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SUV da marca francesa não deslancha nas vendas e acaba se apoiando no preço para ter apelo diante dos fortes rivais do disputado segmento

Peugeot 2008 vermelho arrow-options
Carlos Guimarães/iG
Peugeot 2008 ganhou novos para-choques, grade frontal pintada de preto brilhante, entre outros detalhes na linha 2020

Bem que a Peugeot tentou aumentar as vendas do 2008 no Brasil com os retoques no desenho da linha 2020, lançada em maio. Mas no acumulado dos oito primeiros meses do ano, o carro ocupa apenas o 15° lugar entre os SUVs compactos com 5.527 unidades, atrás do Citroën C4 Cactus, o 11°, com 10.342, ambos bem longe dos líderes, Jeep Renegade (44.023 unidades) e Hyundai Creta (36.195 unidades).

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 Enquanto a nova geração do Peugeot 2008 não vem, teremos apenas as versões renovadas no Brasil, com poucas mudanças em relação ao modelo original, lançado há quatro anos. O carro ficou um pouco mais atraente com a nova grade dianteira, pintada de preto brilhante, com elementos tridimensionais e capô mais plano, seguindo o estilo da dupla 3008 e 5008.

 Mas faltaram mais itens de segurança, uma vez que o carro não pode ter controles eletrônicos de estabilidade (ESP) e tração (TCS) nem como opcional, em nenhuma versão, item que a maioria dos rivais tem de série e que será obrigatório a partir de janeiro de 2020 nos modelos lançados a partir de 2016 e em todos os outros, em 2022.

Além da falta do ESP, o carro poderia ter evoluído mais, principalmente por dentro, onde quase nada mudou, exceto pela padronagem de tecido dos bancos, entre outros pequenos detalhes. Mas a Peugeot deve saber disso e cobra bem menos que os concorrentes pelo SUV compacto . A versão mais em conta, a Allure, de R$ 69.990, vem com calotas de plástico, mas já tem com ar-condicionado, controlador de velocidade de cruzeiro (“piloto automático’) e câmbio automático de 6 marchas. 

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No caso da Allure Pack , como a unidade avaliada, o preço sobe para R$ 79.990 com a inclusão de faróis auxiliares de neblina, rodas de liga-leve de aro 16, volante revestido de couro, câmera de ré e alarme. Mesmo assim, o Peugeot 2008 ainda fica R$ 10 mil mais em conta que o Jeep Renegade básico, de R$ 89.990 e quase R$ 15 mil a menos que o Honda HR-V LX (R$ 94.490).

Peugeot 2008 no dia a dia

Peugeot 2008 arrow-options
Leandro Alvares/iG Carros
Lista de equipamentos é bem recheada, o que permite boa conectividade e acessibilidade

Sentado no banco do motorista do Peugeot 2008 é inevitável a sensação de déjà vu. Estão lá os mesmos comandos, quadro de instrumentos em posição elevada, volante pequeno e a central multimídia, que evoluiu um pouco desde o lançamento do modelo, em 2015, tornando-se mais intuitiva e agradável de usar. 

Dada a partida, mais um velho conhecido vem à tona, o motor 1.6 flex, o primeiro que dispensou o famigerado tanquinho da partida a frio. Rende medianos 118 cv e 16 kgfm em altos 4.750 rpm, o que explica o desempenho nada empolgante do carro com câmbio de seis marchas Aisin, que pode ter trocas sequenciais apenas com toque na própria alavanca.

central multimídia Peugeot 2008 arrow-options
Divulgação
Central multimídia do Peugeot 2008 permite espelhamento da tela do celular

A combinação de pouca força atingida em rotação alta com o câmbio de relações longas acaba obrigando a frequentes reduções de marcha para conseguir extrair alguma agilidade do 2008. Mesmo acelerando, porém, nível de ruído se mantém em níveis cilizados, mas faltou um isolamento acústicoum pouco mais caprichado.

Na questão de desempenho, o 2008 será salvo pela versão com motor 1.6 THP Flex, de 173 cv, com o mesmo câmbio automática de seis marchas das demais. Porém, sua chegada ainda não tem uma data exata definida. Sabe-se apenas que será entre outubro e novembro.

Voltando ao Allure Pack, também  sentimos a ausência de comando do tipo um toque para os vidros elétricos. Em contrapartida, o Peugeot 2008 se mostra um carro econômico. Conforme dados do Inmetro, o carro pode fazer entre 13 km/l de gasolina na estrada e 10,7 km/l na cidade.

O problema é que falta espaço interno, inclusive no porta-malas, o que é complicado para um SUV comprador geramente por quem tem família. No porta-malas vão apenas 355 litros, o que até os quase extintos hatches médios conseguel levar.

Conclusão

Mais em conta que os principais rivais, o Peugeot 2008 evoluiu menos do que deveria na linha 2020 e na disputa acirrada entre os SUVs compactos ainda tem a falta de espaço para atrapalhar. Gastar pouco combustível é um dos seus méritos.

Ficha técnica

Peugeot 2008 Allure Pack 
Preço: a partir de R$ 79.990 
Motor: 1.6, quatro cilindros, flex 
Potência: 118 cv (E) / 115 cv (G) a 5.750 rpm 
Torque: 16 kgfm a 4.750 rpm 
Transmissão: Automático, seis marchas, tração dianteira 
Suspensão: Independente, McPherson (dianteira) / eixo de torção (traseira) 
Freios: Discos ventilados (dianteiros) / discos sólidos (traseiros) 
Pneus: 205/60 R16 
Dimensões: 4,16 m (comprimento) / 1,74 m (largura) / 1,58 m (altura), 2,54 m (entre-eixos) 
Tanque: 55 litros 
Porta-malas: 355 litros 
Consumo gasolina: 13 km/l (cidade) / 10,7 km/l (estrada) 
0 a 100 km/h: 12,4 segundos 
Velocidade máxima: 186 km/h