Em outro ângulo, o Leapmotor C10 destaca rodas de 20 polegadas e desenho frontal bem resolvido.
Fernando Naccari
Em outro ângulo, o Leapmotor C10 destaca rodas de 20 polegadas e desenho frontal bem resolvido.

O Leapmotor C10 na configuração REEV  tem uma proposta que faz bastante sentido para quem quer migrar para um eletrificado, mas ainda não confia plenamente na infraestrutura de recarga. Na prática, ele é um elétrico com extensor de autonomia, ou seja, as rodas são sempre movimentadas pelo motor elétrico, enquanto o motor a combustão entra em cena apenas para gerar energia e recarregar a bateria.

É justamente aí que mora o principal atrativo do modelo. Ele entrega a experiência de condução de um elétrico, com rodagem silenciosa, respostas rápidas e suavidade ao volante, mas elimina aquela ansiedade típica de quem depende exclusivamente de tomadas. Em um segmento cada vez mais competitivo, o C10 tenta se diferenciar não só pela tecnologia, mas também pelo pacote visual, pelo espaço interno e pela boa relação entre preço e proposta.

Design Externo do Leapmotor C10

Visualmente, o Leapmotor C10 acerta em cheio. Com 4,70 metros de comprimento, ele tem porte de SUV grande, muito próximo ao de modelos como o Jeep Commander, embora aqui a proposta seja de cinco lugares. É um carro que chama atenção pelo equilíbrio das linhas, sem exageros, mas com presença.

Na dianteira, os faróis em LED com projetores ajudam a reforçar esse aspecto mais sofisticado, enquanto a assinatura luminosa interligando os dois lados dá um toque moderno. A lateral também agrada, principalmente pelas soluções aerodinâmicas e pelo acabamento em preto brilhante, que conversa bem com as rodas de 20 polegadas. Outro ponto positivo está no conjunto de freios, com discos nas quatro rodas, algo coerente com a proposta do carro.

Assinatura visual do Leapmotor C10 reforça a proposta moderna do SUV eletrificado.
Fernando Naccari
Assinatura visual do Leapmotor C10 reforça a proposta moderna do SUV eletrificado.

A traseira segue a mesma linha de elegância. As lanternas interligadas com acabamento escurecido deixam o SUV visualmente mais largo, enquanto o limpador traseiro escondido atrás do spoiler mostra cuidado de design. Barras no teto, antena shark e linhas limpas completam um conjunto que, sinceramente, coloca o C10 entre os SUVs chineses mais bonitos à venda hoje no Brasil.

Traseira do Leapmotor C10 aposta em linhas horizontais e visual limpo.
Fernando Naccari
Traseira do Leapmotor C10 aposta em linhas horizontais e visual limpo.

Interior do Leapmotor C10

Por dentro, o C10 também causa boa impressão. O acabamento tem qualidade acima da média, com materiais agradáveis ao toque e uma proposta minimalista que conversa com o que se espera de um elétrico moderno. O revestimento da parte superior do painel tem bom aspecto, e o volante tem ótima empunhadura, sem aquela sensação excessivamente fina que ainda aparece em alguns carros chineses.

Visão ampla da cabine mostra o estilo minimalista adotado pela Leapmotor no C10.
Fernando Naccari
Visão ampla da cabine mostra o estilo minimalista adotado pela Leapmotor no C10.

O problema é que o minimalismo, em alguns momentos, passa do ponto. O acesso ao carro por cartão NFC, por exemplo, não é dos mais práticos. Você precisa aproximar o cartão, destravar, puxar a maçaneta e depois posicioná-lo no local de leitura para dar partida. No uso diário, especialmente em dias de chuva, isso está longe de ser mais cômodo do que uma chave presencial convencional.

A central multimídia concentra praticamente tudo. Faróis de neblina, ajuste dos retrovisores, abertura do porta-malas, comandos de portas e janelas: quase tudo passa pela tela. Visualmente é limpo, mas no dia a dia exige adaptação. Nem todo motorista vai gostar de depender tanto do sistema multimídia para funções simples.

Central multimídia concentra quase todas as funções do carro e domina o painel do C10.
Fernando Naccari
Central multimídia concentra quase todas as funções do carro e domina o painel do C10.

Em compensação, o espaço interno é um dos grandes trunfos do carro. Atrás, há ótima área para pernas, saídas de ar-condicionado, portas USB e um teto solar panorâmico que amplia muito a sensação de cabine arejada. Mais importante: não houve perda de acabamento na segunda fileira. O padrão de qualidade se mantém, algo que nem sempre acontece em modelos dessa faixa.

Test drive do Leapmotor C10

Ao volante, o Leapmotor C10 entrega exatamente aquilo que sua proposta sugere. Ele roda o tempo todo como um elétrico, com respostas rápidas ao acelerador e uma condução suave, muito agradável para o uso urbano. O motor 1.5 a gasolina não traciona as rodas; sua função é trabalhar como gerador para manter a bateria alimentada. Com isso, a sensação de dirigir permanece sempre próxima à de um veículo elétrico puro.

Cofre dianteiro revela o conjunto do sistema eletrificado com extensor de autonomia.
Fernando Naccari
Cofre dianteiro revela o conjunto do sistema eletrificado com extensor de autonomia.

Esse conjunto traz um benefício claro: liberdade. Se você tem ponto de recarga em casa ou no trabalho, consegue aproveitar muito melhor a proposta do carro, usando o motor a combustão só em situações específicas, como viagens longas ou momentos em que a bateria peça ajuda. É uma lógica bastante inteligente para quem quer entrar no universo dos eletrificados sem abrir mão da tranquilidade de parar em um posto e seguir viagem.

No desempenho, o conjunto agrada. O motor elétrico traseiro entrega 215 cv e cerca de 32 kgfm de torque, números suficientes para mover o SUV com agilidade compatível com o segmento. Não é um carro que busca esportividade, mas anda bem, responde com prontidão e transmite sensação de refinamento em trajetos urbanos e rodoviários.

O ponto que pede reflexão está no consumo quando o motor a combustão passa a trabalhar com mais frequência. Em uso 100% urbano, foram cerca de 240 km rodados, sendo 103 km em modo puramente elétrico e 136 km com o gerador a combustão acionado. Nesse trecho, o consumo de gasolina ficou próximo de 11 km/l. Não é ruim para um SUV desse porte, mas também não supera híbridos convencionais mais eficientes.

É por isso que o C10 precisa ser entendido corretamente. Para quem vai carregar na tomada com frequência, ele faz muito sentido e entrega uma experiência bem interessante. Já para quem pretende depender o tempo todo do motor a combustão para manter a bateria alimentada, talvez um híbrido tradicional acabe sendo financeiramente mais lógico no longo prazo.

Outro destaque muito positivo está no pacote de assistência à condução. O piloto automático adaptativo com centralização em faixa impressiona pela precisão, inclusive em curvas, e figura entre os melhores testados dentro da proposta do carro. Em trânsito pesado ou estrada, ele contribui bastante para reduzir o cansaço e elevar a sensação de conforto.

Itens de série do Leapmotor C10

O Leapmotor C10 traz um pacote generoso de equipamentos, começando pelo conjunto óptico full LED, rodas de 20 polegadas, porta-malas com abertura elétrica e teto solar panorâmico. O sistema de som de 840 W também merece destaque, com subwoofer no porta-malas e boa qualidade geral de reprodução.

Na cabine, há central multimídia gigante, modos de condução, modos de gerenciamento de energia e função V2L, que permite usar o carro como fonte de energia para alimentar aparelhos eletrônicos, por exemplo. Também há portas USB dianteiras e traseiras, saídas de ar para quem vai atrás, bancos com bom nível de conforto e uma cabine bastante tecnológica.

O pacote ADAS inclui piloto automático adaptativo, leitura de faixas e assistências de condução que colocam o modelo em posição competitiva frente a rivais mais tradicionais. Há, porém, um detalhe incômodo: o alerta de velocidade é excessivamente sensível e, pior, precisa ser desligado manualmente a cada nova partida.


Vale a pena comprar o Leapmotor C10?

Sim, o Leapmotor C10 é uma opção bastante interessante, especialmente para quem quer um SUV eletrificado com proposta diferente do padrão. Por cerca de R$ 219 mil, ele entrega visual marcante, bom acabamento, espaço interno generoso, muita tecnologia embarcada e uma experiência de condução convincente.

O grande mérito do modelo é oferecer comportamento de elétrico sem o peso psicológico da autonomia limitada. Em viagens, ele traz uma tranquilidade que um elétrico puro ainda não consegue garantir para todos os perfis de uso. Isso, por si só, já o coloca em uma posição muito particular no mercado.

Por outro lado, há falhas que não podem ser ignoradas. A ausência de Android Auto e Apple CarPlay é um pênalti grave em um carro desse valor. O navegador nativo ainda pode errar endereços, e a própria marca não indica uma previsão concreta para corrigir isso com espelhamento de smartphone. Também incomodam o excesso de funções concentradas na tela, o processo de acesso por cartão NFC e o carregador por indução sem resfriamento, que aquece demais o celular.

No balanço geral, o C10 é um produto bom e tecnicamente muito interessante. Não chega à nota máxima por esses detalhes de usabilidade, mas é um SUV que tem argumentos sólidos e, dependendo do seu perfil, pode fazer mais sentido do que muitos concorrentes híbridos e até do que SUVs médios tradicionais a combustão.

Ficha técnica do Leapmotor C10

  • Motor elétrico: traseiro, responsável pela tração do veículo
  • Potência: 215 cv
  • Torque: cerca de 32 kgfm
  • Motor a combustão: 1.5 a gasolina, usado como gerador
  • Tipo de sistema: elétrico com extensor de autonomia (REEV/EREV)
  • Tração: traseira, por motor elétrico
  • Comprimento: 4,70 metros
  • Lugares: 5
  • Rodas: 20 polegadas
  • Freios: discos nas quatro rodas
  • Porta-malas: amplo, com abertura elétrica
  • Sistema de som: 840 W com subwoofer
  • Teto solar: panorâmico
  • Autonomia combinada estimada: mais de 800 km
  • Tanque de combustível: 50 litros
  • Preço: R$ 219 mil

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