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O modelo que mais vende em sua categoria sucumbiu ao lado negro da força. Confira as nossas impressões da nova versão especial do hatch médio

Chevrolet Cruze
Cauê Lira/iG Carros
Prestes a mudar, o Chevrolet Cruze Sport6 aposta na versão Black Bow Tie para conquistar mais clientes

O segmento de hatches médios se tornou uma ilha remota, riscada de todos os mapas, em um oceano de SUVs. Este mercado que antes contava com boa variedade de modelos está restrito a apenas três náufragos: Volkswagen Golf, Ford Focus e Chevrolet Cruze Sport6.

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O Golf passa por maus bocados. Suas versões 1.0 e 1.4 foram descontinuadas em São José dos Pinhais (PR), e o modelo 2.0 GTI continua saindo a conta-gotas. Maio também será o último mês de produção do Ford Focus na Argentina, que sairá do mercado sem deixar um substituto. Nesta categoria, o Chevrolet Cruze Sport6 até que se destaca.

Ao todo, ele emplacou 1.453 unidades nos primeiros meses de 2019, contra 696 unidades do VW Golf e 307 do Ford Focus . Considerando modelos premium, como Classe A, V40 e A3 Sportback, o Cruze ostenta 49,1% de participação no mercado de hatches médios.

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Para impulsionar as vendas, a GM apresentou a nova versão Black Bow Tie, seguindo o mesmo arranjo do que vinha sendo feito com a linha Midnight - que equipa S10 e Tracker. Ou seja, uma identidade visual baseada no preto. Quase como o carro do Batman, nas palavras de um garotinho que passou por ele no estacionamento do supermercado.

Carroceria, rodas e até o símbolo da GM foram pintados de preto. Mas senti falta de algum tipo de detalhe especial na chave - que não é presencial. O acabamento interno conta com aplicações de couro sintético escurecido, ainda que boa parte do painel seja composta por plástico duro texturizado.

Você não terá muita dificuldade para se acomodar no banco do motorista. Além das regulagens de altura e profundidade do volante, o assento de couro é muito confortável e abraça bem as costas. Com 1,84 metro de altura, meu único pedido seria que o banco do motorista pudesse abaixar um pouco mais.

No toque

Chevrolet Cruze Sport6
Divulgação
O interior do Chevrolet Cruze Sport6 na versão Black Bow Tie não traz diferenças em relação ao modelo convencional

O volante multifuncional tem ótima pegada, mas carece de aletas para mudança de marcha. Por meio dele, é possível controlar todas as funções de mídia, conectividade e informações de bordo. A intuitiva central multimídia MyLink praticamente inaugurou este conceito, e continua fácil e prática de usar.

Além de função de espelhamento da tela do celular - que funciona para os sistemas Android e iOS - o Cruze também conta com o sistema OnStar. Por uma assinatura anual, o motorista poderá contar com um assistente pessoal via telefone que pode te marcar um horário na barbearia, ou responder quando é o próximo jogo do seu time.

Quatro adultos e uma criança podem se acomodar sem apertos no habitáculo, mas a situação é bem escassa para a bagagem. Com apenas 290 litros de capacidade no porta-malas, o Cruze fica abaixo de alguns modelos de categoria interior, como Polo e Argo (ambos com 300 litros).

Na parte dinâmica, não há do que reclamar. O volante é bem direto e transfere muita segurança em curvas rápidas. Seu motor 1.4 turbo desenvolve 153 cv de potência a 5.200 rpm. Além disso, o torque de 24 kgfm é entregue logo a 2.000 rpm, garantindo força suficiente para uma leve pincelada no acelerador vencer qualquer obstáculo urbano. Pisando fundo, o Cruze Sport6 arranca forte antes de chegar aos 100 km/h em 9 segundos.

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Sou suspeito para falar de hatches médios. Durante meus 25 anos de vida, já tive três. É muito triste que os brasileiros deixem a categoria morrer, porém, compreensível. Muito da ascensão dos SUVs se deve ao “valor do dinheiro”. As pessoas querem um carro que passe a impressão de custar R$ 100 mil, e os utilitários compactos são perfeitos para tal.

Este Chevrolet Cruze Black Bow Tie, por sua vez, parte de R$ 99.740. Com 49% de participação do mercado, sua moral certamente continuará alta. Mas fique esperto, pois a marca está prestes a lançar o modelo reestilizado no Brasil.

Motor: 1.4, turbo, quatro cilindros em linha,  flex

Potência: 153 a 5.200 rpm

Torque: 24,5 kgfm a 2.000 rpm

Transmissão: Automático de seis marchas, tração dianteira

Suspensão: Independente McPherson (dianteira e traseira)

Freios: Discos ventilados (dianteiros) / discos sólidos (traseiros)

Pneus: 215/50 R17

Dimensões: 4,45 m (comprimento) / 1,81 m (largura) / 1,48 m (altura), 2,70 m (entre-eixos)

Tanque : 52 litros

Porta-malas: 290 litros

Consumo (E/G): 7,6 km/l / 9,3 km/l (cidade) e11,3 km/l / 13,6 km/l (estrada)