
A Bugatti apresentou o Destrier, terceira criação do Programme Solitaire, divisão dedicada a projetos únicos feitos sob encomenda. O novo hipercarro parte da base do Bolide, um dos carros mais extremos já produzidos pela marca, mas segue uma direção quase oposta no desenho: saem as enormes asas e os apêndices aerodinâmicos de pista para dar lugar a uma carroceria mais limpa e sofisticada.
A mudança, porém, não chegou ao conjunto mecânico. Atrás dos ocupantes permanece o W16 8.0 quadriturbo de 1.600 cv, ligado a um câmbio de dupla embreagem de sete marchas e à tração integral. É essencialmente a força do Bolide vestida com uma carroceria criada para um único cliente.
O Destrier será apresentado ao público durante a Monterey Car Week, com participação no Pebble Beach Concours d'Elegance em 16 de agosto. O preço não foi divulgado pela Bugatti.
Base é a mesma do radical Bolide
O ponto de partida é o monocoque de fibra de carbono utilizado pelo Bolide, modelo desenvolvido prioritariamente para circuitos. A Bugatti, no entanto, redesenhou praticamente toda a superfície externa para transformar aquela arquitetura em um hipercarro de aparência menos agressiva.

O Bolide explora grandes entradas e saídas de ar, faróis em formato de X e uma asa traseira enorme para gerar carga aerodinâmica. No Destrier, esses elementos foram reduzidos ou completamente reinterpretados.
A tradicional linha lateral em formato de C, uma assinatura visual da Bugatti, ganhou contorno metálico e se conecta visualmente à grade dianteira em formato de ferradura, agora mais ampla. Os faróis também abandonaram o desenho do Bolide e adotam formas mais arredondadas.
As rodas têm 20 polegadas na dianteira e 21 na traseira, maiores e de proposta mais sofisticada que as utilizadas no carro de pista.
W16 de 1.600 cv continua no centro da receita
Se a carroceria mudou bastante, o motor não precisava de grandes apresentações.
O Destrier mantém o conhecido W16 de 8,0 litros com quatro turbocompressores, calibrado para aproximadamente 1.600 cv. A potência segue para as quatro rodas por meio de uma transmissão de dupla embreagem com sete marchas.
É a mesma configuração básica encontrada no Bolide. A diferença é que o Destrier não foi desenvolvido com a obsessão de extrair cada décimo de segundo em um circuito.
Isso também explica a ausência de números oficiais de aceleração ou velocidade máxima específicos para o novo carro. A proposta do Solitaire não é criar uma versão ainda mais rápida do Bolide, mas utilizar sua engenharia como base para um exemplar completamente diferente em estilo e acabamento.
Interior troca ambiente de corrida por couro e cobre
A transformação é ainda mais evidente na cabine.
A arquitetura continua relacionada à do Bolide, mas o acabamento típico de competição foi substituído por couro marrom, nobuck e tecidos tridimensionais. Fios de cobre são incorporados ao revestimento e criam efeitos visuais conforme a incidência de luz.
Elementos metálicos recebem acabamento martelado, solução que aparece em áreas como maçanetas, saídas de ventilação e volante.
A referência não foi escolhida ao acaso. O nome Destrier era usado para uma categoria de cavalos de guerra associados aos cavaleiros medievais, e a Bugatti levou essa inspiração para detalhes que lembram o trabalho artesanal aplicado às antigas armaduras.
A carroceria recebe pintura Sapphire Celeste, combinada com componentes de fibra de carbono tingida.
Terceiro carro do Programme Solitaire
O Destrier é a terceira criação do Programme Solitaire, braço da Bugatti destinado a desenvolver carros exclusivos para clientes específicos. Antes dele vieram o Brouillard e o F.K.P. Hommage.
A proposta é diferente das séries limitadas tradicionais. Em vez de produzir dezenas de unidades de uma variação especial, a Bugatti utiliza plataformas e conjuntos mecânicos existentes como ponto de partida para carros únicos, com carroceria, acabamento e identidade próprios.