
Como sempre foi de costume, os carros seminovos ou usados vão perdendo seu valor de mercado a cada ano. No entanto, desde a pandemia, essa regra não é mais seguida, já que a alta acumulada pelo preço dos carros usados entre 2020 e 2025 foi de 83%, ou seja, um rendimento de IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) de 4,7% por ano.
O que mudou
Mas agora, essa super valorização demonstra estar perdendo força. Em julho deste ano, o IBV Auto, índice que acompanha o mercado de automóveis, cresceu apenas 0,07%, o que preocupa, já que no mês anterior atingiu 0,57%.
Qual a causa
Alguns fatores que podem estar ligados a queda nos preços dos usados no mercado automotivo são os juros muito elevados e a insegurança dos bancos na hora de liberar um financiamento, reduzindo o número de pessoas que realmente podem pagar por um carro, já que possuem crédito restrito.
Além disso, uma competição acirrada com os novos carros zero quilômetro híbridos ou eletrificados vindos da China, podem influenciar nas decisões de venda das fabricantes nacionais, já que estas passam a oferecer melhores custos benefícios para competir no mercado com seus modelos.
Como funciona na prática
As locadoras andam preocupadas com o que o futuro prepara para os usados e quais os riscos de abaixar drasticamente o preço destes automóveis, afinal, a mudança não afeta apenas aos clientes que buscam um seminovo, mas também os negócios, onde o veículo é o principal produto .
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Basicamente, o que realmente assombra estas empresas é o valor de negociação, afinal, o carro é um investimento. O processo funciona da seguinte forma: as locadoras compram o veículo, o alugam por um tempo e depois vende para recuperar parte do dinheiro.
Porém, isso pode se tornar um problema quando a empresa espera negociar a venda do automóvel por um preço, mas daqui a alguns anos, ele pode valer menos que isso, fazendo com que a locadora tenha uma perda muito maior . Este processo é conhecido como depreciação, que corresponde a diferença entre o valor que a locadora pagou pelo carro e quanto ela recupera após vende-lo.
Visão de mercado
No meio deste comportamento, as marcas buscam mudar sua estratégia. Por exemplo, a Localiza, no segundo trimestre de 2026, aumentou sua depreciação média anualizada por veículo para R$ 8.243, demonstrando certa cautela por parte da empresa antes de recuperar seus veículos.
Já a Movida manteve sua depreciação média anualizada em R$ 7,2 mil por veículo no segundo trimestre de 2026, contra R$ 6,7 mil no ano passado. A empresa atribui esta estabilidade a renovação de sua frota, compondo modelos mais baratos, como Renault Kwid, Fiat Mobi, Volkswagen Polo, Fiat Argo, Chevrolet Onix e Hyundai HB20. A lógica é fácil de entender: carros mais baratos tendem a atrair mais público para o mercado de usados.
Isso não significa que o segmento de carros usados e seminovos está em crise, já que as locadoras continuam comprando e vendendo diversos automóveis. O real problema é enfrentar a instabilidade do mercado que afeta na visão de futuro destas empresas com relação aos preços de venda dos veículos, o que as obriga a ter mais cautela.
*Estagiária sob supervisão