
Os SUVs seguem dominando a preferência do consumidor brasileiro, independentemente do porte. Dos compactos aos grandes utilitários esportivos, o que atrai a maioria dos compradores atualmente não é, necessariamente, a capacidade de enfrentar trilhas ou terrenos difíceis. O que pesa na decisão de compra é a combinação entre um visual robusto, posição elevada ao volante, sensação de segurança e uma cabine que ofereça conforto, tecnologia e sofisticação para o uso diário. Características bem exploradas pelo Jetour T1, oferecido em nosso mercado em duas versões, Advance e Premium, a que ilustra esta avaliação, ambas com propulsão híbrida do tipo plug-in.

Com 4,70 metros de comprimento, 1,97 m de largura, 1,84 m de altura e 2,80 m de entre-eixos, faz frente a modelos consolidados por aqui, como Jeep Compass, BYD Song Plus e GWM Haval H6 PHEV. O visual chama bastante atenção pela proposta clássica de um SUV raiz: é alto, tem linhas retas, traz estribos laterais, para-lamas musculosos, uma dianteira imponente e, ao mesmo tempo, tecnológica, com faróis em LED e uma barra iluminada com assinatura luminosa dinâmica, que garante um pequeno show à parte. Conta com rodas de liga leve aro 19 e pneus 235/60, uma medida que ajuda no conforto, mas que não entrega robustez para uso longe do asfalto.

Interior aposta em refinamento e tecnologia
É dentro que o T1 Premium deixa claras as suas intenções de sofisticação. O acabamento utiliza materiais agradáveis ao toque, a montagem é cuidadosa e cria um ambiente que transmite sensação de categoria superior. O painel de instrumentos é digital, com tela de 10,25 polegadas, enquanto a central multimídia tem 15,6 polegadas, e oferece conectividade completa, além de reunir boa parte dos comandos dos recursos do veículo.

Nesta versão Premium, o pacote de equipamentos é bastante completo, com direito a teto solar panorâmico, carregador de celular por indução de 50 W, sistema de som com nove alto-falantes assinado pela Sony, bancos dianteiros com ajustes elétricos e memória, além de ar-condicionado digital de duas zonas, entre outros itens. Um ponto interessante é o sistema de câmeras com visão de 540 graus e o efeito de "capô transparente". É um recurso que faz muito sentido na condução fora de estrada, apesar de essa não ser exatamente a proposta do T1 brasileiro, mas que ajuda bastante nas manobras do dia a dia e reforça o pacote tecnológico do SUV.

Desempenho eficiente, mas sem 4X4
Para falar do conjunto de propulsão do Jetour T1, é preciso lembrar de outro ponto: as versões vendidas no Brasil não oferecem tração 4x4. O conjunto híbrido é do tipo-plug-in, formado por um motor 1.5 turbo a gasolina e outro propulsor elétrico, com tração dianteira. A potência combinada é muito boa, de 315 cv, e o torque é de 52 kgfm. A transmissão é automática e a bateria de 26,7 kWh garante autonomia de até 88 quilômetros no modo 100% elétrico. Já a combinada é de 900 Km, mas, dependendo do perfil de uso, é possível ultrapassar a marca dos mil quilômetros.

No T1, a calibração do sistema privilegia o funcionamento elétrico, o que permite respostas rápidas nas arrancadas e ajuda a reduzir bastante o consumo de combustível no uso urbano, onde, naturalmente, andamos mais tempo em baixas velocidades. A suspensão tem calibração voltada ao conforto, absorve bem as irregularidades sem comprometer a estabilidade em rodovias, entregando um resultado que tem tudo a ver com a proposta desta categoria.

Olhando para o Jetour T1 no mercado nacional, fica claro que seu desafio não está necessariamente no produto, mas na capacidade de conquistar a confiança do consumidor brasileiro. E isso envolve estruturação da rede de concessionárias, pós-venda eficiente e valor de revenda positivo. Algo que exige tempo. Mas, como estreante, a estratégia é boa para o Brasil. Já para quem estava esperando ver um dos invocados SUVs da Jetour com tração nas quatro rodas, tem tudo para gostar do novo T2 4X4, que chega ainda este mês às lojas.