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O monovolume, ofuscado pela onda dos SUVs, ganha mais apelo com nova caixa fabricada pela marca japonesa Aisin

Citroën Aircross: visual renovado e moderno, mas que não chega a ser um SUV da moda, atrapalha a vida do modelo
Cauê Lira
Citroën Aircross: visual renovado e moderno, mas que não chega a ser um SUV da moda, atrapalha a vida do modelo

O Citroën Aircross Shine me fez coçar o queixo enquanto eu o observava. Apesar do visual moderno, o carro não chega a ser um SUV, o que pode ser considerado um dos fatores do modelo nunca ter feito tanto sucesso no Brasil. E a situação fica ainda mais complicada quando seu preço encosta nos dos utilitários esportivos compactos, que são os queridinhos de nossas ruas. Afinal, quem quer espaço e robustez não precisa, necessariamente, de um carro alto e quadrado, com cantos arredondados. Agora com novo câmbio automático de seis marchas, a versão Shine, como a avaliada, tem preço sugerido que parte de R$ 76.700.

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 Antes de dar a partida e verificar como o carro se comporta com a nova caixa automática, dou uma olhada por dentro. E  me decepciono um pouco tanto com os materiais quanto com o nível de acabamento. Há plástico duro em tudo: painel, console e até as portas abandonam qualquer resquício de tecido. Os arremates cromados nas entradas de ar ainda dão um ar charmoso ao interior do Citroën Aircross , mas a marca poderia ter caprichado mais . Além disso, a posição de dirigir lembra a das multivans Fiat Dobló e Renault Kangoo. O assento é alto e,  mesmo com os ajustes, é difícil ficar confortável. Talvez a Citroën precise acertar esses detalhes para deixar o Aircross mais agradável de dirigir.

Citroën Aircross abusa de plástico duro no acabamento do painel. E faltou uma central multimídia mais eficiente
Divulgação
Citroën Aircross abusa de plástico duro no acabamento do painel. E faltou uma central multimídia mais eficiente


E assim começa o meu primeiro grande desafio a bordo do Aircross: abaixar o freio de mão. O encosto de braço que está acoplado ao banco do motorista fica na trajetória natural do movimento. Logo, antes de tudo, sou obrigado a levantá-lo. Outro obstáculo é a distância da alavanca em relação ao braço do motorista. É preciso se esticar ao máximo para alcançá-la, nas profundezas do assoalho do carro. Batalha vencida, motor ligado e carro entra em movimento.

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O acerto da direção elétrica é bem direto, com boas respostas aos comandos no volante. Manobrar também será uma tarefa de pouco esforço, com ampla área envidraçada e uma ajudinha da câmera de ré. O Aircross é alto, e inclina bem em curvas rápidas. Mas é preciso lembrar que a proposta do carro está longe de ser um esportivo . Os 118 cv do motor 1.6 garantem potência para uma viagem tranquila e pouco ousada nas ultrapassagens  (ainda mais com o razoável porta-malas de 403 litros lotado ), mas o câmbio de seis marchas poderia ser  mais eficaz quando pedimos potência. Andando em velocidade constante, você não sentirá qualquer tranco nas trocas, contudo, se precisar de agilidade, não terá respostas tão rápidas, mesmo provocando reduções, pisando mais forte no acelerador. 

Frente com desenho moderno inclui luz diurna de LED e novos faróis com lentes escurecidas na versão topo de linha
Cauê Lira
Frente com desenho moderno inclui luz diurna de LED e novos faróis com lentes escurecidas na versão topo de linha

Os comandos que normalmente estariam em um volante multifuncional ficam nas proximidades das alavancas de limpador do parabrisa e iluminação. E e faltaram funções intutivas e mais rapidez de funcionamento à central multimídia, embutida no painel. Apesar de relativamente largo (1,72m), o Aircross não consegue levar três adultos com conforto no banco de trás, conforme atestado por nossa reportagem. Muito por conta do assento do meio, que é mais elevado.

Faz sentido?

Estepe na traseira é algo que já caiu em desuso e não é nada prático no dia a dia se precisar abrir a tampa do porta-malas
Cauê Lira
Estepe na traseira é algo que já caiu em desuso e não é nada prático no dia a dia se precisar abrir a tampa do porta-malas

O C3 Aircross 2018 chega em duas versões e com uma cor, a Dark Carmin. A mais em conta é a Live (R$ 67.990), que conta com ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, banco traseiro bipartido, cinco de segurança de três pontos para todos os ocupantes, computador de bordo, direção elétrica assistida, central multimídia com tela touchscreen de 7 polegadas, faróis de neblina, faróis DRL, porta-luvas refrigerado, rodas de liga leve de 16 polegadas, vidros elétricos, retrovisores laterais elétricos e travas elétricas.

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E o topo de linha é o Shine (R$ 76.400), que acrescenta ar-condicionado automático, bancos de couro e tecido, câmera de ré, controle de cruzeiro, estepe externo com capa, pneus 205/60, sensor de estacionamento traseiro, sensor de chuva, sensor crepuscular e volante de couro. Com esses pacotes e câmbio de 6 marchas como novidade, o Citroën C3 Aircross 2018 deverá ter cerca de mil unidades vendidas até o fim do ano, de acordo com as previsões da fabricante, que conta atualmente com 109 concessionárias no Brasil.

Ficha Técnica

Preço:  a partir de R$ 76.400 (Shine, automática)

 Motor: 1.6, quatro cilindros,  flex

Potência: 118 cv a 5.750 rpm

Torque: 16,1 kgfm a  4.750 rpm

Transmissão:  Automático, 6 marchas, tração dianteira

Suspensão:Independente (dianteira) e eixo de torção na traseira 

Freios: Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira

Pneus: 205/60 R16 

Dimensões: 4,28 m (comprimento) / 1,72 m (largura) / 1,70 m (altura), 2,54 m (entre-eixos)

Tanque : 55 litros

Porta-malas: 403 litros 

 Consumo: 10,2 km/l (cidade) 11,7 km/l (estrada) com gasolina

0 a 100 km/h: 13,3 segundos 

Vel. Max: 172 km/h 

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