
O sucesso do Haval H6 mostrou que há espaço no Brasil para SUVs chineses híbridos, potentes e bem equipados. Agora, a GWM estuda ampliar essa fórmula com um modelo menor, mais fácil de acomodar na garagem e potencialmente mais barato. É justamente nesse espaço que pode entrar o Haval H4.
O modelo é apontado como uma das possíveis novidades da fabricante para o mercado brasileiro. Posicionado abaixo do H6, o H4 poderá combinar dimensões mais compactas com um conjunto híbrido flex de 243 cv, consumo urbano de até 26 km/l e preço inferior a R$ 200 mil.
A chegada ainda não foi confirmada oficialmente pela GWM, mas o interesse da marca nesse segmento ficou mais evidente recentemente. Em entrevista ao Comprecar, Guilherme Telles, head de produto da GWM Brasil, reconheceu que parte dos consumidores gosta do H6, mas procura um carro menor, principalmente por limitações de espaço em garagens. Segundo o executivo, a empresa estuda uma solução para atender esse público.
Um Haval H6 menor, mas não necessariamente compacto
Apesar de ser tratado como uma alternativa mais compacta ao H6, o Haval H4 não seria exatamente pequeno. O SUV é conhecido em outros mercados como Haval Jolion, Jolion Pro ou Chitu, dependendo do país e da configuração.

O modelo tem aproximadamente 4,47 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,62 m de altura e 2,70 m de distância entre os eixos. Portanto, seria cerca de 20 centímetros menor que o H6, facilitando manobras e o uso em garagens mais apertadas, mas preservando um bom espaço interno.

As dimensões colocam o H4 muito próximo de SUVs médios já consolidados no Brasil, como Jeep Compass, Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos. O modelo também ficaria acima de SUVs compactos como Volkswagen T-Cross, Chevrolet Tracker e Hyundai Creta em comprimento e entre-eixos.

Na prática, a GWM poderia oferecer um veículo com porte de SUV médio, mas com preço próximo ao de versões mais completas dos compactos. Essa combinação seria uma das principais armas do H4 no mercado brasileiro.
Motor híbrido pode entregar 243 cv
A configuração estudada para o Brasil seria híbrida plena, também conhecida pela sigla HEV. Nesse sistema, o carro não precisa ser conectado a uma tomada, pois a bateria é alimentada pelo motor a combustão e pela energia recuperada durante frenagens e desacelerações.

O Haval H4 pode chegar com o conjunto encontrado no H6 HEV ONE. O sistema reúne um motor 1.5 turbo de quatro cilindros, com injeção direta e ciclo Miller mais motor elétrico.
A potência combinada chegaria a 243 cv, enquanto o torque seria de 54 kgfm. A tração seria dianteira, acompanhada da transmissão híbrida DHT, que utiliza duas marchas mecânicas e explora a atuação dos motores elétricos nas demais condições de uso.

Com esse conjunto, o H4 chegaria ao Brasil mais potente que boa parte dos rivais diretos. O Corolla Cross Hybrid, por exemplo, prioriza o consumo, enquanto o Compass aposta principalmente em motores turbo a combustão.
Motorização flex seria diferencial
Outro ponto importante seria a adoção da tecnologia flex. A expectativa é que o motor 1.5 turbo possa funcionar tanto com gasolina quanto com etanol, seguindo a estratégia iniciada pela GWM na produção nacional do Haval H6.

A possibilidade já era considerada desde as primeiras informações sobre o projeto brasileiro. O H4 poderia, inclusive, compartilhar componentes e tecnologias com o H6 nacional, ajudando a reduzir custos industriais e simplificar a manutenção dos dois modelos.
A configuração definitiva, entretanto, dependerá do momento em que o veículo for aprovado para o Brasil. A GWM ainda não divulgou ficha técnica, versões ou cronograma oficial para o SUV.
Consumo pode chegar a 26 km/l
Além da potência, a eficiência seria outro destaque do Haval H4. Na configuração híbrida comercializada no Chile, o Jolion Pro registra consumo declarado de até 26 km/l na cidade e 16,6 km/l em rodovias.

Os números são favorecidos pelo funcionamento do sistema híbrido em trajetos urbanos. Em velocidades menores, os motores elétricos participam com maior frequência da movimentação do veículo, enquanto o motor a combustão pode permanecer desligado em diferentes momentos.
O modelo também apresenta aceleração de zero a 100 km/h em menos de seis segundos na configuração chilena, desempenho próximo ao de alguns SUVs de proposta esportiva.
O consumo de 26 km/l, porém, não deve ser interpretado como um dado confirmado para o Brasil. Os métodos de homologação são diferentes e a gasolina brasileira tem maior proporção de etanol. Além disso, uma versão flex apresentaria resultados distintos dependendo do combustível utilizado.

Os números nacionais só serão conhecidos depois dos testes realizados pelo Inmetro com a configuração definitiva do veículo.
Preço pode ficar abaixo de R$ 200 mil
O Haval H4 foi projetado para se tornar o SUV mais acessível ao GWM H6. E, para ser viável, precisa chegar ao mercado custando menos que os R$ 200 mil cobrados pelo H6 HEV One.

A fabricante poderia utilizar o preço para posicionar o H4 entre os SUVs compactos mais caros e os médios de entrada. Dessa forma, o modelo disputaria clientes com versões completas de Creta, T-Cross e Tracker, mas também enfrentaria Compass, Corolla Cross e BYD Song Pro.
O Song Pro seria um dos adversários mais diretos por também apostar em motorização híbrida e preço agressivo. A diferença está no funcionamento do sistema: enquanto o BYD é híbrido plug-in e pode ser carregado externamente, o H4 deverá ser um híbrido convencional, dispensando tomadas.

Isso pode tornar o modelo mais conveniente para consumidores que desejam reduzir o consumo de combustível, mas não têm carregador em casa ou na garagem do condomínio.