Mulheres têm até o dobro do risco de morrer em acidentes por falhas em testes de colisão
Divulgação/Global NCAP
Mulheres têm até o dobro do risco de morrer em acidentes por falhas em testes de colisão

Um estudo desenvolvido na Universidade Tecnológica de Graz (TU Graz), na Áustria, revelou que mulheres têm muito mais chances de sofrerem acidentes no trânsito do que homens, até mesmo se estiverem no mesmo veículo. Em casos de acidentes graves, o risco de ferimentos severos ou morte é mais que o dobro para elas, e isso pode ser explicado de forma simples: uma falha na segurança promovida pela indústria automotiva.

Como isso acontece?

O problema, que pode ser considerado até de um viés machista, está nos testes de colisões realizados pelas empresas automobilísticas, usando apenas o corpo masculino como exemplo. Cintos e airbags que apresentam falhas mecânicas podem gerar lesões ou situações trágicas. 

A pesquisa realizada analisou acidentes que ocorreram entre 2012 e 2024 na Áustria e recriaram as colisões utilizando modelos humanos virtuais. O resultado permitiu comparar o impacto de um corpo feminino e masculino em casos de perigo, e como já falado anteriormente, os dados apontam para a afirmação que mulheres estão mais sujeitas a ferimentos graves, mesmo em velocidade reduzida.

Problema não solucionado

Em um vídeo opinativo para a The New York Times, a cinegrafista Eve Van Dyke contou que sofreu um acidente de carro e as mulheres presentes no automóvel tiveram consequências piores que os homens que passaram pela mesma situação. Eve explica que mulheres estão 73% mais aptas a sofrerem lesões graves nestas ocorrências e, durante sua pesquisa, revelou que a primeira pessoa a morrer em uma batida de carro foi uma mulher, em 1869.

Durante muitas décadas, desde que os carros passaram a ser mais populares, os acidentes se tornaram também cada vez mais frequentes. Por volta dos anos 50 foi revelado que, nos Estados Unidos, pessoas morreram mais em rodovias do que militares na Guerra do Vietnã.

Na época, testes começaram a ser considerados pela indústria, ainda com muita resistência por parte dos consumidores, que não se sentiam confortáveis com as normas de seguranças exigidas, como o cinto, e por parte das fabricantes, que teriam maiores custos para bancar. No entanto, o problema foi detectado exatamente nos testes que passaram a ser desenvolvidos há muitos anos atrás, mas que nunca foi resolvido: os manequins.

Pesquisas apontam como a falta de manequins inspirados em corpos femininos afeta na segurança
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Pesquisas apontam como a falta de manequins inspirados em corpos femininos afeta na segurança


Os famosos ‘dummies’

Os manequins utilizados nos testes de colisões, conhecidos como ‘dummies’, se baseiam em um homem médio estatístico, com cerca de 77 kg e 1,77 m, um modelo que segue sendo usado até os dias atuais. Existe sim um manequim inspirado em um corpo feminino, porém, ele é apenas uma versão reduzida do modelo masculino, o que não corresponde à realidade, já que 95% das mulheres são mais altas e mais pesadas do que as medidas utilizadas.

O levantamento realizado por Eve Van Dyke diz que, desde 1980, pesquisadores vêm pressionando as empresas por manequins inspirados em características femininas. O resultado? Na União Europeia, um manequim feminino realmente foi criado, porém, ele segue inutilizado nos protocolos de homologação.

Algo ainda pode ser feito

A Euro NCAP, programa europeu responsável por aprovações na segurança automotiva, passou a desenvolver testes que incluem diferentes posições de assentos, porém, a homologação oficial ainda usa métodos ultrapassados. A indústria automotiva também arranjou algumas soluções eficientes.

A Volvo apresentou recentemente um cinto de segurança com inteligência artificial no novo modelo EX60. Com base em dados e algoritmos, o sistema monitora, em tempo real, o corpo, peso, a posição e o biotipo do passageiro, ajustando a força de retenção do cinto durante um impacto.

Além disso, a BMW e a Mercedes-Benz também produzem sistemas de tensão adaptativos que são capazes de reposicionar o ocupante antes do impacto, com base nos sensores de colisão. A Toyota utiliza airbags de câmara dupla que podem regular a pressão de acordo com o passageiro. No entanto, nenhuma destas tecnologias para a segurança estão disponíveis nos veículos comercializados no Brasil.

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