
O Omoda 5 chegou ao Brasil em um momento complicado. O segmento de SUVs nunca esteve tão disputado e convencer um consumidor a apostar em uma marca nova exige mais do que um design chamativo ou uma ficha técnica recheada. Depois de passar alguns dias com a versão Prestige, de R$ 184.990, a impressão que ficou é que a Omoda acertou justamente no mais importante: o conjunto.
Ele não é perfeito, mas reúne tantas qualidades que rapidamente passa a ser uma das opções mais interessantes para quem procura um SUV eletrificado nessa faixa de preço.
Visual moderno sem exageros
O visual foi a primeira coisa que me chamou atenção. A dianteira transmite personalidade sem exagerar nos elementos cromados, algo que considero um acerto. Quase toda a frente utiliza acabamento em preto brilhante, deixando o conjunto mais sofisticado.

As rodas de 18 polegadas ajudam bastante na presença do carro e ainda recebem um desenho pensado para melhorar a aerodinâmica. Na traseira, gosto da solução adotada para as lanternas interligadas e do spoiler integrado ao teto. O resultado lembra alguns modelos premium, mas sem parecer uma cópia direta.

As dimensões também chamam atenção. São 4,44 metros de comprimento, 1,82 metro de largura, 1,58 metro de altura e 2,61 metros de entre-eixos. Na prática, ele ocupa um espaço muito próximo ao de SUVs médios como o Jeep Compass, embora custe menos.
Interior convence pelo acabamento
Ao entrar no carro, tive a sensação de estar em um veículo mais caro.
O painel utiliza materiais macios ao toque e alguns detalhes de acabamento lembram soluções vistas em marcas premium. Os comandos das portas e o desenho das saídas de ar, por exemplo, remetem aos Mercedes-Benz, embora o conjunto tenha identidade própria.

As duas telas de 12,3 polegadas formam um painel único de 24,6 polegadas, que concentra praticamente todas as funções do veículo. A central multimídia oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio, há carregador de celular por indução com refrigeração, ar-condicionado digital de duas zonas e teto solar.

Na versão Prestige, os bancos dianteiros ainda contam com ajustes elétricos, aquecimento e ventilação.
No banco traseiro, encontrei espaço suficiente para viajar com conforto. Não sobra espaço em abundância, mas há boa folga para as pernas, o assoalho quase plano facilita a vida do passageiro central e as saídas de ar-condicionado fazem diferença para quem viaja atrás.

O porta-malas leva 379 litros e atende bem ao uso familiar. O único ponto negativo é a ausência de estepe. O carro utiliza apenas kit de reparo, solução cada vez mais comum entre os eletrificados, mas que continua deixando dúvidas para quem costuma viajar por rodovias.

O melhor do carro está na dinâmica
Se eu tivesse que escolher apenas um aspecto que mais gostei no Omoda 5, provavelmente seria o acerto dinâmico.
Logo nos primeiros quilômetros procurei ruas com buracos, remendos e valetas justamente para entender como a suspensão trabalhava. Ela conseguiu exatamente o equilíbrio que eu gosto.
É confortável para absorver as imperfeições do piso, mas firme o suficiente para impedir que a carroceria fique balançando em excesso. Em rodovia transmite bastante confiança e, na cidade, consegue filtrar muito bem as irregularidades.
A direção segue a mesma proposta. Tem peso adequado e ainda permite alterar sua calibração conforme o modo de condução escolhido.
Esse conjunto faz o Omoda 5 parecer um carro de categoria superior.
Desempenho forte, mas sem exageros
O sistema híbrido combina um motor 1.5 turbo com um propulsor elétrico, entregando 224 cv e 30,1 kgfm de torque através de uma transmissão DHT. Segundo a fabricante, a aceleração de zero a 100 km/h acontece em 7,9 segundos.
O interessante não é apenas o número.
Gostei da forma como essa potência chega às rodas, já que no uso diário ele é prioritariamente um elétrico. O Omoda 5 entrega força de maneira mais progressiva. Continua sendo rápido, mas muito mais agradável de conduzir no dia a dia.
Durante a avaliação, registrei consumo de 16,3 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada. O resultado faz sentido para um híbrido convencional, que aproveita muito mais o motor elétrico em velocidades urbanas do que em viagens, quando o motor a combustão passa a trabalhar por mais tempo.

Freios merecem um ajuste fino
Se existe um ponto que eu melhoraria no carro, é a calibração do sistema de freios.
O pedal apresenta um pequeno atraso na resposta inicial e muda discretamente de comportamento quando o veículo alterna entre a frenagem regenerativa e o sistema hidráulico convencional.
Não é algo que comprometa a segurança nem a experiência de dirigir. Depois de algum tempo ao volante é possível se adaptar facilmente. Ainda assim, esse comportamento destoa do excelente acerto da suspensão e da direção.
É justamente por todo o restante funcionar tão bem que esse detalhe acaba chamando atenção.
Vale a compra?
Depois de avaliar o Omoda 5 Prestige, ficou difícil não enxergá-lo como uma das melhores compras entre os SUVs eletrificados nessa faixa de preço.
Quando comparo com um Jeep Compass, encontro um carro de porte muito parecido, mais equipado e com motorização eletrificada. Diante do Toyota Corolla Cross Hybrid, ele entrega mais potência, uma lista de equipamentos mais completa e uma garantia superior. Até mesmo quando olho para SUVs compactos mais caros, o Omoda 5 consegue oferecer um conjunto mais sofisticado.
Além disso, há um pacote de equipamentos difícil de igualar. São sete airbags, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, farol alto automático e diversos outros recursos de assistência à condução. A fabricante ainda oferece garantia de sete anos para o veículo e oito anos para o conjunto de baterias.
É claro que nenhum carro é perfeito. Eu gostaria de ver um acerto mais refinado para os freios e ainda acho difícil entender por que um SUV dessa categoria não oferece estepe.
Mesmo assim, são críticas pequenas diante do conjunto entregue. Se eu estivesse procurando um SUV nessa faixa de preço e não tivesse restrição a um modelo eletrificado, o Omoda 5 Prestige certamente estaria entre os primeiros da minha lista. É um carro equilibrado, bem construído e que consegue reunir qualidades normalmente encontradas em veículos de categorias superiores.