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Segundo estudo da consultoria Jato Dynamics, o aumento do valor de transação foi influenciado principalmente pelos equipamentos

Honda Civic: a versão de entrada parte de R$ 89.400 com câmbio manual e de R$ 96.400 com câmbio automático
Renato Maia/iG Carros
Honda Civic: a versão de entrada parte de R$ 89.400 com câmbio manual e de R$ 96.400 com câmbio automático

Sabe aquela sensação de que os preços dos carros dispararam e o seu salário ficou na mesma ou até diminuiu? Pois bem: não é sensação, é realidade mesmo! A prova foi dada esta semana pela empresa de consultoria Jato Dynamics, durante o IX Fórum da Indústria Automobilística, realizado pela revista Automotive Business, em São Paulo.

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Segundo o presidente da Jato Dynamics, Vitor Klizas, o preço médio de transação dos sedãs médios passou de R$ 65.247 em 2015 para R$ 101.781 este ano. Os aumentos foram graduais. Primeiro o preço passou para R$ 85.172 em 2016, quando houve a maior alta (30,5%). Depois, em 2017, subiu mais 17,7%, passando a R$ 100.209. Finalmente, de um ano para cá, o preço médio de sedãs como Toyota Corolla, Honda Civic e Chevrolet Cruze, entre outros, aumentou mais 4,8% e chegou a incríveis R$ 101.781.

Toyota Corolla: a versão mais simples, com motor 1.8 e transmissão manual, custa atualmente R$ 89.990
Renato Maia/iG Carros
Toyota Corolla: a versão mais simples, com motor 1.8 e transmissão manual, custa atualmente R$ 89.990

E não foram só os sedãs médios que subiram bem acima da inflação! Em outros segmentos o mesmo fenômeno foi detectado pela Jato Dynamics. Os hatches compactos (categoria do Chevrolet Onix e Hyundai HB20, por exemplo) saltaram de R$ 45.615 em 2015 para R$ 56.485 este ano, com aumentos anuais de 8,1% (2016), 3,5% (2017) e 7,7% (2018). Já os sedãs compactos (categoria do Chevrolet Prisma, do Volkswagen Voyage e do Hyundai HB20S) passaram de R$ 48.371 há três anos para R$ 58.692, uma majoração superior a R$ 10 mil.

Por fim, os SUVs também foram analisados e tiveram o mesmo comportamento, principalmente devido à chegada de novos modelos. Carros como Ford EcoSport, Honda CR-V, Jeep Renegade, Honda HR-V, Jeep Compass e Hyundai ix35, entre tantos outros, saíram da média de R$ 80.283 para R$ 98.365 no período de três anos. Os aumentos anuais foram de 7,9%, 10,9% e 5,8%.

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Por que os preços subiram tanto?

Volkswagen Voyage: na configuração Comfortline, com motor 1.6 e câmbio manual, custa R$ 59.700
Divulgação
Volkswagen Voyage: na configuração Comfortline, com motor 1.6 e câmbio manual, custa R$ 59.700

Segundo Vitor Klizas, o maior “culpado” por essa alta impressionante de preços é o perfil do próprio consumidor. A empresa identificou que os brasileiros ficaram mais exigentes na questão dos equipamentos dos carros e isso levou as montadoras a focarem suas vendas em versões com maior nível de tecnologia. Mesmo fazendo uma comparação de dez anos, a mudança no nível de equipamento dos carros é muito grande. Itens como controle de estabilidade e auxílio de partida em rampa passaram a ter relevância até mesmo entre os dez carros mais vendidos do mercado.

Direção assistida, ar-condicionado e travas elétricas passaram a estar presente em 100% dos dez modelos mais procurados pelos consumidores. O desejo por maior conectividade também explodiu. Os sistemas Android Auto e Apple CarPlay já estão presentes em 46% dos top 10. Até mesmo o tamanho das telas multimídias aumentou, passando para 8” na maioria dos carros. A Jato Dynamics também concluiu que itens como câmbio automático, GPS, piloto automático e bancos de couro nem eram considerados entre os dez carros mais vendidos de 2008, mas a maioria deseja esses equipamentos nos carros atuais.

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Chevrolet Onix: o carro mais vendido do Brasil há três anos sai por R$ 58.750 na versão LTZ, com motor 1.4
Divulgação
Chevrolet Onix: o carro mais vendido do Brasil há três anos sai por R$ 58.750 na versão LTZ, com motor 1.4

Resta saber agora quanto desses aumentos nos sedãs foi realmente imposição dos consumidores brasileiros e quanto foi ganância por faturamento da indústria automobilística, já que para superar a crise muitas marcas preferiram vender menos por mais do que vender mais por menos.

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