O fundador e CEO da Xiaomi, Lei Jun, desmontou ao vivo um SUV elétrico da marca para rebater críticas e boatos que circulavam nas redes sociais. A transmissão, realizada em 3 de janeiro, teve duração de cerca de cinco horas, em uma reação incomum.
O modelo usado foi o Xiaomi YU7, segundo carro elétrico de produção em massa da empresa, alvo recente de vídeos virais que questionavam sua segurança, autonomia e qualidade estrutural.
Nos dias anteriores à live, conteúdos editados passaram a circular com grande alcance nas redes sociais e sugeriram falhas graves no YU7.
Entre eles, vídeos que indicavam “frenagem instantânea a 200 km/h”, imagens de rodas se soltando em batidas e a alegação de que o SUV poderia rodar 1.300 quilômetros com apenas uma carga.
Lei Jun afirmou que parte do material viral teve origem em testes internos, mas foi editada de forma seletiva.
“Quero que todos vejam onde está a nossa responsabilidade na fabricação de carros”, afirmou o executivo durante a transmissão.
Fundador da Xiaomi desmonta SUV ao vivo para rebater críticas
A Xiaomi também negou outros boatos que circularam no mesmo período, como a acusação de que a empresa teria impedido agricultores de vender produtos da marca, o que, segundo a companhia, é uma leitura equivocada de denúncias que envolveram contas maliciosas nas plataformas digitais.
Somente após esse embate inicial com as críticas é que a transmissão passou a se concentrar nos aspectos técnicos do veículo, com engenheiros desmontando partes estruturais do YU7 e explicando decisões de projeto.
Engenharia exposta e resposta técnica às acusações
Durante a desmontagem, a empresa destacou o uso de aço de ultra-alta resistência de 2.200 MPa, desenvolvido em parceria com a equipe de pesquisa liderada por Wang Guodong.
Segundo a Xiaomi, trata-se de um dos materiais mais resistentes empregados atualmente em veículos de produção, escolhido para reforçar a proteção da cabine.
Um dos pontos mais comentados foi a circulação de vídeos que mostram rodas se desprendendo em colisões. A empresa afirmou que o sistema faz parte de um mecanismo de segurança projetado para redirecionar a energia do impacto, reduzindo a compressão da cabine em batidas severas, e não de uma falha de montagem.
Lei Jun também esclareceu a controvérsia sobre a autonomia. Segundo ele, a declaração original mencionava 1.300 quilômetros com apenas uma recarga intermediária, e não com uma única carga, como passou a circular nas redes.
A transmissão começou com os comentários bloqueados. De acordo com a empresa, a decisão buscou evitar ataques coordenados enquanto as explicações técnicas eram apresentadas. O chat foi reaberto ao longo da live para interação com o público.
Fundador da Xiaomi desmonta SUV ao vivo para rebater críticas
Ao final, Lei Jun explicou que o veículo desmontado será totalmente remontado e passará por inspeções de qualidade, mas não entrará no canal de vendas. A unidade deverá ser mantida para testes internos ou uso experimental. A remontagem não será transmitida ao vivo.
Na mesma apresentação, o executivo divulgou números da Xiaomi Automobile. Segundo ele, a empresa entregou 410.000 veículos em 2025 e estabeleceu uma meta de 550.000 unidades para 2026, classificada como ambiciosa, porém alcançável. O YU7 ocupa papel central nesse plano de expansão.