% na comparação anual, puxadas principalmente pela redução de 5% nos embarques para a Argentina, principal destino da produção brasileira.
A desaceleração da demanda no país vizinho impacta diretamente a indústria nacional, que historicamente depende do Mercosul para manter o ritmo das fábricas. A Anfavea afirma que acompanha de perto a evolução do mercado argentino para preservar a integração produtiva entre os dois países.
Eletrificados atingem recorde de participação
Mesmo com o cenário desafiador, a eletrificação seguiu avançando. Os veículos eletrificados responderam por 16,8% dos emplacamentos em janeiro, o maior percentual da série histórica.
Um dado relevante é que 35% desses modelos são híbridos produzidos no Brasil, também um recorde. O movimento, segundo a Anfavea, reforça a importância da produção local na transição tecnológica e sinaliza um crescimento consistente desse segmento ao longo de 2026.
Carro Sustentável mantém fôlego do mercado interno
Outro fator que ajudou a sustentar os emplacamentos foi o desempenho dos modelos enquadrados no programa Carro Sustentável. Desde o lançamento da iniciativa, 282 mil veículos já foram comercializados, volume 22,8% superior ao registrado antes da isenção do IPI.
A política segue em vigor até o fim de 2026 e tem papel central na manutenção da demanda por carros de entrada, especialmente em um ambiente de crédito ainda seletivo.