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Lançamento da Hyundai mostra defasagem do rival em segurança no conjunto mecânico. Confira o veredito deste confronto de compactos

Hyundai HB20 arrow-options
Cauê Lira/iG Carros
Hyundai HB20 retorna mais tecnológico e seguro para enfrentar o rival Fiat Argo

Estes dois hatches passam por momentos bem diferentes no mercado. O que tem sotaque italiano costuma aparecer com frequência entre os carros mais vendidos do Brasil, mas raramente passa da quinta colocação. O astro do k-pop , por sua vez, é o segundo carro mais vendido do País e tem a difícil tarefa de continuar honrando o legado. Pois bem, senhoras e senhores, eis que chega a hora de saber quem é melhor no confronto entre Hyundai HB20 1.0 Diamond e Fiat Argo 1.8 Precision.

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Aos que torcem o nariz para o design polêmico do Hyundai , deixo uma sugestão: vá até uma concessionária e confira o modelo pessoalmente. Digamos que o HB20 não é dos mais fotogênicos no Brasil, mas após alguns dias com o compacto na garagem, até comecei a apreciar algumas qualidades do carro.

A nova linguagem global de design da marca caiu muito bem em modelos com o capô largo e grande, como os novos Elantra e i30 na Europa. O HB20 tem o “bico” curto e estreito, fazendo com que o design na dianteira se aproxime muito de uma minivan. Na traseira, a tampa do porta-malas com formato côncavo dá argumentos aos críticos.

Neste quesito, o Argo é bem mais resolvido e harmônico que o HB20. O design inspirado no Fiat Tipo europeu expressou mais jovialidade, com faróis dianteiros fumê que contam com luz de LED e uma textura interessante na grade frontal. A versão Precision também aposta em retrovisores externos e defletor de ar traseiro pintados de preto. Portanto, ponto ao Argo pelo design.

No habitáculo, o confronto é parelho. Ambos surgem com centrais multimídia flutuantes (com conectividade para Apple CarPlay e Android Auto), saídas de ar-condicionado centrais e cluster parcialmente digital - que agrada mais no modelo da Hyundai.

A marca coreana ainda instalou uma segunda entrada USB no console para recarga rápida de celulares, mas um carregador por indução seria muito bem-vindo. O que também poderia mudar no HB20 é que para parear o celular é preciso não apenas parar o carro com o freio acionado, mas também colocar a alavanca de câmbio na posição P (Parking).

Para um veículo novo, o cluster digital do HB20 poderia contar com animações e grafismos mais requintados. A semelhança com o antigo sistema do Onix também é gritante, mas o Hyundai se sai bem na quantidade de informações disponíveis no computador de bordo (consumo, autonomia e etc). Entretanto, no HB20 faltou algo corriqueiro em outros carros:  marcador de temperatura externa.  Já o Argo se aproxima mais de um design futurista, logo, agradou mais.

A ergonomia do novo HB20 não deixa saudades do modelo antigo. É fácil encontrar uma posição confortável para dirigir, ainda mais com as regulagens de altura e profundidade do volante. No caso do Argo, fico com a sensação incômoda de que estou guiando o antigo Punto Sporting. Enquanto o Hyundai aposta no apoio central de braço com compartimento abaixo, o Argo tem um apêndice estreito entre os bancos.

Há espaço suficiente para quatro adultos e uma criança viajarem com conforto nos dois modelos (claro, com todas as limitações dos hatches compactos). As distâncias entre-eixos de 2,52 metros para o Fiat e 2,53 m do Hyundai também mostram que o espaço para os joelhos dos ocupantes traseiros é praticamente o mesmo. O porta-malas da dupla também se equivale, com 300 litros em ambos. 

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Antes de dar a partida, sabemos que o Argo é melhor no design, mas o HB20 tem algumas soluções mais interessantes para o dia a dia (como o carregador fast-charger). Até então, esses critérios ainda deixam o confronto com traços de subjetividade, mas é no conjunto mecânico que a Hyundai separa o joio do trigo. Porém, é bom lembrar que nesses dias mais quentes que avaliamos o HB20, o ar-condicionado custou a dar conta do recado. 

Fonte da juventude

O hatch coreano estreia o moderno 1.0 TGDI, de três cilindros, com 120 cv de potência e 17,5 kgfm, com injeção direta. Trata-se da mesma família de motores que a Hyundai lançou recentemente no exterior, em modelos como i20, i30 e Elantra. As versões mais em conta ainda vêm com opções 1.0 e 1.6 (aspiradas).

Hyundai HB20 x Fiat Argo arrow-options
Cauê Lira/iG Carros
Ambos os modelos contam com aletas atrás do volante, para trocas sequenciais de marcha

O torque “cheio” aparece a partir de 1.500 rpm, garantindo agilidade ao HB20. O modelo também não fraqueja em aclives, mérito do câmbio automático de seis marchas que sabe a hora certa de executar as trocas. Dessa forma, o HB20 turbinado pode atingir 100 km/h em 10,7 segundos.

Motores de três cilindros também são beneficiados pelas leis da termodinâmica, entregando mais força em baixas rotações enquanto gastam menos energia. Com uma câmara a menos, este tipo de propulsor é montado com menos peças, reduzindo o atrito e mantendo a cilindrada de um motor de quatro cilindros.

Por outro lado, a Fiat já anunciou que vai interromper a fabricação do motor antiquado 1.8 e.TorQ quando a nova família Firefly turbo estiver pronta, em meados de 2020. Na prática, a unidade ainda traz tecnologia remanescente da Tritec, empresa que foi incorporada à Fiat quando o contrato para utilizar motores da General Motors foi encerrado em 2008.

Peso da idade

Assumindo o volante do Argo após rodar vários quilômetros com o HB20, a defasagem fica ainda mais evidente. Apesar de desenvolver 139 cv de potência e 19,3 kgfm de torque, o hatch da Fiat é menos ágil nas saídas de semáforo e retomadas.

O motor 1.8 precisa girar até 3.750 rpm para entregar força total. Ainda que o câmbio de seis marchas seja bom, o Argo Precision carece de um conjunto mecânico mais moderno, com injeção direta, comando acionado por corrente e três cilindros. Apesar da idade, os números de consumo catalogados pelo Inmetro são bem próximos. 

Sendo um carro ágil, as respostas do pedal de freio do HB20 poderiam ser mais imediatas, mas isso não chega a comprometer a dirigibilidade. No pacote de segurança, o hatch coreano tem assistente de permanência em faixa, controle de frenagem eletrônica e assistência de saída em rampa. Na versão Diamond Plus, a Hyundai ainda adicionou mais dois airbags (totalizando quatro). É possível equipar o Argo Precision com airbags laterais, oferecidos como opcionais.

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Passando a régua

A balança volta a pender para o HB20 na conclusão do comparativo, mas o modelo da Hyundai ainda tem tempo de evoluir em alguns aspectos que citamos na matéria. O Fiat Argo 1.8 Precision testado custa R$ 72.440, incluindo câmera de ré, ar-condicionado automático e rodas aro 15. Já o Hyundai HB20 1.0 Diamond Plus custa R$ 77.990, com equipamentos de segurança de carros premium e um conjunto mecânico mais moderno. Precisa dizer algo a mais?

Ficha técnica

Fiat Argo 1.8 Precision

Preço: a partir de R$ 67.800 (R$ 72.440 na versão testada)

Motor:  1.8, quatro cilindros, flex

Potência:  139 cv (E) / 135 cv (G) a 5.750 rpm

Torque:  19,3 kgfm (E) / 18,8 kgfm (G) a 3.750 rpm

Transmissão:  Automático, seis marchas , tração dianteira

Suspensão: Independente, McPherson (dianteira) / Eixo de torção (traseira)

Freios: Discos ventilados (dianteiros) / tambores (traseiros)

Pneus:  185/60 R15

Dimensões: 3,99 m (comprimento) / 1,72 m (largura) / 1,51 m (altura), 2,52 m (entre-eixos)

Tanque: 48 litros

Porta-malas: 300 litros 

Consumo etanol: 7,1 km/l (cidade) / 9,5 km/l (estrada)

Consumo gasolina: 10,1 km/l (cidade) / 13,2 km/l (estrada)

0 a 100 km/h: 10,4 segundos 

Velocidade máxima: 191 km/h

Hyundai HB20 1.0 Diamond Plus

Preço: R$ 77.990

Motor:  1.0, três cilindros, turbo

Potência:  120 cv (E) / 120 cv (G) a 6.000 rpm

Torque:  17,5 kgfm (E) / 17,5 kgfm (G) a 1.500 rpm

Transmissão:  Automático, seis marchas , tração dianteira

Suspensão: Independente, McPherson (dianteira) / Eixo de torção (traseira)

Freios: Discos ventilados (dianteiros) / tambores (traseiros)

Pneus:  185/60 R15

Dimensões: 3,94 m (comprimento) / 1,72 m (largura) / 1,47 m (altura), 2,52 m (entre-eixos)

Tanque: 50 litros

Porta-malas: 300 litros 

Consumo etanol: 8,2  km/l (cidade) / 10,2 km/l (estrada)

Consumo gasolina: 11,8 km/l (cidade) / 14,2 km/l (estrada)

0 a 100 km/h: 10,7 segundos 

Velocidade máxima: 191 km/h