
Embora os atuais motores, modernos e compactos, sejam muito mais resistentes e econômicos quando comparados aos modelos de 20, 30 anos atrás, existe um ponto determinante para que consigam cumprir a vida útil prevista pelo fabricante: as condições como o automóvel é utilizado. Hoje, o uso de um carro pode ser classificado como normal ou severo, por isso é fundamental entender essa diferença para evitar quebras repentinas e gastos desnecessários.

Dá pra dizer que existe um vilão invisível quando o assunto é desgaste do veículo, em especial, dos componentes do motor. Esse é o trânsito urbano, porque, ao contrário do que muitos pensam, o uso severo não ocorre apenas em situações extremas, como em rodovias desgastadas, estradas de terra ou coisas do tipo. O exemplo clássico está nas grandes cidades, onde hoje é muito maior o número de profissionais de transporte, público formado pelos tradicionais taxistas e agora pelo grande número de motoristas de aplicativo. São eles que enfrentam diariamente o trânsito intenso das metrópoles, onde o cenário de "anda e para" cria a condição severa de uso para o automóvel. Nessa situação, o motor trabalha por longos períodos em baixas rotações, passa boa parte do tempo em marcha lenta, ou seja, funciona com temperaturas muito altas por longos períodos e com baixa refrigeração (pois o veículo se movimenta lentamente boa parte do tempo).
Motor fundido com pouco mais de 10 mil Km
Cesar Alves, da Sady Retífica de Motores, no Ipiranga, em São Paulo, alerta para as consequências graves desse cenário. Para isso, ele cita o exemplo real de um Renault Sandero 2020 que, com apenas 10.800 km rodados, teve o cabeçote do motor 1.0 SCe fundido. O proprietário até seguiu o manual para uso em condições normais, realizando a troca indicada pelo fabricante aos 10 mil km, mas não sabia que estava utilizando seu carro em condições de uso severo, situação que exige atenção maior porque reduz o tempo de troca do óleo do motor. O resultado foi a degradação acelerada do óleo lubirificante, que baixou o nível sem que o dono percebesse, provocando a quebra precoce do motor.

A principal recomendação para quem utiliza o carro com frequência em condições severas é a antecipação da revisão preventiva, especialmente, fazendo a troca de óleo e filtros. “O grande problema é que nos motores de automóveis utilizados em condição severa, o consumo de óleo pode dobrar”, alerta Cesar Alves. "Em condições normais, o motor pode consumir até 0,5 litro de óleo a cada 1.000 km. Enquanto que, na condição severa, esse consumo pode chegar a 1 litro a cada 1.000 km rodados." Pois esse é mais um motivo para ficar muito atento ao nível do óleo e criar o hábito de conferir a vareta, uma ação simples que pode evitar que o carro rode muito tempo com o lubrificante abaixo do mínimo. o que pode provocar a quebra do motor. Cesar lembra ainda a importância de checar, além do lubrificante, componentes como correias e mangueiras, pois são itens que também trabalham sobrecarregados e devem ser monitorados de perto.

Campo e praia também merecem atenção
O uso severo não se limita ao trânsito congestionado. Outros dois cenários exigem atenção redobrada, recomenda Cesar, da Sady. "Em estradas de terra, a poeira excessiva satura filtros e pode contaminar componentes internos. E quem usa muito o carro em cidades do litoral, a maresia e o contato frequente com a areia podem acelerar a corrosão e o desgaste de peças móveis."

Portanto, caso utilize o seu automóvel em alguma dessas condições, não há muito o que pensar. Não aguarde o prazo máximo indicado no manual, analise se é ocaso de antecipar suas revisões, e confira o nível do óleo semanalmente.