Tamanho do texto

A Ariel Red Hunter de 1952 é uma típica representante da melhor fase das motos inglesas. Sua história tem início em 1870, antes do primeiro carro

Ariel arrow-options
Acervo Pessoal / Gabriel Marazzi
A imponente Ariel Red Hunter de 1952. Pilotar era muito fácil

Antes que alguém brinque dizendo que se trata de um detergente, ou mesmo de uma princesinha do fundo do mar, lembrar da história da marca inglesa de motocicletas Ariel pode explicar a razão de a bela Red Hunter de 1952 ser considerada uma típica representante de uma das melhores época das motocicletas inglesas.

LEIA MAIS: Trocando marchas com a mão, na Indian Chief 1948

A Ariel teve início em 1870, quando James Starley e William Hillman começaram a fabricar as primeiras bicicletas com rodas raiadas, em Selly Oak, Birmingham, Inglaterra. Em 1898 eles experimentaram um motor De Dion em um triciclo, mas foi apenas em 1901 que surgiu a primeira motocicleta, comercializada a partir do ano seguinte pela empresa Componentes Ltd.

Já a primeira motocicleta a receber o nome Ariel chegou nos anos 20, quando Val Page, um dos maiores projetistas britânicos de motocicletas se juntou à companhia. E a primeira Red Hunter surgiu em 1932, quatro anos antes de a empresa mudar seu nome para Ariel Motors.

Após alguns problemas financeiros, que quase levaram a marca ao fim, o filho do fundador da companhia salvou a pátria, comprando a empresa e reativando a produção de motocicletas.

Ainda nessa época, a Ariel Red Hunter tinha um pequeno motor de apenas 13 cv e uma suspensão dianteira bastante precária, sujeita a constantes problemas de estabilidade direcional. Foi em 1939, quando as Red Hunter começaram a ser utilizadas pelo exército britânico na Segunda Grande Guerra, que a Ariel Red Hunter NH 350 passou por sua prova de fogo, ganhando mais potência e uma suspensão dianteira com garfo telescópico.

Após o conflito, a Ariel Motors foi comprada pela gigante BSA, que passou a oferecer dois modelos de motocicletas, a Red Hunter e a Square Four, esta última com um motor de quatro cilindros paralelos dispostos dois a dois (conhecido por quadrado).

LEIA MAIS: Relembrando a Yamaha DT 360A 1974, uma motocicleta muito rara

A última Ariel Red Hunter foi produzida em 1959 e apenas a Leader e a Arrow continuaram a ser produzidas com a marca Ariel até 1970, quando a marca chegou ao seu fim. Foi nesse ano que a BSA produziu um interessante triciclo usando esse nome, o Ariel 3, cujo conjunto propulsor traseiro de duas rodas ficava paralelo ao asfalto enquanto a parte dianteira inclinava nas curvas. Curiosamente, a Honda comprou o projeto e produziu o triciclo Gyro, que tive a felicidade de experimentar nos anos 80.

Red Hunter é um pedaço da história

Ariel Hunter arrow-options
Acervo Pessoal / Gabriel Marazzi
Velocímetro Smiths e o “ferma sterzo”, para reduzir o chimmy no guidão

Esta Ariel Red Hunter NH 350 de 1952 retrata fielmente as características da maioria dos modelos ingleses dos anos 50. O tanque vermelho com detalhes dourados e o centro das rodas da mesma cor era a marca registrada desse modelo.

O motor monocilíndrico de quatro tempos refrigerado a ar tinha cilindrada de 347 cm3, com diâmetro e curso do pistão de 72,0 mm por 85,00 mm, válvulas mo cabeçote de alumínio e potência de 19,4 cv a 5.600 rpm. Era uma excelente receita para uma motocicleta leve de sua época.

As motocicletas maiores e mais potentes, contemporâneas à Red Hunter, costumavam ser rudes e propensas a grandes ruídos mecânicos, razão pela qual a Ariel era considerada confortável e de funcionamento suave, além de ser ágil e ter bom desempenho.

Para quem está acostumado a pilotar motocicletas sexagenárias, essas boas características podem ser notadas ao experimentar a Ariel Red Hunter. Uma pedalada é suficiente para ligar o motor, que tem uma pegada vigorosa, auxiliada pelo belo ronco do escapamento direto. A embreagem é leve, assim como o câmbio de quatro marchas. Só não podemos esquecer que, como uma boa inglesa da época, o pedal das marchas é acionado pelo pé direito. Os ingleses consideravam esse o lado “certo” do câmbio (right side = lado certo).

LEIA MAIS: A boa e velha Lambretta

A marca Ariel voltou à ativa em 1999, dando nome a um veículo de quatro rodas extremamente esportivo, o Ariel Atom. Depois, voltou às motocicletas em 2014 com a Ariel Ace .