
Eu fui conhecer de perto o novo GWM ORA 5, primeiro SUV 100% elétrico da marca no Brasil. E a primeira impressão é clara: a GWM não está entrando nessa briga para fazer figuração.
O ORA 5 chega por R$ 159.000 em preço especial de lançamento, uma faixa em que ele cruza o caminho de SUVs compactos a combustão, como Volkswagen T-Cross e Chevrolet Tracker, mas também mira elétricos como BYD Dolphin GS e Leapmotor B10. Só que o argumento aqui é diferente. Em vez de ser apenas um SUV elétrico de entrada, ele tem a proposta de entregar bom espaço interno, pacote tecnológico generoso e custo de uso competitivo.
Visualmente, o carro segue a identidade arredondada que a gente já conhece do ORA 03, mas em proporções maiores. A frente tem faróis full LED, grade inferior ativa e soluções pensadas para melhorar a aerodinâmica. Essa grade abre ou fecha conforme a necessidade de arrefecimento e eficiência. Na lateral, há entradas funcionais que ajudam no fluxo de ar e colaboram também com a parte de freios.

As rodas de 18 polegadas usam pneus 225/60 e têm desenho mais fechado, inspirado em um trevo de quatro folhas, também com foco aerodinâmico. O coeficiente de arrasto divulgado pela marca é de 0,276, número muito bom para um SUV compacto.

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Porte é um dos trunfos
O ORA 5 mede 4,47 metros de comprimento, 1,83 m de largura, 1,64 m de altura e tem 2,72 m de entre-eixos. É maior que boa parte dos SUVs compactos a combustão na mesma faixa de preço e isso aparece principalmente no espaço interno.

No banco traseiro, sentei atrás da minha posição de dirigir e ainda fiquei com boa folga para as pernas. O teto panorâmico de 1,65 m² também ajuda a ampliar a sensação de espaço, com cortina elétrica e tratamento contra raios UV.

O porta-malas tem 362 litros, volume suficiente para o uso familiar, mas não exatamente um destaque absoluto da categoria. Com os bancos rebatidos, passa de 1.060 litros. Um ponto importante para o Brasil: tem estepe temporário, algo que faz diferença para quem ainda não está disposto a depender só de kit de reparo.

Interior tem tela grande e Coffee OS3
Por dentro, o ORA 5 aposta em uma cabine bem tecnológica. O painel digital tem 10,25 polegadas e a central multimídia tem 14,6 polegadas, já com o sistema Coffee OS3, o mesmo conceito mais recente usado pela GWM em modelos como Wey 07 e Haval H6.

A interface é personalizável, tem Apple CarPlay e Android Auto sem fio, GPS nativo, comandos de voz com inteligência artificial e atualizações remotas OTA. A marca fala em mais de 300 comandos de voz.

O pacote também inclui carregador por indução de 50 W, ar-condicionado automático, filtro N95, bancos dianteiros com ajustes elétricos e ventilação, iluminação ambiente e sistema de som com nove alto-falantes. Um detalhe curioso está nos alto-falantes das portas, com desenho inspirado em flocos de neve. Segundo a GWM, isso não é apenas estética: o formato ajuda na distribuição sonora.

Anda bem e tem acerto mais firme
No primeiro contato dinâmico, deu para sentir que o ORA 5 tem uma pegada interessante. O motor elétrico entrega 204 cv e 26,5 kgfm de torque, sempre com tração dianteira. Segundo a GWM, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos.

Na prática, ele responde rápido, principalmente no modo Sport. Não é um elétrico pensado para assustar em arrancada, mas anda muito bem para a proposta e para a faixa de preço. A frenagem também passou boa impressão no teste curto.
O acerto de suspensão é mais firme, mas não seco. A sensação é de um carro bem plantado, com dinâmica mais próxima de um produto de faixa superior do que de um SUV compacto comum. A suspensão traseira é independente do tipo multilink, algo que ajuda nesse comportamento.
Também gostei do raio de giro. Em manobras fechadas, ele parece menor do que o porte sugere, o que deve ajudar bastante no uso urbano.
Autonomia e recarga
A bateria é LFP, de 58,3 kWh. A autonomia oficial é de 349 km pelo Inmetro e 435 km no ciclo WLTP. Em recarga rápida DC, o ORA 5 aceita até 120 kW e vai de 30% a 80% em cerca de 20 minutos, segundo a marca.

Ele também traz função V2L, que permite alimentar equipamentos externos com potência de até 6.000 W. É um recurso interessante para viagens, uso em camping ou até situações emergenciais.

A GWM ainda inclui Wallbox no pacote de lançamento, além de carregador portátil. É uma forma de reduzir uma das principais barreiras para quem está comprando o primeiro elétrico.
Segurança vem completa
O ORA 5 chega em versão única e com pacote de segurança forte. São seis airbags, câmera 540°, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado dianteiro e traseiro, frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo inteligente, centralização em faixa, assistente de permanência em faixa e reconhecimento de placas.
A GWM classifica o conjunto como condução semiautônoma nível 2+. É um pacote acima do que normalmente aparece nessa faixa de preço entre SUVs compactos a combustão.
Custo de uso entra forte na conta
Um ponto que chamou bastante atenção na apresentação da GWM foi a análise de custo de uso. A marca fez uma conta considerando três anos de uso, com 1.000 km por mês, ou 36.000 km no total, incluindo manutenção programada, seguro, gasto com energia ou combustível e despesas legais.

É claro que esse tipo de comparação sempre depende do perfil do motorista, cidade, seguro, tarifa de energia e uso real do carro. Mas ela ajuda a entender onde um elétrico começa a fazer sentido além do preço de compra.
Em São Paulo, segundo a GWM, o custo de uso do ORA 5 em três anos ficaria em R$ 34.813. Na mesma conta, ele aparece mais barato que SUVs a combustão como Honda HR-V, Toyota Yaris Cross, Volkswagen T-Cross e Chevrolet Tracker. A vantagem frente a esses modelos fica na casa de R$ 12 mil a R$ 13,6 mil no período.
No Rio de Janeiro, a diferença fica ainda maior por causa da tributação menor para elétricos. A GWM calcula custo de uso de R$ 22.981 para o ORA 5 em três anos, contra valores acima de R$ 46 mil para os principais SUVs compactos a combustão da comparação.
Em Brasília e Salvador, onde o IPVA para elétricos também pesa menos na conta, o ORA 5 aparece com custo de uso ainda mais competitivo. Em Salvador, por exemplo, a GWM estima R$ 19.018 em três anos, praticamente empatado com o BYD Dolphin GS e abaixo do Leapmotor B10.
Vale os R$ 159 mil?
O ponto central do ORA 5 é o posicionamento. Por R$ 159 mil, ele custa perto de SUVs compactos bem equipados a combustão, fica acima do BYD Dolphin GS, mas entrega mais porte, mais autonomia e proposta mais familiar. Ao mesmo tempo, aparece mais barato que o Leapmotor B10, que é um dos rivais elétricos mais próximos em tamanho e proposta.
No fim, o ORA 5 não parece apenas uma versão SUV do ORA 03. Ele tem personalidade própria, mais espaço, bom pacote de equipamentos e uma dinâmica honesta. Para quem quer entrar no mundo dos elétricos sem abrir mão de porte de SUV, talvez seja um dos lançamentos mais importantes do ano.