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Marca enfrenta acusações sobre uso de equipamento para fraudar emissões de modelos a diesel

Tanto EUA quanto a Europa acusam a Fiat-Chrysler de manipular emissões de diversos modelos, incluindo o Jeep Renegade
Divulgação/Fiat-Chrysler
Tanto EUA quanto a Europa acusam a Fiat-Chrysler de manipular emissões de diversos modelos, incluindo o Jeep Renegade

Outro Dieselgate está perto de acontecer, desta vez com a Fiat-Chrysler. A empresa é acusada de fraudar emissões de seus veículos com motores abastecidos com diesel. Os Estados Unidos prepara um processo, enquanto a União Europeia acionou a Itália por não agir sobre as acusações de que a fabricante teria trapaceado nos testes de emissão de poluentes. Em ambos os casos, a FCA não apresentou explicações convincentes.

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A acusação é que a Fiat-Chrysler teria equipado seus carros a diesel com sistemas que alteram o funcionamento do motor. O programa faz com que o veículo emita menos poluentes por 22 minutos após ser ligado – pouco mais do tempo necessário para realizar o teste de emissão de poluentes. Depois disso, o motor volta a funcionar de forma “normal”, elevando a quantidade de gases tóxicos emitidos pela combustão do diesel.

De acordo com o site Automotive News, o Departamento de Justiça norte-americano prepara um processo contra a FCA. Há uma negociação entre a empresa e o governo, para resolver o assunto sem uma ação judicial, mas já preparam um plano caso não cheguem a um acordo. Há meses o governo questiona a marca sobre o esquema de fraude e o uso do equipamento, o que levou a impedir que os carros mais atuais da marca fossem homologados para venda.

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A mesma acusação era feita na Europa, iniciada pela Alemanha. Os governos alemão e italiano discutiam sobre fraudes nas emissões do Fiat 500X, Fiat Doblo e Jeep Renegade. As conversas acabaram em março, sem uma conclusão. A comissão da União Europeia, cansada pela inanição do governo italiano e preocupada que estejam defendendo uma das principais empresas do país, decidiu enviar uma carta formal pedindo explicações. Se não responder, a EU pode processar a Itália e abrir as portas para uma ação contra a Fiat-Chrysler.

Consequências

Embora use um método diferente, o objetivo é semelhante ao do escândalo protagonizado pela Volkswagen, a primeira marca ser acusada (e, posteriormente, punida) por fraudar os testes de emissões com um equipamento semelhante. No caso dos alemães, gastaram quase US$ 20 bilhões em multas e indenizações, além da perda causada pela queda no valor das ações. Além disso, foi um duro golpe nos planos de expansão da marca nos EUA, agora vista com outros olhos.

Desde dezembro, a comissão da União Europeia acusa diversos países por não fiscalizarem corretamente a indústria automotiva. Todos os casos levam a uma tentativa de mudar a forma de aprovação dos veículos. Atualmente, cada país pode homologar os carros e, quando recebe a autorização para a venda, ela vale para todo o bloco econômico.

Graziano Delrio, Ministro dos Transportes da Itália, pediu por mais um tempo para preparar as explicações sobre o caso. O mesmo político disse em janeiro que os carros foram testados e que não encontraram nenhuma fraude. A Alemanha havia pedido pelo recall dos modelos da Fiat, algo que deixou o ministro furioso “É uma sugestão inadmissível. Não se dá ordens a um país soberano como a Itália”, disse Delrio.

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A Fiat-Chrysler se defende, afirmando que não há nenhum esquema de fraude em seus veículos. Em nota divulgada em janeiro, disse que respeita todas as normas dos países onde atua. Sergio Marchionne, CEO da FCA, declarou que seria burrice fazer algo assim, mas mudou o tom recentemente, dizendo que podem “ter cometido alguns erros” ao esclarecer os fatos, mas que “nunca tentaram quebrar qualquer regra”. Se processada nos EUA, pode pagar uma multa de até US$ 4,6 bilhões.

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