
Com dois meses completos de vendas no Brasil - foi lançado no fim de fevereiro - o Toyota Yaris Cross começa a mostrar um posicionamento mais claro no mercado nacional. SUV inédito na linha Toyota, o modelo gerou boa expectativa ao entrar na disputadíssima categoria dos SUVs compactos. Embora a maior parte das atenções tenha se concentrado nas versões híbridas, agora está mais claro o papel das configurações 1.5 flex a combustão, como a XRX, opção topo de linha entre as versões não eletrificadas.

Em março, efetivamente o primeiro mês completo de vendas, o SUV somou 3.864 emplacamentos no Brasil. O desempenho foi suficiente para colocá-lo como o segundo modelo mais vendido da marca, atrás apenas da picape Hilux e à frente do irmão maior, Corolla Cross. Dentro desse cenário, o Yaris Cross XRX 1.5 flex — topo da gama a combustão — certamente teve participação importante no resultado. A versão ocupa um espaço estratégico dentro da linha ao reunir bom nível de conteúdo, eficiência energética muito próxima da encontrada na XRX híbrida e preço um pouco mais acessível, além de afastar eventuais preocupações de parte do consumidor em relação à bateria.

Sob o capô, o Yaris Cross a combustão utiliza motor 1.5 aspirado flex de 122 cavalos, acompanhado de câmbio automático do tipo CVT, que simula até sete marchas. No uso cotidiano, o principal destaque do conjunto é a suavidade ao rodar. O comportamento é confortável e bem ajustado ao perfil de quem utiliza o carro com frequência na cidade. Na estrada, o bom acerto se mantém, com suspensão agradável e firme na medida certa. O que chama mais atenção aparece nas acelerações mais fortes e retomadas de velocidade, quando o ronco do motor invade a cabine com mais intensidade.

Em compensação, o consumo surge como ponto positivo. As médias oficiais são de 12,6 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada com gasolina, números que podem ser superados com relativa facilidade, especialmente em percursos rodoviários. No restante, a versão XRX entrega um pacote coerente com o posicionamento do modelo. Com 4,31 metros de comprimento, 2,62 metros de entre-eixos e porta-malas com 400 litros de capacidade, o Yaris Cross está alinhado aos principais concorrentes. O espaço interno é bem aproveitado e atende quem tem família. A posição de dirigir um pouco mais elevada agrada aos fãs de SUVs e ainda favorece a visibilidade.

No acabamento, a percepção também é positiva, com direito até à aplicação de tecido no painel. Na parte traseira, porém, a proposta é mais simples e deixa evidente a busca por racionalidade de custos. A lista de equipamentos reforça o papel da XRX como topo de linha entre as versões a combustão. O modelo traz painel digital, central multimídia com conectividade sem fio para smartphones, ar-condicionado automático, teto solar panorâmico e pacote de assistências à condução, com recursos como frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, monitor de ponto cego e câmeras de visão 360 graus.

Passados os primeiros dois meses de mercado, porém, o Yaris Cross ainda não pode ser considerado um fenômeno de vendas, como parte do mercado chegou a projetar, especialmente pela força da marca Toyota. Apesar dos números positivos de emplacamentos, o modelo ainda aparece distante dos líderes do segmento, VW T-Cross e Hyundai Creta, que nos primeiros quatro meses deste ano registraram médias de 6.700 e 5.900 unidades vendidas, respectivamente.

Em outras palavras, se mantiver o ritmo atual de cerca de 4 mil unidades mensais, a Toyota pode, no máximo, sonhar com o Yaris Cross entre os cinco SUVs compactos mais vendidos do país. Mais do que isso parece improvável neste momento. Apesar das qualidades, o preço muito próximo ao de modelos maiores e mais equipados continua sendo um fator limitador.
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex: R$ 178.990