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Com sete lugares, Land Rover Discovery desembarca no Brasil. Confira nossas primeiras impressões do SUV em uma expedição pelo Pará

O Land Rover Discovery foi protagonista em uma grande e longa expedição pela bela região de Santarém, no Pará
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O Land Rover Discovery foi protagonista em uma grande e longa expedição pela bela região de Santarém, no Pará

O Discovery Sport mexeu com a linha da Jaguar Land Rover e mostrou ser um sucesso de vendas. Porém, parte dos clientes do antigo modelo preferiram esperar pela prometida versão de sete lugares, ao invés de partir para o substituto do Freelander. Com preços a partir de R$ 358 mil, a terceira geração do Land Rover Discovery finalmente está no Brasil e, depois de um dia inteiro atrás do volante pelas trilhas que cortam a região de Santarém (PA), posso adiantar que valeu a pena aguardar por sua chegada.

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Para esta geração do Land Rover Discovery , a fabricante resolveu mudar um pouco as coisas. Abandonou a antiga nomenclatura, que adicionava um número de acordo com a versão do carro (incluindo reestilizações, que a marca conta como geração). O anterior, por exemplo, era o Discovery 4 e este, naturalmente, seria o Discovery 5. Preferiram simplificar, de forma a fortalecer um pouco mais o nome do carro sem associá-lo a um número, o que acentua seu envelhecimento ao lançar uma versão atualizada.

Foram mais conservadores no design. Embora seja um salto enorme em relação ao antigo Discovery, que tinha um formato mais quadrado, o novo modelo está muito próximo da linguagem de design estreada pelo Evoque em 2011. Alguns detalhes são exclusivos, como suas lanternas, mais retangulares do que quadradas. A tampa do porta-malas tem uma leve depressão em S onde fica a placa, imitando o mesmo elemento que existia no Discovery 4 – porém, sem que mexa com o tamanho do vidro traseiro como em seu antecessor.

O interior passa uma sensação familiar, com uma leve evolução sobre o visual de outros design da marca. Tem o nível de acabamento que se espera de um carro desse segmento, utilizando couro por todo o painel e lateral das portas, com a opção de várias cores. Há alguns painéis de madeira nas portas e formando uma linha sobre o porta-luvas. E as poucas peças de plástico são agradáveis ao toque.

Com o avanço tecnológico de toda a linha da Jaguar Land Rover, o Discovery precisava vir tão bem equipado quanto eles. Recebeu uma tela de alta definição para o computador de bordo, posicionada entre os contadores analógicos. A central multimídia é a InControl Touch, com o sistema mais atual da empresa, com tela de 8” na versão SE e de 10,2” nos modelos acima, e que pode ser conectado ao sistema de som Meridian Surround Digital, com 10 alto-falantes – o SE tem “apenas” 10 alto-falantes.

O preço do luxo

Não falta capacidade para pegar aquela estrada ruim - principalmente quando equipado com o motor 3.0 V6 turbodiesel
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Não falta capacidade para pegar aquela estrada ruim - principalmente quando equipado com o motor 3.0 V6 turbodiesel

No Brasil, o Discovery chega com preço inicial de R$ 358 mil na versão a gasolina e R$ 363 mil cobrados pelo modelo diesel. A estratégia da Jaguar Land Rover é simples, focando nos modelos equipados com o motor 3.0 V6 turbodiesel, de 258 cv e 61,2 kgfm de torque a 1.750 rotações. “Os clientes desse segmento viajam mais e são mais aventureiros”, explica Vinicius Frata, gerente de produto da JLR. “Eles naturalmente vão para o diesel por ter um rendimento melhor e mais capacidade off-road.”

Por isso, quem for a uma concessionária agora irá encontrar apenas o Discovery na versão diesel. Quem fizer questão de ter o SUV com o 3.0 V6, sobrealimentado, de 340 cv e 45,9 kgfm de torque, terá que fazer uma encomenda – este motor é uma variação do V8 usado no Jaguar F-Type, com dois cilindros a menos e um ajuste adequado ao novo tamanho. Ambos são combinados ao câmbio automático de oito marchas, feito pela alemã ZF.

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Na versão mais básica SE, o utilitário vem ar-condicionado de duas zonas, sensor de estacionamento (dianteiro e traseiro), bancos de couro com ajustes elétricos, sensor de chuva, faróis Full LED com iluminação diurna, rodas de liga leve de 19”, central multimídia InControl Touch de 8”, câmera de ré, suspensão a ar e retrovisor interno com função antiofuscante automática.

O modelo logo acima é o HSE, por R$ 389 mil (ou R$ 384 mil, com motor a gasolina). Recebe rodas de liga leve de 20”, faróis de neblina dianteiros, entrada e partida sem chave, porta-malas com acionamento elétrico, bancos elétricos com memória, ar-condicionado de três zonas e central multimídia de 10”. A versão topo de linha é a HSE Luxury, vendida por R$ 429 mil na versão diesel e R$ 424 mil na gasolina, recebendo faróis altos inteligentes (que reduz sua intensidade para não ofuscar), teto solar elétrico com vidro panorâmico, iluminação ambiente, abertura do porta-malas por gestos, assentos em couro Windsor com 14 posições, e bancos dianteiros climatizados.

Agora, no lançamento, há mais uma versão, a First Edition, vendida por R$ 464 mil, a gasolina, e 469 mil a diesel. É limitada a 55 unidades e vem com alguns itens que são opcionais no resto da linha, como as rodas de 21”, o sistema Terrain Response 2, monitor de ponto cego e assistente de estacionamento.

O novo Discovery tem a vantagem de ser mais em conta do que seus concorrentes. A Jaguar Land Rover vê Audi Q7 e Volvo XC90 como seus principais rivais. O Volvo custa R$ 369.950 na configuração de entrada Momentum, com motor diesel, enquanto o Audi desembarcou por R$ 417.290.

Aventura tamanho-família

Embora não vá mostrar conforto em situações como essa, o Discovery foi feito para rodar suave no asfalto
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Embora não vá mostrar conforto em situações como essa, o Discovery foi feito para rodar suave no asfalto

Para ter uma primeira impressão do novo Discovery, a Jaguar Land Rover levou os jornalistas até Santarém, no Pará, para um dia inteiro de test-drive na região. O primeiro semestre do ano é chamado por lá de inverno, por ser o período de chuvas e temperatura menos quente. E, para nossa sorte, choveu no dia anterior ao teste, o que molhou ainda mais as trilhas e elevou o nível das águas das regiões alagadas.

Melhor para nós. Embora o foco do Discovery seja dirigir em estradas pavimentadas e, no máximo, uma via de terra, a JLR fez questão de mostrar que poderia encarar situações muito piores. O sistema Terrain Response permite que o Discovery mostra capacidade off-road . Tem tração nas quatro rodas o tempo todo, com reduzida. Podemos selecionar o tipo de terreno no seletor, o que altera a resposta do acelerador e a distribuição do torque. Há até uma função para elevar um pouco mais a suspensão a ar.

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Não faltaram momentos para testar tudo isso. Nem saímos de Santarém e já encontramos uma estrada com um trecho alagado (há até uma pequena ponte para pedestres preparada para esses momentos). Atravessamos com tanta facilidade que só serviu para molhar o carro, pois o SUV tem capacidade para atravessar até 90 cm de água. Porém, era só o aquecimento. Pouco depois, a expedição passava por trilhas apertadas, trechos acidentados e valetas profundas. Alguns deles tinham o caminho tão confuso que a organização tinha que descer e dar orientações para que ninguém caísse em um buraco.

Capacidade para enfrentar trechos alagados ele tem, só precisa saber que, se parar de acelerar, o carro afunda na lama
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Capacidade para enfrentar trechos alagados ele tem, só precisa saber que, se parar de acelerar, o carro afunda na lama

O Discovery resolvia muita coisa sozinho, achando tração em momentos mais críticos, porém há um limite. Um colega resolveu parar o carro em um trecho de lama para tirar uma foto e o carro atolou, forçando a organização a puxá-lo de lá com um gancho preso em um Land Rover Defender. E essa foi a entrada para um dos trechos mais legais, por impressionar visualmente. Andamos por quase cinco minutos por um local que, pela vegetação e quantidade de água, parecia mais um pântano.

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No dia seguinte, nos levaram para uma pista preparada para mostrar o limite da capacidade off-road do SUV . Não faltavam obstáculos. Subida e descida para mostrar o controle de descida em rampas, inclinações, sequências de buracos profundos (a famosa “caixa de ovos) e um pêndulo (duas elevações de pista opostas). Para quem dirigir, era uma experiência até tranquila, mas impressionava quem assistia de fora.

Apesar da maior parte do caminho ser em tudo, menos asfalto, ainda sobrou alguns momentos para testar o conforto. Há espaço de sobra para todos, com exceção de quem viajar na terceira fileira e for um pouco mais alto do que o normal. Como o assoalho é mais alto, a posição das pernas fica prejudicada, forçando os joelhos a ficarem mais próximos da traseira dos bancos da frente. Exige um pouco de malabarismo com as pernas para ficar confortável. No entanto, é bem mais confortável do que muitos outros carros de sete lugares do mercado.

Nessa época de vida digital, entradas USB e tomadas 12V são obrigatórias para muitas pessoas. E isso não falta. São nove entradas USB e seis tomadas 12V espalhadas pelo carro, inclusive para quem encarar os últimos bancos. Há o pacote opcional que adiciona duas telas de 8” na parte de trás do encosto de cabeça dos bancos dianteiros. Nada de brigas para ver quem vai carregar o celular ou o tablet.

Se sua família for pequena, irá aproveitar melhor o espaço. O porta-malas é de 926 litros, mais do que suficiente para levar toda a bagagem. Se precisar usar para carga, pode aumentar a capacidade para 2.038 l com os bancos rebatidos. Caso a terceira fileira de bancos esteja levantada, o espaço cai para 250 litros – o mesmo que alguns hatches de entrada. E ainda há 21 porta-objetos espalhados pelo carro, inclusive um atrás dos comandos do ar-condicionado. Basta apertar o botão que ele abre.

O novo Discovery é um pouco mais em conta que Audi Q7 e Volvo XC90, seus concorrentes no segmento de luxo
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O novo Discovery é um pouco mais em conta que Audi Q7 e Volvo XC90, seus concorrentes no segmento de luxo

Para quem tem dinheiro e quer um carro para viajar com a família, o Land Rover Discovery é mais do que ideal. Está em uma faixa de preço comparado com seus rivais, tem espaço de sobra e, se a estrada alagar, ele vai sobreviver tranquilamente. Está tão bem equipado quanto os outros modelos da marca, com bom acabamento e uma central multimídia bem funcional. Porém, se sua pegada for ficar mais cidade, melhor esperar pelo Range Rover Velar, previsto para outubro.

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