Chevrolet Cruze RS: hatch médio é símbolo de uma era que termina

Versão com certo apelo esportivo não vai durar muito no mercado e faz parte de um segmento que morreu no Brasil

Chevrolet Cruze RS: novas rodas, detalhes pintados de preto brilhante e a sigla RS na frente e atrás
Foto: Carlos Guimarães/iG
Chevrolet Cruze RS: novas rodas, detalhes pintados de preto brilhante e a sigla RS na frente e atrás

Vamos tentar não ser melancólicos ao falar do Chevrolet Cruze RS (R$ 152.280), o único hatch médio feito no Mercosul à venda hoje em dia no Brasil.

Não faz muito tempo, há um pouco mais de três anos e meio, estávamos lamentando o fim do VW Golf GTI nacional . Agora, a iminente despedida de um modelo que faz parte de um segmento praticamente morto no país, com mísero 0,2% de participação nas vendas, segundo a Fenabrave (Federação dos Distribuidores de Veículos).

O Cruze RS ainda é feito na Argentina, mas isso vai durar pouco. E para quem achava que a sigla RS, que um dia foi honrada por esportivos de verdade, implicaria em alguma dose de emoção ao volante, pode esquecer.

O carro tem o mesmo comportamento de qualquer versão do modelo, lançado há mais de cinco anos. O que muda? Apenas meros detalhes estéticos que já viraram clichê, como frisos e costuras vermelhas, novas rodas e itens pintados de preto brilhante.

Difícil evitar a melancolia assim, não? Mas, vamos lá. Se você ainda quer um hatch médio e não liga para outras questões, terá no Cruze RS um carro bem equipado, aliás, o primeiro com acesso à internet a bordo no Brasil. E que vem com equipamentos como sensores que acionam os faróis e o para-brisa automaticamente, teto solar com acionamento elétrico, retrovisores rebatíveis, sistema Star&Stop, entre outros.

Os bancos são revestidos de couro , mas não têm nada de diferente na linha 2022. Para identificar a versão RS, a GM colocou apenas decalques nas soleiras das portas. Dada a partida por botão, o bem conhecido motor 1.4 turboflex acorda com uma sensação de dejà vu .

O bom da história é que tem uma dose de força razoável desde as primeiras marcações do contagiros (24,5 kgfm a 1.500 rpm), o que ajuda nas ultrapassagens.

Sim, mas contanto que você dê umas cutucadas no acelerador para o módulo de controle do câmbio automático de seis marchas comece a entender que colocaram a tradicional sigla dos legítimos esportivos em um inocente hatch médio, que cumpre seu papel de modelo familar e pode fazer até 13,5 km/l de gasolina na estrada, conforme o Inmetro.

Com pequena distância livre do solo, algo que ajuda na estabilidade nas curvas, bem como as pneus de perfil baixo (215/50R 17), o Cruze RS vai bem em trechos sinuosos, mas sem pretenções esportivas. Em contrapartida, é bom tomar cuidado ao passar por valetas, lombadas e obstáculos do gênero para não raspar as partes de baixo do carro. Com o defletor de ar na frente, então, fica bem difícil evitar o toque nas mal conservadas vias que se espalham por aí.

Foto: Divulgação
Por dentro, quase não se percebe as diferenças da versão RS na comparação com as demais que saíram de linha

Para encerrar a questão do desempenho, vamos a uma breve comparação de números, com dados das fabricantes. O Cruze RS faz de 0 a 100 km/h em 9 segundos, tempo bem próximo de um Fiat Pulse 1.0 turbo (9,4s), mas um pouco longe dos 8 s do saudoso Renault Sandero RS , esse sim um hatch esportivo. Apenas na velocidade máxima o modelo da GM se sobressai, com 214 km/h, ante 189 km/h do Pulse e 202 km/h do Sandero.

Prova de que a GM não se esforçou muito para dar alguma esportividade ao Cruze RS é que o carro é até econômico...De acordo com dados do Inmetro, faz 11,1 km/ de gasolina na cidade e, com etanol, passa para 7,6 km/l na cidade e 9,4 km/l em trechos rodoviários , com ajuda do câmbio de relações longas e que não vem com hastes atrás do volante para trocas sequenciais.

O porta-malas do Cruze RS não é dos maiores. São apenas 290 litros, o que é menor até do que alguns compactos, como o próprio Sandero (320 litros), ou os SUVs com ares de cupê que estão meio que assumindo o lugar dos hatches médios no Brasil, entre os quais o Puls e (370 litros) e o VW Nivus (415 litros).

Conclusão

O Chevrolet Cruze RS logo deverá ser substituído pela  versão com ares de cupê do SUV Tracker. Para quem ainda faz questão de ter um hatch médio na garagem hoje em dia no Brasil tem além do modelo da GM tem entre as pouquíssimas opções no país o bem mais sofisticado, empolgante (e caro)  Audi A3 Sportback (R$ 284.990).

Ficha Técnica

Chevrolet Cruze RS (R$ 152.280)

Motor: 1.4, turbo, quatro cilindros em linha, flex

Potência: 153 a 5.200 rpm

Torque: 24,5 kgfm a 2.000 rpm

Transmissão: Automático de seis marchas, tração dianteira

Suspensão: Independente McPherson (dianteira e traseira)

Freios: Discos ventilados (dianteiros) / discos sólidos (traseiros)

Pneus: 215/50 R17

Dimensões: 4,45 m (comprimento) / 1,81 m (largura) / 1,48 m (altura), 2,70 m (entre-eixos)

Tanque : 52 litros

Porta-malas: 290 litros

Consumo: 13,5 km/l na estrada e 11,1 km/l na cidade, com gasolina e 9,4 km/l na estrada e 7,6 km/l na cidade, com etanol

0 a 100 km/h: 9 segundos

Vel. Max: 214 km/h