Tamanho do texto

O ritmo de novidades para a eletromobilidade é dos mais acelerados na indústria

Você é daqueles que torcem o nariz para a presença do carro elétrico no mercado brasileiro? Motivos não faltam. Aqui, em 2017, foram vendidos apenas 3.296 modelos híbridos e elétricos. Apesar de promessas, o incentivo do governo a esses veículos ainda é quase nulo. Mas o fato é que eles avançam em boa parte do planeta, e é difícil imaginar que o Brasil ficará de fora desse movimento. Afinal, estamos falando de montadoras e fornecedoras multinacionais, que atuam de forma global, além de novos players gigantes, como o Uber, que apostam firmemente nesse tipo de propulsão.

LEIA MAIS: Como seria um mercado com igualdade de condições? O Chile tem a resposta

Aos poucos, as barreiras que existiam para a popularização dos veículos elétricos vão caindo por terra, como o custo elevado, a baixa autonomia, os problemas de recarga e o tamanho das baterias. Soluções não param de surgir, reduzindo os entraves que ainda restam e aumentando a confiança dos usuários. Veja a seguir cinco motivos que dão a certeza que os elétricos deixarão de ser algo exótico nas ruas de todo o mundo. Prepare-se, você ainda terá um carro elétrico .

1 – Recarga cada vez mais rápida

O grupo sueco-suíço ABB apresentou um novo conceito de recarga de carro elétrico na feira de tecnologia Hannover Messe, na Alemanha.
Divulgação
O grupo sueco-suíço ABB apresentou um novo conceito de recarga de carro elétrico na feira de tecnologia Hannover Messe, na Alemanha.

Para quem tem medo de ver a bateria descarregar, demandando longos minutos de recarga em meio a uma viagem mais longa, a solução parece ser o supercarregador apresentado em abril pelo grupo sueco-suíço ABB na feira de tecnologia Hannover Messe, na Alemanha. O Terra HP oferece autonomia de até 200 km com apenas 8 minutos de recarga. O equipamento opera com potências de até 350 kW e é ideal para paradas de descanso em rodovias e postos de gasolina. Ele pode carregar 80% da bateria de carros elétricos entre 15 e 30 minutos, segundo a ABB, empresa que forneceu as primeiras estações de recarga para a nova eletrovia que corta o estado do Paraná.

2 – Comodidade para carregamento domiciliar

Nissan Energy Solar gera redução de até 66% nas faturas de energia do Reino Unido
Divulgação
Nissan Energy Solar gera redução de até 66% nas faturas de energia do Reino Unido

E a falta de energia? E a conta de luz? Essas questões assustam cada vez menos. Ontem, por exemplo, a Nissan anunciou o início das vendas de sua nova solução integrada para energia doméstica, o Nissan Energy Solar. Com isso, os consumidores no Reino Unido podem melhorar a maneira como suas casas criam, armazenam e consomem energia através do uso de painéis solares de altíssima qualidade, baterias de armazenamento (xStorage Home) e um sistema de gerenciamento de energia residencial.

LEIA MAIS: Para onde vai a Ford no Brasil e no mundo? Situação é delicada

Entre os principais benefícios do sistema estão a redução de até 66% nas faturas de energia elétrica, maior independência dos provedores de eletricidade e capacidade de gerar, armazenar e gerenciar energia para uso noturno, mesmo em dias nublados ou chuvosos. A Nissan vai expandir a solução para outros países, e já há outras montadoras oferecendo sistemas semelhantes, como a BMW e a Toyota. A VW mostrou no Salão de Genebra um robô-carregador que pode ir recarregando um a um os carros no estacionamento, por exemplo. 

3 – Estradas poderão carregar veículos em movimento

Estradas exclusivas para o carregamento de veículos elétricos começam a surgir em todo o mundo
Divulgação
Estradas exclusivas para o carregamento de veículos elétricos começam a surgir em todo o mundo

Uma solução mais radical está sendo testada em dois países para eliminar de vez a questão da baixa autonomia: estradas que carregam os veículos enquanto eles trafegam. A Suécia iniciou seus testes em abril, e deve liberar o uso em menos de um ano. O projeto financiado pelo governo sueco, chamado eRoadArlanda, usa um caminhão elétrico adaptado, que  movimenta cargas do aeroporto de Estocolmo até um centro logístico. Um trilho eletrificado embutido no asfalto da estrada de 2 km carrega o caminhão conforme ele trafega. Um braço móvel preso à parte inferior do caminhão detecta a localização do trilho. Sim, parece um autorama em tamanho real. Esse sistema pode significar também o fim das baterias grandes e a redução dos custos do carro elétrico.

Já a China está construindo a estrada mais inteligente do mundo, prevista para entrar em funcionamento em 2022. Ela usará painéis solares, sensores de mapeamento e recarregadores de baterias. Essas tecnologias serão incorporadas sob o concreto transparente usado para construir um trecho de mais de 1 km na cidade de Jinan. Cerca de 45.000 veículos poderão passar por esta seção todos os dias. Os painéis solares poderão gerar eletricidade suficiente para abastecer os carros elétricos, as luzes das estradas e 800 casas no entorno.

4 – Baterias menores e mais eficientes

Todo o conjunto que gera energia para as baterias do Nissan Note pesa 250 kg e ocupa boa parte do porta-malas da van
Divulgação
Todo o conjunto que gera energia para as baterias do Nissan Note pesa 250 kg e ocupa boa parte do porta-malas da van

A velocidade do desenvolvimento das baterias é incrível, seja para seu celular, seja para os carros. Cada vez menores e mais eficientes, elas caminham para deixar de ser uma dor de cabeça em termos de praticidade e autonomia, embora ainda haja questões de custo e de reciclagem a serem resolvidas. O material da moda é o grafeno, uma das formas cristalinas do carbono, assim como o diamante e o grafite.

De acordo com a Samsung, as baterias de grafeno são 45% mais capazes e recarregam cinco vezes mais rápido que as de íons de lítio. Em breve, o grafeno deverá ser usado nas baterias de celulares, e depois nas de carros, resolvendo outro problema da eletrificação: o lítio é um elemento raro na natureza, incapaz de atender à crescente demanda.

5 – A China começou a corrida, e todos foram atrás

A JAC Motors desenvolveu um T40 elétrico como estudo para o mercado chinês, resultado de uma parceria com a Volkswagen
Divulgação
A JAC Motors desenvolveu um T40 elétrico como estudo para o mercado chinês, resultado de uma parceria com a Volkswagen

Há mais governos interessados em carros elétricos do que montadoras e consumidores? É verdade. Os carros elétricos jamais vão vingar sem fortes incentivos governamentais? Sim! A questão é que o governo chinês estipulou metas agressivas para a eletrificação de sua frota até o fim da próxima década. Como todos sabem, a China é um dos maiores mercados globais de carros, e o que mais cresce, ao lado da Índia.

LEIA MAIS: Brasileiro gasta, em média, R$ 71 mil na compra de um carro novo

O grande temor das montadoras e governos ocidentais é perder essa corrida tecnológica para os chineses. Resultado: governos como o dos EUA e sobretudo de países europeus também estipularam metas agressivas para substituição da combustão pela propulsão elétrica. As grandes montadoras não têm outra saída, a não ser investir cada vez mais na solução elétrica, que por questões tecnológicas também está fortemente atrelada à direção autônoma e à conectividade, outras duas tendências irreversíveis.

Apesar do atraso, o Brasil deverá entrar na onda da eletrificação, provavelmente usando seu conhecimento com o etanol para usar em modelos híbridos (Toyota já testa um Prius assim) e talvez até para alimentar “pilhas” de hidrogênio – uma alternativa às grandes baterias. Os ganhos de escala tendem a reduzir os custos dos carros elétricos de forma global. Outro ponto a favor do “Brasil elétrico: nossa maior fonte de energia é hídrica, totalmente limpa, enquanto China e EUA ainda dependem muito de carvão para gerar energia – o que anula parta dos efeitos não-poluentes dos carros elétricos. Portanto, pode apostar que você andará em um carro elétrico ou híbrido. Mais rapidamente do que imagina.

Escreva para a coluna: autobuzz@igcorp.com.br ou acesse o site autobuzz.com.br

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.