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Chery-Caoa é a marca que mais cresce no Brasil. JAC e Lifan tentam pegar carona nessa onda. Saiba mais detalhes sobre o assunto

Chery Tiggo 2 foi o principal lançamento de 2018, entre as marcas chinesas. Chega a vender mais que Peugeot 2008
Cauê Lira/iG Carros
Chery Tiggo 2 foi o principal lançamento de 2018, entre as marcas chinesas. Chega a vender mais que Peugeot 2008

No horóscopo chinês, 2019 será o Ano do Porco, que sinaliza o fim de um ciclo de rotação de 12 anos dos signos. Ele marca uma fase de grande renovação, e é nisso que as marcas chinesas presentes no Brasil estão apostando, crendo ou não em astrologia oriental. Aqui em nosso país, 2018 representou um início de reação, após longos anos de sofrimento com as cotas de importados estabelecidas pelo finado Inovar Auto durante o governo Dilma. As três marcas chinesas sobreviventes (Chery, JAC e Lifan) praticamente hibernaram por mais de cinco anos. Começaram a se reorganizar neste ano e esperam voos mais altos a partir de 2019.

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A mais empolgada do trio das marcas chinesas é a Chery, atualmente conhecida por Caoa-Chery. A cada mês que passa ela galga novas posições no ranking de vendas. Poucos davam atenção para essa marca até que sua operação brasileira fosse comprada há pouco mais de um ano pelo Grupo Caoa, do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade. De lá para cá ela foi atropelando em vendas tradicionais marcas como BMW, Volvo, Land Rover e Kia. Com uma série de lançamentos no Salão do Automóvel, ela projeta ser a 11ª marca no ranking de vendas já em 2019. “Teremos capacidade para produzir e vender 40 mil unidades no Brasil no ano que vem”, afirmou a AutoBuzz o CEO da Caoa-Chery, Márcio Alfonso.

A Chery já tinha uma fábrica em Jacareí, no interior de São Paulo. Com a aquisição pela Caoa, passou a ter uma segunda unidade fabril, em Anápolis, Goiás. A de São Paulo produzia o pequenino QQ e o Tiggo 2, e agora está montando também o sedã compacto Arrizo 5, com preços a partir de R$ 66 mil. Já a planta goiana começou a produzir o SUV Tiggo 5X. Ele está chegando às lojas para brigar no segmento de Honda HR-V e cia, com motor 1.5 flex turbo de 150 cv e preços a partir de R$ 86.990.

Feito em Anápolis (GO), o Chery Tiggo 5X chegará em 2019 para concorrer com lançamentos das outras marcas chinesas
Cauê Lira/iG Carros
Feito em Anápolis (GO), o Chery Tiggo 5X chegará em 2019 para concorrer com lançamentos das outras marcas chinesas

Outra grande aposta da montadora é o Tiggo 7, também revelado no Salão, que será produzido em Goiás a partir de fevereiro. Seu porte é semelhante ao do Jeep Compass, SUV mais vendido do país. A gama será complementada no fim de 2019 com o Tiggo 8, um SUV de grande porte e espaço para sete pessoas. Além da evolução do custo-benefício dos produtos chineses, a Caoa-Chery tem como maior trunfo a força de vendas do Grupo Caoa. “Temos hoje 65 pontos de venda, sendo 40 próprios. Queremos chegar a 111 até o fim do ano que vem”, afIrmou Alfonso. Enquanto marcas tradicionais penam para manter uma boa rede, e novos entrantes como a coreana SsangYong sofrem para conseguir bons parceiros, a Chery se beneficia de uma das mais experientes e aguerridas redes de revendas do país.

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O Grupo Caoa fez sua fama como maior grupo de concessionárias Ford nos anos 80. Com a abertura das importações, tornou-se representante no país da Renault, nos anos 90. Recebeu uma grande indenização dos franceses quando estes quiseram assumir a operação no Brasil, e usou o dinheiro para obter a representação da coreana Hyundai, da japonesa Subaru, e ainda erguer a fábrica de utilitários em Goiás. Hoje os coreanos querem assumir sozinhos a operação, o que está em litígio judicial. Se receber mais uma gorda indenização, o grupo brasileiro poderá investir ainda mais na operação Chery. O fato é que, chegando a 40 mil emplacamentos em 2019, a Caoa-Chery saltará à frente de marcas tradicionais no país, como Peugeot, Citroën, Mitsubishi e Mercedes-Benz.

JAC e Lifan, planos mais modestos entre marcas chinesas

T40 foi o principal lançamento da JAC em 2018. Atraiu os holofotes para as marcas chinesas pelo bom acabamento
Divulgação
T40 foi o principal lançamento da JAC em 2018. Atraiu os holofotes para as marcas chinesas pelo bom acabamento

Sem fábricas do país, as outras duas chinesas têm planos bem menos ambiciosos que a Chery, mas esperam surfar na reação chinesa. A JAC, representada no país pelo Grupo SHC, do empresário Sérgio Habib, deve fechar o ano com 4.000 unidades vendidas, senso mais de 75% do crossover T40. Mas espera engrossar o caldo no ano que vem com o recém-lançado T50 (reestilização do T5) e com o inédito T80, de sete lugares, crossover de luxo que chega no início de 2019 por R$ 140 mil.

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Há poucos meses, o Grupo SHC entrou em Recuperação Judicial, mas seu dirigente diz que é justamente para proteger a saudável operação da JAC. O Grupo alega que a fonte de prejuízos foi a rede Citroën, da qual Sérgio Habib era o maior concessionário no país (foi ele quem trouxe a marca francesa e posteriormente foi seu presidente). A exemplo do Grupo Caoa, Sérgio Habib tem larga experiência de varejo e muitas concessionárias pelo país, o que ajuda a dar capilaridade à marca JAC.

Lifan X80 chegou a ser o modelo mais sofisticado entre as marcas chinesas vendidas no Brasil atualmente
Divulgação
Lifan X80 chegou a ser o modelo mais sofisticado entre as marcas chinesas vendidas no Brasil atualmente

Já a Lifan não tem essa facilidade com a rede, mas consegue preços interessantes importando seus produtos do Uruguai, sem recolher os 30% do Imposto de Importação. Neste ano lançou o SUV X80, irmão maior do X60, com sete lugares, por R$ 130 mil. Com a dupla, deve chegar a 2.500 emplacamentos no ano. Mas já mostrou no Salão do Automóvel outros dois SUVs para apimentar os negócios em 2019. O X70 chega no começo do ano para aposentar o velho X60. Já o X7 My Way é uma versão alongada do X70, com sete lugares, mas menor que o X80 entre as marcas chinesas . Chega no segundo semestre.

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