
O Omoda 4 foi apresentado globalmente em Wuhu, na China, em um evento acompanhado pelo iG a convite da Omoda & Jaecoo. O novo SUV chega com papel estratégico na expansão da marca e é tratado como um dos produtos centrais da operação brasileira para os próximos meses.
Em coletiva com a imprensa brasileira durante o evento, Roger Corassa, vice-presidente executivo da Omoda & Jaecoo Brasil, afirmou que a programação atual prevê a chegada do modelo ao mercado brasileiro no último trimestre deste ano. Segundo o executivo, a expectativa é de um impacto positivo, principalmente entre consumidores mais jovens, dinâmicos e ligados em tecnologia.
É um carro que a gente tem uma grande expectativa, obviamente um carro incrível, com design fantástico, totalmente diferenciado. Acho que vai ser um impacto muito positivo no mercado, principalmente pelo que a gente viu aqui: público jovem, público dinâmico, o público tech mesmo. Roger Corassa, vice-presidente executivo da Omoda & Jaecoo Brasil
SUV nasce com missão de ganhar volume
O Omoda 4 não foi apresentado como um produto de nicho. A leitura passada pela marca em Wuhu é a de um carro pensado para disputar volume e ampliar a presença da empresa em uma faixa mais central do mercado.
Na mesma coletiva, Roger Corassa disse que a ambição comercial da operação brasileira cresceu nos últimos meses. Segundo ele, a meta inicial girava em torno de 35 mil carros, depois passou para 50 mil unidades e hoje a companhia já trabalha com ambição ainda maior, impulsionada também pela oportunidade de antecipar importações antes da elevação do imposto prevista para junho.
“Eu ficaria extremamente feliz se a gente conseguisse chegar nesse número, a gente ter agora uma grande possibilidade de antecipar volumes também pela questão dos impostos que a gente vai ter um aumento agora em junho.”
Dentro desse contexto, o Omoda 4 aparece como um dos modelos mais importantes da ofensiva local.
Visual mira público jovem e urbano
No lançamento global, a marca reforçou o Omoda 4 como um SUV voltado a um público jovem, urbano e conectado. Esse posicionamento aparece no próprio desenho do carro, com dianteira de linguagem mais agressiva, iluminação dividida, linhas marcadas e uma proposta visual claramente voltada a gerar impacto.
A lateral segue a mesma lógica, com superfícies esculpidas e proporções que tentam passar mais presença do que a de um utilitário de entrada convencional. Na traseira, spoilers, elementos escurecidos e volumes mais elaborados completam o conjunto.
A proposta da Omoda & Jaecoo é usar o design como uma das principais ferramentas de diferenciação do produto em um segmento em que aparência e percepção de modernidade têm peso cada vez maior.
Versão Ultra adiciona apelo esportivo
Uma das novidades confirmadas no evento foi a existência de uma versão Ultra, tratada pela marca como a configuração mais esportiva do projeto. Na apresentação, a Omoda destacou um Performance Package com itens específicos, como asa traseira e botão de desempenho no interior.
Os dados técnicos exibidos no palco mostram que o Omoda 4 Ultra usa o sistema SHS, o Super Hybrid System, e acelera de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos, com velocidade máxima de 179 km/h. A motorização combina um motor a combustão de 143 PS, equivalentes a cerca de 141 cv, com um motor elétrico de 204 PS, ou aproximadamente 201 cv. O torque informado foi de 215 Nm, equivalentes a cerca de 21,9 kgfm, para o motor térmico, e 310 Nm, ou aproximadamente 31,6 kgfm, para o motor elétrico.

Até o momento, a versão Ultra não foi confirmada para o Brasil. Roger Corassa afirmou que não há decisão fechada sobre essa configuração, embora veja espaço para algo desse tipo em um nicho específico, possivelmente até em uma série limitada.
“Nesse momento a gente não teve nada confirmado em relação a isso, mas eu tenho visões estratégicas que poderiam colaborar bem com essa questão.”
Brasil ainda não definiu a gama final
Apesar de o Omoda 4 já ter sido apresentado globalmente, a composição da gama brasileira segue em definição. Roger Corassa afirmou na coletiva que o grupo tem acesso a diferentes tecnologias e motorizações, incluindo combustão, híbrido, plug-in e elétrico, e que essa flexibilidade faz parte da força da operação.
Para o mercado brasileiro, segundo apurado pelo iG, o Omoda terá motor híbrido e elétrico igual ao do Omoda 5, portanto, na versão híbrida com bateria de 1,83 kWh, virá com motor à gasolina de 135 cv e 20,4 kgfm, associado a um motor elétrico na transmissão DHT de 204 cv e 31,6 kgfm. Combinado, geram 224 cv e 30,1 kgfm.
Já o Omoda 4 elétrico virá com 204 cv e 34,7 kgfm, o que confere uma autonomia estimada, via Inmetro, de 345 km.
Especificamente pro Omoda 4, a gente tem todas essas possibilidades de tecnologia, mas eu acredito que a mais adaptada à nossa região nesse momento seria a tecnologia híbrida. Eu acredito muito forte e a gente vai ter grande sucesso com esse veículo híbrido no Brasil. Roger Corassa, vice-presidente executivo da Omoda & Jaecoo Brasil
Motor flex segue no radar da companhia
A regionalização também apareceu como tema importante na coletiva. Roger Corassa disse que a companhia tem projetos relacionados a motor flex e reforçou que adaptar produto ao mercado brasileiro é parte da estratégia do grupo.
Segundo ele, a percepção atual é de que essa solução não deve estrear ainda neste ano, embora a empresa mantenha a possibilidade em análise para uma etapa posterior. A leitura da marca é que o produto precisa chegar com a configuração mais adequada ao mercado, sem descartar evoluções futuras.
“Esse ano a gente pensa em motor flex, sim, como oportunidade, até porque por adaptabilidade à nossa região seria bastante importante. Temos projetos no grupo em relação a isso.”
Rede avança para sustentar a expansão
A estrutura comercial da Omoda & Jaecoo no Brasil também foi tratada como peça central dessa ofensiva. De acordo com Roger Corassa, a marca já conta com 73 pontos de venda e trabalha para atingir 100 unidades até junho.
A ambição da empresa é fechar o ano com cerca de 150 pontos de venda, alcançando quase 90% de cobertura nacional. Esse crescimento é apontado como fundamental para sustentar a chegada de novos produtos e dar segurança ao cliente em venda e pós-venda.
“Eu preciso chegar a 100 pontos até junho. Esse é o nosso desafio. Estou bastante confiante que a gente vai conseguir chegar aos 100 pontos em junho.”
Produção local continua em avaliação
A possibilidade de produção no Brasil segue no radar da marca, embora sem confirmação oficial até agora. Roger Corassa afirmou que a empresa continua avançando nas conversas e que sempre trabalhou com três prioridades: uma fábrica pronta, parque de fornecedores próximo e ambiente favorável de investimento.
Segundo o executivo, o tema está bem encaminhado, mas ainda depende de anúncio oficial. A produção local aparece como etapa importante para sustentar crescimento de volume e adaptação regional dos produtos.
“Eu espero que em breve a gente possa confirmar realmente a produção local, mas está tudo sempre muito bem encaminhado.”
Brasil já influencia ajustes de produto
Outro ponto destacado pela operação brasileira é que os primeiros feedbacks do mercado local já começam a chegar à matriz. Roger Corassa afirmou que a marca tem discutido ajustes ligados a suspensão, conforto dos bancos, posição de dirigir, comandos internos e até software.
A ideia é tornar os carros mais aderentes ao gosto do consumidor brasileiro, com soluções específicas para a região. Esse movimento pode influenciar diretamente os próximos lançamentos, entre eles o próprio Omoda 4.

“Já se fala em suspensão, já se fala em comandos internos, por exemplo, já se fala em comandos mais acessíveis na parte de software. Tudo isso está sendo trabalhado dentro dos feedbacks para que a gente tenha um carro cada vez mais adaptado à nossa região.”
Omoda 4 será peça-chave da marca no país
O cenário apresentado em Wuhu deixa claro que o Omoda 4 será mais do que apenas um novo modelo na gama. O SUV surge como uma das peças centrais da estratégia da Omoda & Jaecoo no Brasil, com responsabilidade comercial relevante e potencial para ampliar o alcance da marca.
Com design mais chamativo, possibilidade de múltiplas motorizações, versão esportiva Ultra já apresentada globalmente e previsão de estreia no fim do ano, o Omoda 4 entra no radar como um dos lançamentos mais importantes da empresa para o mercado brasileiro.