Mais etanol na gasolina pode afetar os veículos que não são flex
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Mais etanol na gasolina pode afetar os veículos que não são flex

O governo federal adiou a reunião do Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE, que poderia decidir sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. A proposta em discussão prevê elevar o percentual dos atuais 30% para 32%.

A decisão estava prevista para esta quarta-feira, 8 de julho, mas a reunião foi adiada. Caso a mudança seja aprovada em novo encontro do conselho, a gasolina vendida no Brasil passará do padrão E30 para E32.

Desde agosto de 2025, a gasolina comum e aditivada comercializada no país já conta com 30% de etanol anidro. O novo aumento faria parte da política de ampliação do uso de biocombustíveis na matriz nacional.

Na prática, a mudança não deve trazer grandes impactos para a maioria dos carros flex mais recentes vendidos no Brasil. O maior ponto de atenção fica para veículos antigos, importados, modelos movidos apenas a gasolina e carros que não foram calibrados para trabalhar com percentuais mais altos de etanol.

Flex nacionais tendem a sentir pouco

Nos carros flex, o sistema de injeção eletrônica identifica a mistura de combustível e ajusta o funcionamento do motor. Por isso, modelos nacionais mais recentes tendem a lidar melhor com variações no teor de etanol.

Como esses veículos foram desenvolvidos para rodar com gasolina ou etanol em qualquer proporção, a passagem de E30 para E32 tende a não ser perceptível no uso diário.

Ainda assim, pode haver pequena variação no consumo. O etanol tem menor densidade energética que a gasolina. Portanto, quanto maior a presença de etanol na mistura, maior pode ser o consumo em quilômetros por litro, ainda que a diferença de dois pontos percentuais seja limitada.

Importados exigem mais atenção

O cuidado maior vale para veículos importados a gasolina, especialmente modelos que não foram desenvolvidos para mercados com mistura elevada de etanol.

Em países como Estados Unidos, Japão e parte da Europa, a gasolina costuma ter percentuais menores de etanol, como E10 ou E15. Um carro projetado para esses combustíveis pode ter componentes, calibração de injeção e estratégia de funcionamento diferentes dos veículos preparados para o padrão brasileiro.

Isso não significa que todo importado terá problema imediato. Mas modelos mais antigos, esportivos, motores de alta compressão ou carros sem adaptação local podem sentir mais a mudança, principalmente em partida a frio, marcha lenta, consumo, funcionamento irregular ou acendimento de luz de injeção.

Carros antigos podem ser mais sensíveis

Veículos antigos também entram no grupo que exige atenção. Carros carburados ou com sistemas de injeção mais simples podem não compensar a mistura com a mesma precisão dos modelos modernos.

O etanol também tem características diferentes da gasolina em relação à absorção de umidade e ação sobre borrachas, mangueiras, juntas e componentes do sistema de alimentação. Em veículos mais antigos, especialmente aqueles com manutenção atrasada, o aumento do teor de etanol pode acelerar sintomas que já estavam próximos de aparecer.

Por isso, em carros clássicos, antigos de uso esporádico ou modelos que ficam muito tempo parados, vale reforçar a atenção ao estado de mangueiras, bomba de combustível, filtros, carburador, bicos injetores e tanque.

Consumo pode mudar?

A tendência é que o consumo piore um pouco, mas de forma discreta. O etanol tem poder calorífico menor que o da gasolina. Assim, uma mistura com mais etanol exige um volume ligeiramente maior de combustível para gerar a mesma energia.

No caso da passagem de E30 para E32, a diferença é pequena, mas pode aparecer em medições mais cuidadosas. Na prática, o impacto tende a ser mais perceptível em carros a gasolina não flex do que em modelos flex modernos.

Também é possível que o motorista não consiga perceber a diferença no uso comum, já que trânsito, calibragem dos pneus, carga, estilo de condução e qualidade do combustível podem influenciar mais o consumo do que a variação de dois pontos percentuais no teor de etanol.

O que o motorista deve fazer

Para carros flex nacionais em bom estado, não há necessidade de mudança de hábito. A recomendação principal é abastecer em postos confiáveis e manter a manutenção em dia.

Para importados, modelos antigos ou carros a gasolina que não foram adaptados ao mercado brasileiro, vale consultar o manual, verificar a recomendação da fabricante e acompanhar qualquer alteração de funcionamento.

Se houver falhas, dificuldade de partida, aumento anormal de consumo, perda de desempenho ou luz de injeção acesa após abastecimento, o ideal é procurar uma oficina de confiança antes de continuar rodando.


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