
As marcas chinesas atualmente estão apostando em logística e agilidade para lidar com as novas regras de importações de veículos elétricos no mercado nacional. Há dois anos, o governo federal anunciou uma nova proposta para aumentar gradativamente, até 2026, os impostos sobre carros híbridos e elétricos que são importados para o Brasil.
Atualmente x Mudanças previstas
O objetivo inicial da proposta era oferecer um imposto com valores menores, considerando que muitos modelos ainda não são produzidos em território nacional, com a intenção de facilitar para as marcas trazerem suas fábricas até aqui.
A alíquota, em 2024, era de 10% para carros elétricos, 12% para carros híbridos plug-in (PHEV) e 0% para híbridos convencionais (HEV). Desde 2025, os valores já subiram para 25% em carros elétricos, 28% híbridos plug-in e 30% para híbridos convencionais.
A partir de 2026, no entanto, ocorrerá a mudança principal: todos os três tipos de veículos pagarão 35% de taxa de importação. As empresas têm até dia 30 de junho para importar seus produtos antes que haja o fim das cotas de isenção de valores nos tributos.
Navios a caminho do Brasil
Por esse motivo, na última terça-feira (26), a BYD realizou uma operação que durou 24 horas, com fechamento de ruas e rotas de acesso fácil e mobilização de cerca de 150 trabalhadores e 90 caminhões-cegonha para descarregar um navio que continha mais de 4 mil veículos da marca.
No próximo mês, a fabricante conduzirá um procedimento ainda maior, com 7.200 veículos elétricos que irão atracar na cidade de Itajaí (SC).
O ritmo de desembarque de eletrificados no Brasil dobrou nos últimos meses. A fabricante chinesa Geely também bateu um recorde de importações ao mercado brasileiro. No entanto, o aumento gradativo das taxações pode prejudicar diretamente o bolso dos consumidores.

Fábricas no Brasil
Algumas marcas, portanto, decidem apostar em uma estratégia que pode se tornar mais proveitosa: a produção local. A BYD e a GWM foram as pioneiras neste processo, e a tendência é acelerar esta mudança ao longo de 2026, utilizando regimes CKD (veículos desmontados) ou SKD (parcialmente montados). A partir do segundo semestre deste ano, marcas chinesas como Leapmotor, Geely e General Motors pretendem trazer a fabricação de veículos elétricos e híbridos para o Brasil.
O preço pode ser afetado
Com a produção local ainda em transição e os estoques de veículos já se esgotando, o cenário de reajustes nos preços para este ano segue irregular. A Volvo, por exemplo, pode sofrer com estas mudanças bruscas de valores no mercado ainda em julho de 2026.
Já o BYD Dolphin Mini, que utiliza da produção local em SKD, não altera tanto no custo benefício, já que a nacionalização dos veículos pode reduzir na tributação. Marcas como GAC, Omoda & Jaecoo e MG Motor já expressaram interesse em aderir a produção local, mas não há nenhum anúncio concreto, podendo trazer risco de taxação na importação de veículos destas fabricantes.