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Após acordo, Takata se diz culpada por mortes causadas por seu airbag. Entenda qual foi a decisão da justiça sobre o caso do airbag mortal da Takata

Airbags da Takata utilizam um componente químico que pode se deteriorar, aumentando a força com quem são ativados e disparando pedaços de plástico contra os ocupantes
Divulgação
Airbags da Takata utilizam um componente químico que pode se deteriorar, aumentando a força com quem são ativados e disparando pedaços de plástico contra os ocupantes

O julgamento da Takata nos Estados Unidos teve um resultado esperado. A fabricante dos airbags que causaram 16 mortes ao redor do mundo se declarou culpada, seguindo um acordo feito com o Departamento de Justiça dos EUA. Além de aceitar o resultado, a marca terá que pagar US$ 1 bilhão de multa, que irá para um fundo de compensação para as montadoras e as vítimas.

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Esse acordo causou polêmica. Os advogados de algumas das vítimas reclamaram da decisão, por ela abrir argumento para as montadoras evitarem a responsabilidade, colocando-se como vítimas de atividade fraudulenta. O juiz federal George Steeh afirma que as fabricantes foram enganadas pela Takata durante 15 anos, mas que ainda podem ser responsabilizadas em processos civis pelos danos causados aos proprietários.

Apesar do alto valor da multa, esse acordo foi muito bom para a Takata. O juiz queria que a empresa pagasse US$ 1,5 bilhão, como a lei permite, mas sabe que esse valor iria levar a companhia à falência, atrapalhando o projeto de substituição dos airbags defeituosos.  “A destruição da corporação provavelmente teria sido um resultado justo neste caso”, disse Steeh, mostrando que colocou a razão no lugar do sentimento de justiça.

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Com a decisão, a Takata pode iniciar sua reestruturação, pois encerrou a preocupação que possíveis compradores teriam com uma multa ainda maior. Estão procurando por empresas interessadas em pagar pelos custos. Uma das candidatas é a Key Safety Systems, fabricante chinesa de autopeças. Sem esse apoio, dificilmente a Takata terá dinheiro para arcar com os custos de reposição dos airbags defeituosos. Embora tenha negado que irá buscar proteção governamental contra falência, o julgamento deu a entender de que a empresa possa entrar em colapso se não encontrar um comprador.

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Do US$ 1 bilhão ser pago, US$ 125 milhões serão usados para compensar as vítimas dos airbags, US$ 25 milhões irão para o governo como multa e os US$ 850 milhões restantes serão usados para compensar as fabricantes, com o prazo de pagamento de até um ano. Será monitorada durante três anos, da mesma forma que foi realizado nos casos envolvendo segurança automotiva da General Motors e Toyota.

Entenda o caso

Stephanie Erdman, uma das pessoas feridas pelo airbag da Takata. Um fragmento do equipamento instalado em seu Honda Civic atingiu seu olho.
reprodução/ABC
Stephanie Erdman, uma das pessoas feridas pelo airbag da Takata. Um fragmento do equipamento instalado em seu Honda Civic atingiu seu olho.

Em 2013, as fabricantes anunciaram diversos recalls de milhões de veículos para substituir os airbags da Takata. As bolsas infláveis estavam disparando pedaços metálicos da estrutura contra os passageiros, o que levou a 16 mortes e mais de 100 feridos. Após anos de investigação, descobriram que o problema estava no componente químico responsável por inflar o airbag. Pior ainda, a Takata sabia do problema há anos e continuou em silêncio. Hoje, quase quatro anos depois do caso vir à público, mais de 31 milhões de carros tiveram que ter os airbags substituídos.

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