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O novo hatch mira sua munição contra os líderes de vendas Chevrolet Onix e Hyundai HB20. Terá sucesso?

Grande aposta da Fiat, o Argo irá bagunçar o segmento dos hatches compactos no Brasil
Divulgação/Fiat-Chrysler Automóveis
Grande aposta da Fiat, o Argo irá bagunçar o segmento dos hatches compactos no Brasil

A Fiat apresentou ontem à imprensa o Argo, que substitui o Punto, mas com pretensões muito mais ambiciosas que as do antecessor. Uma delas é a de brigar com os dois líderes de venda (gerais e dos hatches compactos) do país, Chevrolet Onix e Hyundai HB20. Outra é recuperar o terreno que a Fiat perdeu numa praia em que sempre foi especialista, a de carros compactos com forte identificação do público. As vendas começam já este mês, com expectativa de 5.000 unidades emplacadas, ou 30 mil até o fim do ano. 

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Essa projeção pode parecer modesta perto das vendas dos hatches compactos mais vendidos, Onix (média superior a 10 mil unidades/mês) ou do HB20 (quase 7 mil). Mas é um volume superior ao do Mobi (pouco mais de 3 mil), hoje o mais vendido entre os compactos Fiat. Certamente, a Fiat espera vender mais do que anuncia com o Argo.

Só para entender o que quer a Fiat. Ela não vai entrar na briga, por exemplo, com o Onix Joy, versão de entrada do Chevrolet, que ainda tem o desenho anterior ao facelift do ano passado. O Joy representa 30% das vendas do Onix, ou cerca de 3.000 unidades/mês. Quem vai brigar com ele será o Palio 1.0. Por sinal, essa será a única motorização que restará ao antigo campeão brasileiro de vendas.

O papel do Argo é se apresentar como um compacto mais aspiracional, quase premium, que traga à Fiat margens de lucro que minguaram nos modelos Mobi, Uno e Palio. Explico: os carros mais acessíveis do mercado podiam ser interessantes quando o mercado brasileiro era bem maior. Ganhava-se pouco por unidade, mas o volume compensava. Hoje, os volumes despencaram, e os carros da base já não trazem grandes dividendos aos fabricantes, muito menos para a rede. Até por isso a Fiat vem se esforçando em posicionar o Uno como um compacto descolado, mais caro e equipado, para distanciá-lo do subcompacto Mobi.

O Argo, na frieza da fita métrica, é o sucessor do Punto. Sua plataforma é uma evolução da do Punto, inclusive. Porém, ele ficou mais encorpado e espaçoso que o antecessor, e perdeu peso, o que contribui com o desempenho e o consumo. Seu acabamento marca um novo padrão para a Fiat em Betim (MG), herdando o reconhecido esmero do Jeep Renegade e seus derivados feitos em Goiana (PE) – Fiat Toro incluído.

Com isso, o Argo acolhe as viúvas do Punto, avança um pouco sobre a praia do também finado Bravo (um hatch médio) e, nas versões de entrada, entrará em disputas que o velho Palio já não consegue enfrentar. Por isso, tem um amplo espectro de sete versões, do 1.0 manual ao 1.8 automático, passando pelo 1.3, que pode ser manual ou automatizado. A generosa oferta de equipamentos e acessórios também foi pensada para ampliar a gama de preços.

Por um capricho do acaso, o novo Fiat chega num momento em que seu principal rival, o Onix, enfrenta críticas pela baixa nota no teste de impacto do LatinNCAP. Já o HB20 sofre uma saudável concorrência interna do SUV Creta. Nem tanto pelo preço, mas pela capacidade produtiva da fábrica em Piracicaba (SP), que está no gargalo. Obviamente o Creta tem margens maiores, é novidade, e por isso tem prioridade na linha.

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Em resumo, o segundo semestre promete uma arrancada e tanto do Fiat Argo , que tem boas condições de encostar nos 7 mil mensais do HB20 e do Onix (descontadas as vendas do Joy). Mas uma grande ameaça se avizinha e atende pelo nome de Volkswagen Polo. A nova geração do modelo chega no fim do ano, provavelmente aposentando o Fox. Ele também vai brigar na parte de cima do segmento de hatches compactos, deixando o Gol para o andar do meio e o Up para a porta de entrada.

GM dá lição de sucesso enxugando a linha de hatches

A briga promete ser quente, mas uma consideração precisa ser feita, e ela diz respeito ao sucesso da estratégia da GM: ela tirou de linha o Celta, o Agile e o Sonic, apostando todas as suas fichas num voo solo do Onix entre os hatches compactos. No acumulado deste ano, até meados de maio, ela tinha vendido quase 58 mil unidades do modelo. A VW, somando Up, Gol e Fox, vendeu 53 mil carros. A Fiat, 40 mil na soma de Mobi, Uno, Palio e Punto. A Ford, 36 mil com a dupla Ka e Fiesta, o mesmo que a Hyundai fez apenas com o HB20.

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O sinal está claro: um ou dois modelos nesta categoria dos hatches compactos funcionam muito bem para o tamanho do mercado brasileiro de hoje. O Argo começou a enxugar o meio-de-campo embolado da Fiat, e o Polo fará o mesmo pela VW. Novos saneamentos virão nessas duas marcas, podem apostar. Palmas para a GM, que por sua vez precisa colocar ordem na sua titubeante linha de SUVs. AutoBuzz retomará este tema.

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