
O Renault Clio segue como um dos pilares da marca na Europa e ocupa hoje posição central no segmento de hatches compactos. Diferentemente do modelo produzido no Brasil até 2016, o Clio atual atua como produto mais sofisticado dentro do segmento B europeu, com ampla gama de versões, diferentes níveis de acabamento e oferta de motorização eletrificada.
Na França, a linha começa nas versões com motor 1.0 SCe aspirado, passa pelo 1.0 TCe turbo e chega ao topo com o E-Tech Full Hybrid 160.
Versão de entrada parte de 18 mil euros
O Clio mais acessível no mercado francês custa cerca de 18 mil euros. Equipado com motor 1.0 aspirado de três cilindros, ele entrega potência na faixa dos 65 cv e é voltado a uso urbano. Mesmo na configuração inicial, o modelo já oferece central multimídia com tela sensível ao toque, painel digital simplificado, assistente de manutenção em faixa e frenagem automática de emergência, conforme o pacote europeu obrigatório.
As versões intermediárias utilizam o motor 1.0 TCe turbo, com potência na casa dos 90 a 100 cv, dependendo do mercado. Nessas configurações, o preço gira entre 20 mil e 22 mil euros, com equipamentos adicionais como painel digital ampliado, rodas de liga leve, acabamento interno mais refinado e pacote ampliado de assistências à condução.
No topo da gama está o Clio E-Tech Full Hybrid 160, que parte de aproximadamente 24 mil euros e pode ultrapassar 27 mil euros nas versões mais completas. Em conversão direta pela cotação atual, os valores equivalem a cerca de R$ 100 mil na versão básica e algo entre R$ 150 mil e R$ 160 mil no híbrido topo de linha.
Híbrido de 160 cv é o destaque tecnológico
A versão E-Tech utiliza motor 1.6 aspirado associado a dois motores elétricos e bateria de 1,2 kWh, entregando 160 cv de potência combinada. O sistema trabalha com transmissão automática multimodo sem embreagem convencional e prioriza o uso do modo elétrico em baixas velocidades.

No ciclo europeu WLTP, o consumo médio supera 20 km/l, com níveis reduzidos de emissão de CO₂. A proposta é combinar desempenho compatível com o segmento e eficiência energética superior às versões exclusivamente a combustão.
Dimensões e posicionamento na Europa
O Clio mede cerca de 4,05 metros de comprimento, 2,58 m de entre-eixos e oferece porta-malas próximo de 300 litros. Após a reestilização mais recente, o modelo adotou nova identidade visual alinhada aos SUVs da marca, com assinatura luminosa em LED redesenhada e grade frontal reformulada.

O interior evoluiu em acabamento e tecnologia. Dependendo da versão, o hatch conta com painel digital configurável, central multimídia vertical com sistema OpenR Link, conectividade avançada e pacote completo de assistências à condução, incluindo controle de cruzeiro adaptativo e monitoramento de ponto cego.

Como se posicionaria no Brasil
Se fosse importado para o Brasil nas condições atuais, o Clio europeu teria preço significativamente superior ao histórico do nome no país. Além do valor convertido, incidiriam 35% de Imposto de Importação, além de IPI, PIS, Cofins, ICMS e custos logísticos.
Nessa estrutura, mesmo as versões a combustão poderiam superar R$ 170 mil. Já o Clio E-Tech híbrido poderia atingir faixa estimada entre R$ 210 mil e R$ 240 mil, dependendo do posicionamento comercial adotado.
Dentro do portfólio atual da Renault no Brasil, o modelo ficaria acima de Kardian, Duster e Boreal. Permaneceria abaixo do Mégane E-Tech elétrico em proposta tecnológica, mas atuaria em uma faixa de preço similar à de SUVs compactos e híbridos já estabelecidos no mercado nacional.
O Clio europeu, portanto, não seria um compacto de entrada, mas um hatch premium eletrificado, com foco em tecnologia, eficiência e posicionamento de marca.