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Com um olho no mercado popular e outro no futuro eletrificado, a marca francesa impõe respeito

Renault Kwid
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Renault Kwid: lançado em 2017, foi um dos principais responsáveis pela crescente da marca francesa no Brasil

O Renault Kwid é o novo líder do ranking de carros de entrada no Brasil. Ele disputa carro a carro com o Volkswagen Gol a primazia de ser o número 1 no segmento mais popular. No fechamento de março, deu Kwid com uma vantagem acumulada de 511 carros. Nas três primeiras semanas de abril o Gol estava reagindo, vamos ver como termina o mês. O Kwid ostentou a liderança porque a Fenabrave finalmente mudou o Ford Ka de categoria. Recentemente, a República do Automóvel publicou que o ranking estava errado, pois o Ka não poderia estar na categoria de entrada se é maior do que o Chevrolet Onix.

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Diante das críticas desta coluna, a Ford pediu e a Fenabrave atendeu: o Ka agora concorre numa categoria superior, até para fazer jus ao carro, que não é mais aquele pequeno modelo de duas portas da primeira geração. Quanto ao Kwid , é justo que ele brilhe também, mesmo que seja brigando com o Gol – um carro que tem uma história riquíssima no mercado brasileiro e sul-americano. Mas, quando a gente fala de Renault, não deve olhar somente para o Kwid. A marca francesa tem um olho no mercado popular, sim, mas também tem um olho no futuro.

Falar de carros elétricos e compartilhamento como algo do futuro já não é totalmente correto. Afinal, o mercado existe, está avançando rapidamente em várias regiões do mundo, e até mesmo no Brasil. Por isso, o Zoe, 100% elétrico, também deve ser visto como parte da estratégia da Renault para o mercado brasileiro. No Salão de São Paulo de 2018, algumas marcas começaram a vender oficialmente carros elétricos. O Renault Zoe foi um deles. E cito o Zoe porque a Aliança Renault Nissan Mitsubishi é líder mundial na venda de carros elétricos, com mais de 725 mil veículos vendidos. E agora a Renault dá um passo também no compartilhamento no Brasil.

Kwid e Zoe são o presente, mas também o futuro

Renault Zoe
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Renault Zoe é a aposta da marca na categoria dos compactos elétricos, contra Chevrolet Bolt e Nissan Leaf

Com uma experiência em São Paulo (com o próprio Zoe) e outra no Paraná (com seus veículos de frota), a Renault começa a testar seu projeto de “car sharing” no Brasil. A Aliança está investindo US$ 1 bilhão na nova geração de mobilidade, que inclui carros elétricos e autônomos. A participação é de 40% para Renault, 40% para a Nissan e 20% para a Mitsubishi. No Brasil, a empresa criou o Renault Lab e firmou uma parceria com a empresa Cubo, do Itaú, para avançar nessa questão das tecnologias de mobilidade.

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Claro que os carros elétricos ainda são muito caros. Mas, por incrível que pareça, a experiência mais avançada que temos no Brasil sobre e-commerce automotivo é a do Renault Kwid. O sistema K-Commerce já realizou mais de 13 mil vendas online. Fora da indústria automobilística, também temos o programa do site Mercado Livre, que permite um sinal para a compra do carro usado dentro do ambiente online. Portanto, o Kwid e o Zoe representam hoje duas faces extremas da mesma empresa: uma, de olho no consumidor que busca um carro mais acessível; a outra, de olho no consumidor que aprecia as novidades tecnológicas no campo da mobilidade.

Kwid foi pensado para custar pouco

Kwid
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Compacto e versátil, o Renault Kwid tem a concepção de um carro de baixo custo para o mercado brasileiro

Recentemente, o site Guia do Carro publicou um artigo sobre o “dilema” do Kwid, que é um carro cada vez mais aceito pelos consumidores brasileiros, mas sempre muito criticado pelos especialistas: “Nove entre dez especialistas torcem o nariz para o Renault Kwid. E dez entre dez especialistas amam o Volkswagen Up. Mas, a cada vez que um Up é vendido em uma concessionária da Volks, nada menos que seis Kwid são emplacados em algum canto do Brasil. O Kwid é um sucesso, queiram ou não os especialistas”.

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O texto também aborda a boa ideia do fabricante: “O Renault Kwid é um carro inteligente. Para se ter uma ideia, 80% de suas peças foram construídas exclusivamente para ele. Assim, o Kwid não tem peças caras e pesadas para seu projeto em função da economia de escala, usando algo feito para outro carro (caso do Mobi, que parece um Frankenstein automotivo). Os pneus são finos (e isso é motivo para os especialistas torcerem o nariz), mas ajudam na economia de combustível. As rodas são de aço, mas têm um desenho que lhe dão aspecto de roda de liga leve”.

Quanto ao Zoe, aguardo a oportunidade de dirigir para saber se ele tem os mesmos predicados que já vi no Chevrolet Bolt e no Nissan Leaf, por exemplo. Uma coisa é certa: neste novo mercado que está chegando, vai se dar bem quem tiver um olho no peixe e outro no gato, tal como Renault Kwid e Zoe.