
Depois de passar alguns dias convivendo com o Leapmotor C10 REEV, fiquei com uma sensação curiosa. Ele é um carro elétrico, anda como um elétrico e entrega todas as vantagens de um elétrico. Ao mesmo tempo, elimina justamente a maior preocupação de quem ainda não teve coragem de fazer essa migração: a autonomia.
É exatamente essa a proposta do sistema REEV. O motor a gasolina nunca movimenta as rodas. Sua única função é gerar energia para recarregar a bateria quando necessário. Na prática, você continua dirigindo um elétrico, mas sem aquela preocupação constante de encontrar um carregador durante uma viagem.
Só que essa solução não é perfeita para todos os perfis de motorista. E foi justamente isso que descobri durante os dias em que rodei com o C10.
O visual faz parecer um SUV mais caro
Confesso que o design foi uma das primeiras coisas que me conquistou.
Na minha opinião, o C10 é um dos SUVs chineses mais bonitos vendidos hoje no Brasil. Ele consegue ser moderno sem exagerar nas linhas futuristas que algumas fabricantes ainda insistem em usar.

Os 4,70 metros de comprimento dão ao carro presença de SUV grande. O porte lembra bastante um Jeep Commander, embora aqui a proposta seja de cinco lugares. As rodas de 20 polegadas ajudam bastante nessa percepção, assim como os faróis full LED, as lanternas interligadas e o limpador traseiro escondido sob o spoiler, um detalhe simples, mas que deixa a traseira muito mais limpa.

O porta-malas também agrada pelo espaço e pela abertura elétrica. Ali ficam o subwoofer do sistema de som de 840 W e o kit de reparo dos pneus, já que não existe estepe.
O interior impressiona pela qualidade
Entrar no C10 é perceber que a Leapmotor quis competir com marcas já consolidadas.
Os materiais têm boa qualidade, praticamente todas as superfícies são macias ao toque e o acabamento transmite sensação de categoria superior.

Gostei bastante da posição de dirigir e principalmente do volante. Parece um detalhe pequeno, mas ele tem uma empunhadura muito melhor do que a média dos carros chineses vendidos hoje no Brasil.

Outro ponto que me agradou foi o espaço interno. Atrás sobra espaço para pernas, cabeça e ombros, além das saídas dedicadas do ar-condicionado e portas USB para os passageiros.

É um carro que transmite conforto antes mesmo de começar a rodar.
Nem todo minimalismo melhora a experiência
Aqui aparece minha primeira crítica importante.
Entendo a proposta minimalista da Leapmotor, mas acho que ela passou um pouco do ponto.
Quase tudo depende da central multimídia. Regular os retrovisores, abrir o porta-malas ou alterar funções simples exige navegar pelos menus da tela. Depois de algum tempo você aprende, mas continuo preferindo comandos físicos para funções utilizadas diariamente.

Também não gostei do sistema de acesso.
O carro utiliza um cartão NFC no lugar de uma chave presencial. Você aproxima o cartão para abrir o veículo, entra, posiciona o cartão em um leitor para ligar o carro e depois pode guardá-lo novamente.
Funciona.
Mas basta imaginar esse processo em um dia de chuva para perceber que uma chave presencial resolveria tudo de forma muito mais prática.
Outro detalhe que merece atenção é o carregador por indução. Como não existe refrigeração, meu celular aqueceu bastante durante a recarga.
O extensor de autonomia muda completamente a experiência
Esse é o verdadeiro diferencial do C10.
Na traseira trabalha um motor elétrico de 215 cv e cerca de 32 kgfm de torque. Na dianteira existe um motor 1.5 a gasolina.

Mas ele nunca movimenta as rodas.
Essa diferença parece pequena, mas muda completamente a experiência de uso. Você continua dirigindo exatamente como dirigiria um carro elétrico. O silêncio, as respostas imediatas ao acelerador e a suavidade continuam presentes o tempo todo.
A diferença aparece quando a bateria começa a baixar.
Em vez de procurar um carregador rápido, basta abastecer o tanque de 50 litros e seguir viagem. É uma solução extremamente inteligente para quem ainda não confia totalmente na infraestrutura de recarga brasileira.
O consumo depende totalmente do seu uso
Foi durante os testes que percebi para quem esse carro realmente faz sentido.
Rodei aproximadamente 240 quilômetros. Pouco mais de 100 quilômetros foram feitos apenas com a bateria. Nos demais, o motor a combustão entrou em funcionamento para gerar energia.

É justamente aí que mora a principal reflexão.
Se você tem carregador em casa ou no trabalho, dificilmente vai usar o gerador diariamente. Nesse cenário, o C10 faz muito sentido.
Agora, se sua rotina depender constantemente do motor a gasolina para recarregar a bateria, talvez um híbrido convencional seja financeiramente mais interessante. Afinal, você estará usando combustível boa parte do tempo para manter um carro que continua sendo elétrico.
O ADAS impressiona mais do que eu esperava
Outro aspecto que realmente gostei foi o pacote de assistentes de condução.

Depois que me acostumei com a lógica de acionamento do piloto automático adaptativo, o sistema mostrou um funcionamento muito acima da média.
Ele acelera, freia, mantém distância do veículo à frente e faz a centralização na faixa com bastante precisão, inclusive em curvas.
Mesmo em vias urbanas com sinalização desgastada, o comportamento foi consistente.
É um dos melhores sistemas de assistência que já testei nessa faixa de preço.
Vale a compra?
Para mim, essa resposta depende muito mais do seu perfil do que do carro.
Se você quer experimentar um veículo elétrico, mas ainda não confia totalmente na infraestrutura de recarga do Brasil, o Leapmotor C10 REEV talvez seja uma das soluções mais inteligentes disponíveis hoje.
Ele entrega acabamento acima da média, muito espaço interno, ótima dirigibilidade, um excelente pacote de assistentes de condução e elimina praticamente toda a ansiedade de autonomia que normalmente acompanha os carros elétricos.
Ao mesmo tempo, eu teria dificuldade em recomendar o carro para alguém que não pretende carregá-lo na tomada com frequência. Nessa situação, um híbrido convencional provavelmente fará mais sentido do ponto de vista financeiro.
Também considero a ausência de Android Auto e Apple CarPlay um dos maiores defeitos do projeto. Hoje é difícil justificar um SUV de aproximadamente R$ 220 mil sem espelhamento para smartphones. O sistema nativo funciona, mas durante meus testes encontrei situações em que o GPS apresentou informações desatualizadas, e a própria Leapmotor afirma que não há previsão para adicionar esses recursos.
Mesmo assim, terminei essa avaliação gostando bastante do C10. Se eu estivesse procurando um SUV eletrificado nessa faixa de preço e tivesse um carregador em casa, ele certamente estaria entre as primeiras opções da minha lista. A Leapmotor conseguiu criar um carro que mantém todas as qualidades de um elétrico e praticamente elimina seu maior ponto de insegurança para quem ainda está pensando em fazer essa transição.