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Essa baita "pedra no sapato" do Civic resiste ao tempo, aos rivais, aos modismos e até à concorrência interna do Yaris

Toyota Corolla: O maior exemplo de consistência no mundo automotivo, evidente por ser o 3º carro mais vendido da história
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Toyota Corolla: O maior exemplo de consistência no mundo automotivo, evidente por ser o 3º carro mais vendido da história

Há exatos 20 anos, o Toyota Corolla começava a ser produzido em Indaiatuba (SP), após alguns anos sendo importado. No Japão, ele surgiu há 52 anos. É o modelo mais vendido da história, na soma de suas 11 gerações – a 12ª já chegou a alguns países como hatch, e a configuração sedã chega no ano que vem, incluindo o Brasil. Pelo seu sucesso global, é considerado um fenômeno. Porém, mais do que as vendas, o que mais impressiona no modelo é sua capacidade de se manter atrativo por tantas décadas.

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Focando apenas no mercado brasileiro, o Toyota Corolla assumiu pela primeira vez a liderança do segmento de sedãs médios há 15 anos – em 2003 teve 35.655 unidades emplacadas, ocupando a oitava posição no ranking dos mais vendidos. Era uma época em que o arquirrival Honda Civic já fazia sucesso, e em que ainda havia concorrentes de peso como VW Santana e Chevrolet Vectra. De lá para cá, o Corolla só perdeu a liderança para o Honda Civic em 2007, 2008 e 2013. Ou seja, este será seu 13º ano de liderança no Brasil.

Com crise ou sem crise no país, suas vendas mantêm ritmo de aceleração desde aquele longínquo 2003. Em 2008 passou de 40 mil emplacamentos, em 2009 superou a barreira de 50 mil, e em 2014 passou enfim dos 60 mil/ano. Em 2015 obteve seu melhor resultado no país, com 67.339 unidades vendidas. Em 2016 vendeu um pouco menos que isso, mas pela primeira vez em sua jornada brasileira chegou ao Top 5 de vendas. Neste ano, emplacou 43 mil unidades até setembro. Mesmo às vésperas de uma grande reestilização, está vendendo mais que o dobro do rival Civic.

Toyota Corolla ainda mais consolidado

A Honda bem que tentou desafiar o Corolla, mas o sedã Civic oscila muito no mercado. Vende bem quando chega uma nova geração, mas cai rapidamente. Em 2008 chegou a vender 67.676, até hoje o único recorde do segmento que o Toyota não conseguiu superar. Para complicar a vida do Honda, ao contrário das gerações atuais, a atual, de 2016, não obteve o efeito desejado. Pela primeira vez o Civic mudou e não fez cócegas nas vendas do sedã Corolla. A Honda ousou no desenho, mas parece que isso até afugentou clientes do segmento mais conservador do mercado brasileiro.

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Se o Honda Civic (única força capaz de abalar o Corolla nas últimas décadas) não conseguiu, tampouco a febre dos SUVs afetou os ótimos volumes de venda do sedã feito em Indaiatuba. Ele mantém ritmo de vendas acima de 4.800 unidades mês, apesar de tantas opções de sucesso que chegaram nessa faixa de preço, dos SUVs compactos até o mais requintado Jeep Compass. Os altinhos tiraram vendas dos hatches médios, das peruas, das minivans, dos sedãs compactos e de muitos sedãs médios, menos do velho Corolla.

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Apesar do
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Apesar do "mini Toyota Corolla" ser a maior novidade da marca, a tradição não o deixará tomar o lugar do 'irmão" mais velho

Mas eis que a Toyota lançou o Yaris, um compacto premium, nas versões hatch e sedã. Muitos acreditaram que as versões mais acessíveis do Corolla (de R$ 90 mil) seriam prejudicadas pela modernidade do Toyota feito na fábrica vizinha, em Sorocaba (SP). Já faz quatro meses que o Yaris chegou, e nada de canibalizar vendas com o veterano. O Yaris hatch até que despontou bem no mercado, com média mensal de 3 mil emplacamentos, mas o sedã ainda não embalou. Talvez os clientes ainda prefiram desembolsar um pouco mais pelo confiável Corolla, que tem ótima fama no pós-venda e boa valorização no mercado de usados.

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O que explica a resiliência do Corolla no mercado é o perfil de seu público, majoritariamente mais masculino, de faixa etária mais avançada e com alta renda. Falem o que quiserem, mas há espaço no mercado para um carro mais discreto em termos visuais, que prevaleça pela tradição e confiabilidade. Um sedã que atenda mais a aspectos racionais do que emocionais.

Falta jovialidade ao Toyota Corolla ? Sim, mas qual é o problema disso num mercado em que as novas gerações são cada vez menos atraídas para o mundo do automóvel? E num país em que a pirâmide etária média vem ficando cada vez mais parecida com a europeia, com menos jovens e mais idosos? E em que a expectativa de vida aumenta, não só em longevidade, mas em qualidade? Sim, há cada vez mais motoristas acima de 60 anos no Brasil, e essa turma parece adorar o clássico sedã de origem japonesa. Longa vida ao Corolla!

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