Bonde Urbano Digital (BUD)
Divulgação/Governo do Paraná/Roberto Dziura Jr/AEN
Bonde Urbano Digital (BUD)

Flagrado circulando na madrugada desta sexta-feira (28) na Região Metropolitana de Curitiba, o Bonde Urbano Digital iniciou a fase prática de testes no trajeto entre Pinhais e Piraquara.

O veículo elétrico opera guiado por sensores magnéticos instalados no asfalto e integra o projeto que pretende avaliar um novo modelo de transporte público no Paraná.

O deslocamento noturno indica avanço na preparação da rota, que recebeu intervenções no pavimento e adaptações nos terminais.

O Estado investe cerca de R$ 6 milhões nesta etapa, prevista para entrar em operação experimental até novembro.

Ônibus convencionais continuarão circulando durante os testes para atender os cerca de 10 mil passageiros da linha.

Características da tecnologia digital Rail Transit

O veículo é fabricado pela CRRC Nanjing Puzhen, empresa chinesa responsável por sistemas similares em cidades da Ásia e do México.

O BUD combina elementos de Veículo Leve sobre Trilhos com a dinâmica do BRT, mas sem a necessidade de infraestrutura metálica.

Ele roda sobre pneus e segue um “trilho virtual”, determinado por ímãs e sensores instalados ao longo dos 10 quilômetros da rota.

Com 30 metros de comprimento distribuídos em três módulos articulados, o bonde possui ar-condicionado, capacidade para até 280 passageiros e operação bidirecional.

Bonde Urbano Digital (BUD)
Divulgação/Governo do Paraná/Roberto Dziura Jr/AEN
Bonde Urbano Digital (BUD)

A velocidade pode chegar a 70 km/h, superior aos 60 km/h praticados por ônibus do sistema. Segundo dados técnicos fornecidos pelo governo estadual, a vida útil estimada é de até 30 anos.

Por compartilhar a via com carros e caminhões, o modelo inclui radares, câmeras e sistemas de proteção eletrônica ativa.

A empresa afirma que o conjunto de orientação permite condução autônoma em trechos segregados, embora os testes no Paraná serão acompanhados por motoristas treinados.

Impacto na infraestrutura e custos de implantação

O pavimento da Avenida Ayrton Senna da Silva e da Rodovia João Leopoldo Jacomel recebeu marcações magnéticas que "definem" o trajeto do BUD.

No Terminal São Roque, em Piraquara, uma garagem de manutenção foi anexada para recarga e monitoramento do veículo.

Bonde Urbano Digital (BUD)
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Bonde Urbano Digital (BUD)

O sistema utiliza baterias de íons de lítio de 600 kWh, abastecidas por pantógrafos aéreos; cada parada de 30 segundos garante autonomia de três a cinco quilômetros.

A implantação promete custo até três vezes menor do que VLTs tradicionais, além de menor desgaste do asfalto, já que o veículo tem carga por eixo inferior à de ônibus elétricos comuns.

A previsão é que um conjunto completo de até quatro módulos possa ampliar a capacidade para cerca de 360 usuários, caso a operação seja estendida.

Experiências internacionais e próximos passos

O Paraná utiliza como referência o sistema instalado em Campeche, no México, onde cinco veículos operam há oito meses em rotas de 15 quilômetros, sendo cinco deles de condução automática em trecho segregado.

Tecnologias semelhantes também estão em uso na China e em implantação na Austrália.

O BUD chegou ao Brasil desmontado e a montagem ocorre no próprio terminal. A instalação dos ímãs restantes pode levar mais algumas semanas.

Após essa etapa, começam os testes integrados com a infraestrutura viária e elétrica. As autoridades afirmam que a tarifa continuará sendo a mesma dos ônibus tradicionais, hoje em R$ 5,50.

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