
A Stellantis está revisando seus planos de transição energética na Europa e avalia manter por mais tempo a produção de veículos a diesel, contrariando parte da estratégia anterior de eletrificação acelerada. A informação foi publicada pela Automotive News Europe e reflete uma mudança de postura diante da demanda ainda consistente por motores a combustão e das incertezas regulatórias no continente.
Segundo a publicação, executivos do grupo reconhecem que o ritmo de adoção dos veículos elétricos ficou abaixo do esperado em alguns mercados europeus, o que levou a empresa a reconsiderar o cronograma de descontinuação dos motores térmicos, especialmente os a diesel.
Diesel ainda tem espaço na Europa
Apesar das metas ambientais cada vez mais rígidas da União Europeia, o diesel segue relevante em diversos países do bloco, sobretudo em segmentos como SUVs e veículos comerciais leves. A combinação de eficiência energética, autonomia elevada e infraestrutura consolidada mantém o motor a diesel competitivo, especialmente para frotistas e motoristas que percorrem longas distâncias.
A Stellantis, que reúne marcas como Peugeot, Citroën, Opel, Fiat e Jeep na Europa, vinha reduzindo gradualmente sua oferta de modelos a diesel em favor de versões híbridas e elétricas. No entanto, a desaceleração nas vendas de elétricos e a resistência de parte do público têm levado o grupo a ajustar o planejamento industrial.

O movimento ocorre em um momento de forte pressão sobre as montadoras europeias. Além da necessidade de cumprir metas de emissões de CO₂ cada vez mais restritivas, as fabricantes enfrentam custos elevados de desenvolvimento de elétricos, concorrência crescente de marcas chinesas e incertezas quanto aos incentivos governamentais.
A Stellantis já havia sinalizado recentemente que poderia rever investimentos e prazos de eletrificação em função do cenário de mercado. A eventual manutenção do diesel por mais tempo não significa abandono da estratégia elétrica, mas sim uma adequação ao ritmo real de transição.
A União Europeia prevê o fim da venda de carros novos com motores a combustão a partir de 2035, embora haja discussões sobre exceções para combustíveis sintéticos. Até lá, as montadoras precisam equilibrar investimentos entre tecnologias tradicionais e novas plataformas elétricas.