Na lista dos carros mais vendidos no varejo em 2026, os carros eletrificados ou híbridos começa a fazer sua ascensão. A cada cinco carros 0 km que saem das lojas, pelo menos um deles é chinês, 19% do total, um aumento significativo em comparação com 2023, onde a aparição destes veículos no mercado era de apenas 3%. No entanto, isso pode mudar a partir de julho.
Até então, todos os carros importados que desembarcavam no Brasil contavam com uma vantagem tributária, com imposto de importação reduzido. Porém, no mês de julho, os elétricos e híbridos que chegam no país passam a pagar o teto de 35% .
O que muda
Para os carros totalmente eletrificados, a alíquota sobe de 25% para 35% e não será aplicado em cima do preço de fábrica, apenas corresponde à importação do produto. Não há confirmação por parte das montadoras de quanto cada uma delas paga por unidade, mas na estimativa projetada, um Geely EX2, por exemplo, poderá custar aqui R$ 123 mil, enquanto na China o modelo sai por R$ 57 mil .
O tributo incide sobre um valor menor, mas ele aumenta o preço original do veículo, ou seja, 10% a mais no valor da taxa de importação pode significar 10% adicionado no preço final do modelo. Marcas como BYD, GWM e Geely já representam aproximadamente 20% do mercado de carros novos, e as mesmas projetam um crescimento exponencial global, principalmente para o Brasil.
Preços no mercado
No entanto, a alíquota dos impostos já vem subindo desde janeiro de 2024, mas o preço quase não mudou . O Dolphin de entrada, da BYD, custava em torno de R$ 149,8 mil em seu lançamento, quando os carros elétricos ainda eram isentos de taxações. Após o aumento de 0% para 25% do tributo, o modelo passou a ser oferecido por R$ 149,9 mil, o que não altera muito seu cenário nas concessionárias.
Além disso, o preço médio global das baterias de lítio caiu para 33% entre 2022 e 2025, assim diminuindo o custo de produção de carros elétricos . A guerra entre as marcas chinesas em território nacional está cada vez mais acirrada com a chegada de novos modelos no mercado brasileiro, como Omoda & Jaecoo, Jetour, Leapmotor, entre outras.
Marcas optam pela produção nacional
Nos quatro primeiros meses do ano, a importação de carros cresceu em mais de 80% , um indício que as montadoras estão aproveitando ao máximo a vantagem do imposto menor enquanto ainda há tempo.
Mesmo assim, algumas fabricantes já não dependem mais exclusivamente da importação.
Um exemplo disto é a nova fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, que tem capacidade para 150 mil carros por ano, abrigando principalmente os modelos Dolphin Mini e Song Pro. A produção, que está em andamento desde 2025, utiliza do modelo SKD (semi-desmontado), onde o que vem da China são as partes do carro como a carroceria.
Nesta situação, o imposto de importação pesa menos, apenas 18%. O objetivo da montadora é aumentar a quantidade de peças nacionalizadas, pois até janeiro de 2027 o tributo da produção SKD e CKD também atingirá o teto de 35% .
A BYD não é a única utilizando desta operação. A GWM também produz alguns de seus modelos no interior de São Paulo, em Iracemápolis, na antiga fábrica da Mercedes.
O local também tem a capacidade de 50 mil veículos por ano. A marca espera que pelo menos 20% do valor de cada veículo montado no Brasil esteja equiparado com as peças fabricadas em território nacional.