Na briga dos crossovers compactos de luxo, o Mercedes-Benz GLA 200 aposta numa pegada mais urbana e esportiva, sem muita aptidão para colocar as quarto rodas na lama. Com altura livre do solo de meros 13,4 centímetros, o carro pode até encarar valetas e lombadas com um pouco mais de valentia que um hatch médio, mas é bom ter cautela.

Para conferir qual é a do GLA , nada como pegar bons trechos de estrada, rumo ao interior de São Paulo. Foi o que fiz. Logo de cara já dá para notar que o habitat natural do carro é mesmo em asfalto bem conservado, caso contrário vai causar solavancos. Além do ajuste mais firme da suspensão, os pneus 235/50R 18 são do tipo “run flat”, aqueles que podem rodar por algumas dezenas de quilômetros mesmo furados, contanto que o velocímetro não ultrapasse 80 km/h. Portanto, não há estepe.

 Ok, em piso esburacado o GLA 200 não é um exemplo de conforto, em contrapartida, a estabilidade nas curvas é boa e chega até a empolgar. Na versão equipada com motor 1.6, turbo, de 156 cv, o carro não chega a ser um estouro. Apenas tem agilidade razoável e suficiente para ultrapassagens seguras, sem hesitar. O que ajuda é o câmbio de sete marchas, com dupla embreagem, com trocas sempre rápidas e precisas em qualquer situação.

Para uma tocada mais animada, há como selecionar o modo manual do câmbio por um botão no painel. É quando você assume o comando e faz as trocas pelas hastes atrás do volante de três raios, de boa empunhadura e revestido de couro perfurado. Nada mau. Bom também é que a direção tem assistência elétrica e consegue ser leve nas manobras e comunicativa em velocidades mais altas. De acordo com a Mercedes, o GLA 20 0 pode acelerar de 0 a 100 km/h em 8,8 segundos e atingir 215 km/h.

Se for devagar com o andor, basta acionar o botão Eco e acionar o sistema Stop/Start, que desliga o motor quando o carro estiver parado, tornando a ligá-lo automaticamente assim que o pedal de freio deixar de ser acionado. Nesse modo econômico, o câmbio procura manter o motor na rotação mais baixa possível. Para se ter uma ideia, a 120 km/h, em sétima, o contagiros aponta menos de 2.000 rpm. Mesmo assim, o GLA 200 faz somente 11,5 km/l na Estrada e 8,9 km/l na cidade, de acordo com os números da fabricante.

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Bancos são confortáveis e até iluminados na parte do encosto de cabeça

Também agradou a boa posicão de dirigir. O banco do motorista vem com regulagem elétrica pelos tradicionais botões da Mercedes instalados na lateral da porta. E todos os assentos vêm com iluminção na parte do encosto de cabeça, o que ajuda a criar um ambiente requintado, principalmente à noite (gostei, Dona Mercedes…).

A resposta dos freios, bem como a modulação do pedal são outros dois pontos que mostram o bom acerto do conjunto do carro ,tanto da parte mecânica, quanto da estrutural. Entretanto, no caso da versão GLA 200 , falta um pouco de força em baixa rotação, obrigando a pisar mais forte no acelerador para provocar uma redução de marcha, ou a reduzir uma ou mais marchas pelas hastes do volante.

Para ganhar um pouco mais de espaço no console central, a Mercedes resolveu adotar a alavanca do câmbio na coluna de direção, o que exige certo tempo de adaptação, mas logo se acostuma. Além disso, também é preciso se adaptar ao freio de estacionamento na parte inferior esquerda do painel e ao acionamento do limpador de para-brisa por um botão giratório na ponta da mesma alavanca que liga as setas laterais.

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Tela da central multimídia parece um tablet encaixado no painel

Entretanto, o que mais incomoda é tentar lidar com a central multimídia, difícil de se conectar com qualquer celular e com funcionamento pouco intuitivo. Outro problema é que a tela de 17,8 polegadas não é sensível ao toque e poderia estar melhor integrada ao painel, sem parecer um tablet simplesmente encaixado. Pelo menos, ao engatar a marcha à ré, a tela mostra bem as imagens atrás do carro em um ângulo bem abrangente. E vem com Park Assist, sistema que ajuda a estacionar, girando o volante sozinho para encaixar o carro na vaga, bastando ao motorista apenas controlar o acelerador, os freios e o câmbio.

Se for viajar com a família, o GLA pode levar três adultos e duas crianças e suas respectivas bagagens sem muito aperto no porta-malas de 421 litros. Há um volume razoável de porta-objetos. Mas para um carro que custa  R$ 149.900 na versão Vision 200 faltou um pouco mais de cuidado com alguns detalhes de acabamento, como os encaixes da cobertura do porta-malas que parece ter saído de um modelo popular.

Ficha técnica

Motor: 2.0, gasolina,  4 cilindros                                   Comprimento:  4,42 m

Potência: 156 cv a 5.300 rpm                                       Largura:  1,80 m 

Torque: 25,5 kgfm a 1.250 rpm                                     Altura:  1,49 m    

Câmbio: Automatizado, 7 marchas, tração dianteira     Entre-eixos:   2,69 m

Peso: 1.435 kg                                                               Porta-malas: 421 litros

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